Acordei com o peso doce de um braço em torno da minha cintura e o cheiro dele nas almofadas, whisky caro, sabonete amadeirado e algo que só pode ser Salvatore. Por um momento, não me lembro. O quarto está em meia-luz, as cortinas pesadas deixam entrar uma faixa pálida de manhã tardia (ou tarde já?), as digitais dele ainda coladas na minha pele. A lembrança me alcança devagar, como um barco atravessando neblina: o choro preso na garganta, a ausência gritando por dentro, o silêncio de quando a última lágrima secou e eu desabei contra o peito dele. Eu dormi ali, vazia, e ele ficou. — Bianca — a voz dele chega baixa, uma brasa. — Acorda, piccola. Meu corpo dá um sobressalto mínimo, como se precisasse se reorganizar. Viro o rosto no travesseiro e encontro o olhar atento dele, morno, sem pr

