De volta ao salão, talvez encontrasse alguém para perguntar onde ele está. Talvez Lorenzo, de expressão que não entrega nada. Talvez Luca, com a leveza que mascara cálculo. Talvez Dante, rindo alto demais para noite curta. Talvez ninguém. Essa casa aprendeu a dizer tudo com quase nada. Eu, que aprendi a sobreviver a gritos, agora aprendo a escutar os silêncios. Terminei o café já frio e deixei a xícara na borda do banco da fonte. A água respingou no dorso da minha mão, limpei com o polegar, e um soluço pequeno ameaçou subir, teimoso. Não subiu. Não agora. Às vezes a dignidade é só isso: engolir o mar enquanto observa um jardim perfeito que não tem culpa de nada. Caminhei até a beira das roseiras outra vez e escolhi uma que ainda era botão. Não toquei, só a encarei como quem promete volta

