A manhã entrou no quarto como quem pede licença: primeiro um facho tímido pelas frestas das cortinas, depois o calor morno nos pés descobertos, por fim o cheiro distante de café vindo de algum lugar no térreo. Abri os olhos devagar, certa de que encontraria o peso de um braço sobre minha cintura e encontrei só lençol frio. O travesseiro ao lado ainda guardava o convite amassado de uma presença recente, mas o quarto respirava vazio. Senti o silêncio como uma pergunta que ninguém tinha pressa de responder. Sentei na cama, o corpo um pouco pesado da noite anterior, e fiquei ouvindo a casa. Nada de vozes no corredor, nada de passos se aproximando. Só o ruído grave do ar, o estalo ocasional da madeira, e esse cheiro insistente de café que parecia me puxar para fora. Vesti um robe leve, prend

