Eu tinha acabado de apagar. A cama ainda tinha o calor do banho, o perfume da pele dela, e o corpo de Bianca encaixado no meu, respirando manso, pesado, como quem finalmente acredita que pode dormir sem ser caçada. Minha mão descansava na barriga dela, hábito que virou vício: confiro se ela está ali, confiro se respira, confiro se o mundo não ousou atravessar a porta. A batida veio seca, duas vezes, zero cerimônia. — Salve. — A voz era de Dante, do outro lado. — Abre. Agora. Desgrudei do travesseiro em silêncio. Bianca nem se mexeu. Puxei o lençol até o ombro dela, beijei o topo da cabeça e cruzei o quarto. Quando abri a porta, Dante já estava com o casaco jogado nos ombros, suor frio na testa, os olhos acesos. — Ataque. — Ele não fez rodeio. — Zona oeste. Dois pontos, quase simultâneo

