Capítulo 6

1058 Palavras
CINCO ANOS DEPOIS  Ashley bateu o pé, ansiosa para que o garçom passasse novamente. — Juro por Deus, se não sairmos daqui a tempo por causa daquele maldito garçom… — Calma, tá? Não é grande coisa se eu não o vir. Terminei o último gole do meu martini e empurrei meu copo para o lado. — Você tá brincando comigo? Já faz — o quê? Cinco anos desde que você saiu de Harvard e do The Luxe? Exatamente isso. Cinco anos. Era estranho como não parecia que tanto tempo havia passado. Ainda parecia ontem, e também parecia que tinha acontecido em outra vida, com outra pessoa. — Você tem que vê-lo. Você nunca conseguiu explicar a ele o que aconteceu. E se ele estiver sofrendo por você esse tempo todo? E ele nem soube que seu pai morreu. Ele apenas imaginou que você fugiu e não se importou. — Embora eu ainda não entenda por que você simplesmente não levou Eva de volta para Cambridge com você. — Eu já falei sobre isso — suspirei. Ela jogou as mãos para o alto, sua aflição com nosso garçom se traduziu em uma aflição comigo. — Você teve uma viagem estressante! Como pôde deixar isso escapar entre seus dedos? Ouvi você falar sobre os empregos que você ansiava — comandar grandes corporações em Wall Street e ganhar muito dinheiro. Você poderia ter conseguido isso se tivesse ficado! — Eu sei! E acredite, eu tentei. Mas minha bolsa foi retirada quando não terminei o semestre. Eu não poderia pagar Harvard sem isso. Isso me destruiu. Quase tanto quanto a morte do meu pai. Toda a minha vida trabalhei por essa bolsa, então tê-la arrancada... foi sal em uma ferida aberta muito profunda. E ainda o babaca do Travis tirou meu emprego de mim. Ashley, sempre fiel à justiça, ficou indignada. — Eu sei, eu sei. Eles tiraram isso de você. Você deveria ter apelado. Eu já tinha explicado essa parte para ela antes também. Muitas vezes. Algo que ela provavelmente lembraria se não tivesse acabado de terminar três vodcas com tônica em menos de uma hora. — Eu recorri. Mas a bolsa foi financiada privadamente pela Fundação Casa do Bem e, como não foi patrocinada pela universidade, o doador não teve que aderir às políticas da universidade. Blá, blá, blá. A lembrança era amarga na minha boca — meses escrevendo cartas apenas para ser rejeitada uma e outra vez. — Se eu tivesse o nome certo, as conexões certas... Se eu tivesse dinheiro, tenho certeza de que as coisas teriam sido diferentes. Não é essa a história de todo mundo? — Ei, garçom! — ela praticamente gritou do outro lado do bar. — Ashley! Shh! — Eu não sabia por que estava pedindo silêncio agora. O restaurante inteiro já estava olhando para nós. Ela não se importou com a atenção. — Fizemos contato visual. Legal. Ele me viu. Ele está trazendo a conta. Ela roubou a azeitona da minha taça de martini vazia. — De qualquer forma, você foi arrebatada por um recrutador para uma das melhores empresas de publicidade da Califórnia, mudou-se para Los Angeles, me conheceu e sua vida realmente começou. De nada. Fingi revirar os olhos, mas, honestamente, Ashley tinha se tornado uma grande amiga e confidente. Além da minha irmã, ela foi a única pessoa a quem contei sobre Travis Smith e Edward Johnson. No entanto, deixei de fora detalhes nas duas vezes em que compartilhei a história. Ninguém precisava saber o quão doente e suja eu fui naquela época. Com Travis. Eu ainda pensava nele, às vezes. À noite. Quando eu não conseguia dormir. Quando eu estava inquieta e não conseguia descobrir o que eu precisava. Às vezes, era só minha mão e fantasias dele. Eu não estava admitindo isso, no entanto. Que tipo de garota ainda sonhava com o babaca que tirou sua virgindade e a jogou de lado daquele jeito? O que teria acontecido se eu tivesse conseguido ficar? — Aqui está — disse o garçom, deixando nossa conta. Ele já estava indo para outra mesa quando Ashley o pegou pelo braço e o puxou de volta. — E aqui está meu cartão. Você poderia se apressar, por favor? Temos que sair pra algum lugar. — Nós realmente não temos que... — eu disse, mas o garçom já estava fora do alcance da voz. — Sim, temos! — Ashley entrou em uma página no Google. — "Publicidade em uma Nova Era" — virou-se para mim e apontou animadamente para o palestrante principal. — Ele provavelmente pensa que você o deixou esperando todos esses meses. Você tem que consertar isso! Olhei para o site. A foto dele mostrava que ele continuava irresistível. Mas eu já sabia disso. Eu tinha visto as fotos dos dois muitas vezes, e ambos estavam deslumbrantes em seus ternos de luxo. Edward Johnson e Travis Smith eram famosos no mundo da publicidade. Em vez de seguir Harvard com empregos nas empresas de seus pais, eles abriram uma agência de publicidade internacional. Edward comandava o escritório nos Estados Unidos, e Travis estava à frente da filial em Tóquio. Quando concordei em ir a Nova York por três dias com Ashley para esta conferência, não tinha ideia de que ele seria um dos palestrantes. — Ele provavelmente nem vai se lembrar de mim — eu disse, olhando para sua covinha que derretia minha calcinha. — Quem poderia te esquecer? Com um rosto como o dele, eu usaria qualquer carta que tivesse para tentar me aproximar dele. Ele é um gato. Ah, espera, esqueci que você está mais interessada em inteligência do que em aparência ultimamente — talvez ele compartilhe todas as suas inspirações premiadas com uma velha amiga. Balancei a cabeça e passei a mão pelo cabelo — o r**o de cavalo já tinha acabado há muito tempo, mas o hábito não. Eu provavelmente deveria ver o discurso dele de qualquer maneira. E qual era o m*l em ficar por perto? Não seria legal finalmente ter um encerramento para aquela época? O garçom voltou com a conta, e Ashley pagou rapidamente. — Tudo bem — disse Ashley. — Pronta, Emma? Era uma pergunta tendenciosa. Alguém já esteve pronto para homens como Edward Johnson e Travis Smith? Tirando meu telefone, usei a câmera para retocar meu batom e respirei fundo. — Vamos resolver isso.
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