Eva: Papai não fará o bolo se você não estiver aqui.
Eu: Então faça você mesma o bolo.
Movi meus olhos da caixa de bate-papo no canto da tela do meu computador de volta para a planilha do Excel em que estava trabalhando para Estatística. Era o início da tarde de quinta-feira, dois dias depois daquilo, um dia depois de ele ter me convidado para ir com ele, e eu ainda estava oscilando entre tantas emoções que tudo o que eu sentia agora era ansiedade. Os esforços da minha irmã para tentar me fazer comprar um voo de última hora para casa no Dia de Ação de Graças não estavam ajudando.
Outra mensagem apareceu.
Eva: Mas eu não sei comooooooo!!!!
Como uma verdadeira adolescente, minha irmã era tão dramática em suas conversas quanto em qualquer outra coisa.
Eu: Você tem 13 anos. Fogão é moleza.
Eva: Mas quem vai colocar azeitonas nos dedos e fazer monstros de azeitonas comigo?
Uma notificação apareceu na parte superior do meu laptop dizendo que eu tinha uma nova mensagem do trabalho.
Eu: Coloque azeitonas no Bambi.
Certo, Bambi era o cachorro. Mas falando sério. Eu tinha dever de casa para fazer. E dever de casa para acompanhar.
Cliquei no e-mail do trabalho e descobri que a nova notificação era um aviso para eu ir pegar minhas contas — eu tinha sido demitida. Abri o documento anexado e esperei que ele carregasse.
Eva: Muito engraçado. Vem cá!!!!
Eu: Você não tem aula agora ou alguma coisa pra fazer?
Apertei "retornar" e então congelei. O dinheiro do trabalho não era r**m, eu conseguia me manter longe de casa, estudando, e eu odiava o Travis. Tudo o que estava acontecendo era culpa dele.
Abri as observações para detalhes. Cheguei à conclusão que, segundo o documento, a funcionária faltou duas noites no trabalho, sem justificar. Então decidiram demiti-la, já que a mesma não se importou em justificar.
Ass: Travis Smith.
Porra, Travis. Você presenciou toda a tentativa de abuso naquela noite, você sabia bem o porquê de eu ter faltado.
Travis era um i****a com ar de superioridade.
Não. Seja qual for o problema que Travis tinha comigo, ele não podia mexer com meu emprego.
Em poucos minutos, pesquisei o horário de expediente de Christopher e descobri que ele deveria estar disponível por mais uma hora. O clima estava ótimo para novembro — não havia nevado recentemente. Eu conseguiria, se me apressasse. Se ele olhasse, tinha certeza de que veria que meu trabalho merecia ser reavaliado e que Travis era um babaca.
A janela de bate-papo apitou novamente.
Eva: É período de estudos.
Eu: Falo com você mais tarde, Eva.
Fechei meu laptop e atravessei o campus para lutar pelo meu emprego.
Trinta e cinco minutos depois, eu estava do lado de fora do escritório de Christopher. Eu tinha tentado me acalmar no caminho para poder apresentar todos os meus pontos racionalmente ao meu chefe, mas, em vez disso, eu tinha ficado mais nervosa. Eu era uma funcionária exemplar, nunca cheguei atrasada, nunca tinha faltado antes em 2 anos de trabalho.
Era óbvio que isso não era sobre meu trabalho — era sobre Travis. Por que ele estava fazendo isso comigo? Parte de mim se perguntava se eu deveria ir até a empresa dele, se deveria ser na porta dele que eu deveria bater.
Não. Eu não estava brincando. O Sr. Christopher voltaria atrás se Travis se metesse em problemas por me demitir. Então ele merecia.
A porta estava fechada, mas eu conseguia ver a luz acesa através do vidro fosco. Bati e balancei meu quadril impacientemente enquanto esperava meu chefe responder.
— Está aberto.
Girei a maçaneta e entrei no escritório. Era do tamanho de uma caixa de sapatos, forrado com estantes de livros desarrumados, estilo biblioteca, tão apertadas que a porta não abria completamente e tive que fechá-la atrás de mim para ver a mesa de Christopher.
Então, p***a, era Travis sentado atrás dela em seu lugar.
Droga, que todos vão para o inferno.
O filho da p**a nem levantou os olhos do laptop.
— Como posso ajudar você, Emma?
Minhas mãos tremiam. Enfiei-as nos bolsos do casaco. Eu não conseguia falar com Travis. Não assim. Não quando ele já tinha me salvado.
— Onde está o Sr. Christopher?
— Você tem que marcar um horário para vê-lo.
Sua camisa social era branca e seus músculos estavam bem salientes contra o tecido. Não estou olhando para ele.
— Gostaria de fazer isso, então.
— Você pode agendar online, pelo e-mail.
Coloquei a mão na maçaneta, pronta para sair.
— Ele está aqui às sextas-feiras às três — disse Travis atrás de mim.
Fiz uma varredura mental da minha agenda.
— Vou ter aula.
— Então você vai ter que faltar à aula. Ou vai ter que falar comigo.
Finalmente, ele olhou para mim — me pegou, me prendeu com aqueles olhos intensos e penetrantes.
— Em que posso ajudar, Emma?
Eu não queria falar com ele. E eu não queria ir embora.
— Sobre a minha demissão — eu disse.
Ele inclinou a cabeça, como se não tivesse ideia do que eu queria dizer, aquele filho da p**a babaca.
— O que tem?
A raiva me deu coragem. Tirei as mãos dos bolsos e dei um passo em sua direção.
— Não é justo, e você sabe disso. Entendo que você não concorda com minhas conclusões, mas meu raciocínio foi justo e sólido, diante da situação.
Ele acenou para a cadeira de frente para a mesa.
— Sente-se, Srta. Emma. Você está muito agitada.
Ele nem me pediu para sentar. Ele me mandou. Era paternalista e irritante.
— Eu gostaria de ficar de pé.
Eu estava ficando com calor, no entanto. Desabotoei meu casaco e o joguei na cadeira.
— Meu trabalho não é algo questionável. Eu não justifiquei as faltas porque não tinha como justificar.
Ele assentiu e apertou o maxilar algumas vezes, como se estivesse considerando. Depois de um tempo, ele disse:
— Eu discordo.
— Isso não é subjetivo — gritei.
— É, na verdade.
Seu tom permaneceu composto, em perfeito contraste com o meu.
— Infelizmente, para você, é a minha opinião que importa.
Deus, quanto mais calmo ele estava, mais agitada eu ficava. Ele estava me provocando de propósito. Eu deveria ir embora. Eu sabia que deveria ir embora.
Comecei a pegar meu casaco e parei.
— Por que você está fazendo isso?
— É triste, realmente.
Travis fechou seu laptop e o empurrou para o lado. Então ele bateu palmas silenciosamente, como se estivesse rezando, e as apontou para mim.
— Você se mostrou tão competente no começo da sua jornada de trabalho aqui, Emma. Mas neste último mês você se tornou uma pessoa diferente. Você chegou atrasada para o trabalho. Você está desinteressada. O trabalho que você está entregando — nesse momento — é questionável.
— É menos do que aceitável. É uma pena que você esteja deixando os eventos de uma noite mancharem o resto da sua vida.
Sua última frase foi pesada e cheia de subtexto.
— Você está...?
Eu estava incrédula. Ele estava realmente culpando o que aconteceu com Charlie?
— Ah, e você é um exemplo perfeito de como não deixar uma tragédia manchar o resto da sua vida.
Suas sobrancelhas franziram.
— O que você disse?
Além disso, eu não tinha mudado por causa de Charlie. Eu tinha mudado por causa dele. Não que eu estivesse dizendo isso a ele.
— Minhas mudanças de comportamento não se traduziram em uma mudança no padrão do meu trabalho.
— Como seu chefe substituto, isso é para mim decidir, e eu decidi que sim. Seu comportamento neste último mês me levou a isso.
Ele estava tão lindo enquanto se recostava na cadeira e descansava seus pés na mesa, cruzados nos tornozelos.
Semanas de emoção reprimida sacudiram-me. Cada célula do meu corpo vibrou com raiva, desejo, horror e vergonha.
— f**a-se — eu disse, no tom mais claro e controlado que consegui.
Eu iria embora.
Eu falaria com o Sr. Christopher.
Eu mandaria Travis para o inferno. Eu tinha uma justificativa sólida. Isso nem era algo com que se preocupar. Eu resolveria.
Peguei meu casaco na cadeira e me virei mais uma vez para sair.
— Você não quer dizer?
— f**a-se, babaca?
Eu tinha a porta aberta, estava quase saindo, mas a fechei de novo porque eu tinha que saber.
— É por isso que você está fazendo isso? Por causa do Edward?
Ele estava com ciúmes? Por meio segundo, pensei que tinha acertado em algo. Sua expressão se contraiu, e uma estranha pontada de calor floresceu em minha barriga com a ideia de Travis com ciúmes. Por minha causa.
Mas então ele riu, friamente.
— Não. Eu só estava brincando com você. Não aguenta ficar do outro lado da piada?
Era isso que isso era para ele? Uma piada?
— Isso é sério! — Eu estava tão brava que deixei cair meu casaco e empurrei os pés dele para fora da mesa.
— Esse é o meu trabalho, de onde eu tiro o dinheiro pra permanecer nessa cidade estudando.
Em um instante ele estava de pé e em volta da mesa, na minha frente.
— Você deveria ter repensado suas atitudes se estivesse tão preocupada com isso. Talvez você devesse admitir que precisa da minha ajuda.
Ele estava se referindo à sua cantada na sala VIP. Quando ele sugeriu que poderia me ajudar com minha virgindade. Era outra maneira de ele trivializar minha situação, mas também era uma chance de brincar com minhas emoções. Eu odiava como ele parecia uma cenoura balançando. Como ele jogou essa carta como se soubesse que, em algum lugar lá no fundo, eu o queria.
Isso me irritou a um novo nível. Dei um tapa tão forte nele que minha palma queimou. Travis esfregou a bochecha, e seus olhos brilharam.
— É assim que você lutou contra Charlie? — ele perguntou calmamente.
— Não — eu disse timidamente.
Algo mudou entre nós.
— Lute comigo como você lutou com ele.
Eu poderia ter dito não. Era um pedido tão estranho e distorcido, mas eu estava brava e pronta para lutar. E, depois de semanas de pensamentos que tive, semanas de desejo e necessidade reprimidos, eu não queria dizer não.
E foi realmente um pedido estranho e distorcido se, em algum lugar no fundo, eu entendi o ímpeto por trás dele?
Sem mais insistência, empurrei os dois braços contra o peito de Travis com toda a força que pude. Ele empurrou minhas mãos para longe, mas foi bom. Tanto empurrar quanto ser empurrada. Como ser capaz de levantar um peso pesado e o alívio depois de colocá-lo no chão.
Travis assentiu, me encorajando a ir até ele novamente.
Eu o empurrei mais uma vez, mas ele agarrou meu braço e o envolveu em minhas costas. Ele pegou meu outro braço. Eu o acertei com o joelho e então empurrei seu rosto enquanto ele estava curvado. Ele era forte demais para mim e segurou meu pulso facilmente.
Ele me segurou assim por um segundo, enquanto recuperávamos o fôlego, o tempo todo seus olhos grudados nos meus.
— Você quer que eu pare? — ele perguntou cuidadosamente.
Por que eu não estava assustada? Eu estava presa por um homem em quem eu não tinha nenhuma razão para confiar, e eu já tinha estado em uma situação parecida e quase sido violentada. Eu deveria ter ficado assustada pra caramba.
Mas, em vez de me sentir assustada, me senti fortalecida. Assim como em todas as fantasias que eu tive.
— Não — eu disse.
— Não pare.
Eu me contorci contra seu aperto para reforçar meu pedido, usando meu corpo inteiro para lutar contra ele. Antes eu estava me segurando. Agora, eu lutava com tudo que tinha.
Travis lutou mais forte também, mas apenas com força suficiente para me vencer. Ele envolveu seu braço em volta da minha cintura, deslizando minha camisa para cima, para que ele tocasse a pele nua. Eu dei uma cotovelada nas costelas dele. Seu joelho roçou contra a parte interna da minha coxa. Ele poderia dizer o quão molhada eu estava através das minhas leggings?
Quando ele me segurou novamente, com um braço atrás de mim e outro sobre o peito, ele de repente me empurrou para trás até que eu fiquei presa contra uma estante de livros.
Olhei para baixo, para onde a parte inferior do corpo dele encontrava a minha. Pressionada com força na minha barriga estava a protuberância firme da sua ereção.
Eu já tinha esquecido há muito tempo por que vim aqui.
Quando olhei para cima novamente, seus olhos estavam me encarando.
— Eu podia sentir seu cheiro nos dedos dele.
Mal tive tempo de desejar que sua boca estivesse na minha antes que isso acontecesse.
Não havia nada hesitante ou fácil na maneira como Travis Smith beijava. A pressão de seus lábios era firme e intensa. Sua língua era grossa enquanto mergulhava para dentro, me saboreando em longas lambidas. Ele largou meus braços e, com uma mão, segurou meu rosto sobre meu queixo, meio que embalando-o, e parecia doce, mas também como se fosse feito para me segurar no lugar. Para que ele pudesse me beijar como quisesse. Para que ele pudesse chupar meu lábio superior até que sentisse o sabor. Para que ele pudesse beliscar meu pescoço enquanto eu me contorcia contra ele.
Meus joelhos m*l conseguiam me segurar. Eu não conseguia respirar porque eu o queria muito. Eu joguei um braço em volta do pescoço dele, buscando segurar em algo. Precisando segurar nele. Seu beijo ficou mais profundo, como se ele gostasse do jeito que eu me agarrava a ele. Então, mais m*****o — puxando rudemente meu lábio com os dentes enquanto beliscava meu mamilo com os dedos — como se ele desejasse não gostar como ele gostava.
Seus lábios nunca deixaram os meus, mas eu estava muito ciente enquanto sua mão deslizava pelo meu corpo e por baixo da faixa da minha legging, por baixo da minha calcinha, passando pela pele para encontrar meu c******s.
Minha respiração ficou presa, e ele deslizou mais fundo, através da pele macia, enterrando-se dentro de mim.
— Foi assim que você imaginou que Edward faria? — ele disse, se afastando. Não sei se ele queria assistir à reação à sua pergunta ou ao que ele estava fazendo.
— Sim — com seus dois dedos acariciando minha b****a.
Eu estava tão molhada. E era tão bom. Tão bom pra c*****o. Como gravetos pegando fogo, espalhando calor, ficando mais quente. Queimando. Ardendo.
— Travis — eu gemi.
— Diga de novo — ele rosnou.
— Travis.
Eu já tinha dito isso tantas vezes no escuro, na minha cabeça. Parecia novo dizer isso em voz alta dessa forma, mas confortável, como encontrar um par de jeans que parecia ter sido perfeitamente feito sob medida.
Seu lábio se ergueu, a coisa mais próxima de um sorriso que eu já o vi dar. p***a, seu rosto era realmente impressionante. Eu nunca o tinha visto tão de perto. Não era apenas bonito, mas cativante. Ele tinha apenas vinte e oito anos e, no entanto, já tinha linhas começando em seus olhos. Suas sobrancelhas grossas e a linha profunda em seu queixo lhe davam um apelo robusto, e a maneira como ele me estudava enquanto me esfregava e amassava abaixo era intensa e excitante.
Oh... Deus, o que ele estava fazendo comigo... Fechei meus olhos enquanto o prazer se aproximava de um clímax.
— Você tocou nele? — ele perguntou, retirando a mão de repente.
Abri os olhos.
— Não.
— Toque nele.
Soou do mesmo jeito que ele me disse para sentar quando cheguei. Me irrita receber ordens. Agora eu estava tão ansiosa que minhas mãos tremiam.
Travis acariciou meu rosto e beijou minha testa enquanto eu tentava abrir sua calça preta. Quando eu consegui tirar sua calça e cueca boxer da visão, pude ver suas coxas musculosas. Seu p*u caiu, longo, grosso e duro. Sua ponta estava roxa e esticada, e, de repente, eu sabia que isso seria tudo. Isso iria acontecer. Isso estaria dentro de mim, porque havia uma explosão de desejo rugindo na camada mais profunda de mim, implorando para que eu o tivesse. Mas também, tinha que acontecer porque eu tinha um medo muito real de que qualquer coisa estranha e complicada que estivesse acontecendo com Travis pudesse fazer com que não acontecesse, se não fosse agora.
Deslizei a palma da mão sobre sua cabeça, suavemente. Então fechei meus dedos ao redor dele e puxei para baixo.
Ele respirou fundo, e meu estômago embrulhou.
Travis trouxe sua mão para se juntar à minha — a que estava escorregadia com minha umidade — e juntos nós nos acariciamos para cima, para baixo. Para cima. Para baixo.
Ele puxou a mão, mas eu continuei o tocando, mesmo que eu pudesse sentir seus olhos em mim, me observando. Me estudando.
Não olhei para cima. Porque não queria ser questionada, e não queria que isso parasse. E isso me tornava uma pessoa horrível, uma mulher horrível, e provavelmente alguém que precisava marcar uma consulta com um psiquiatra do campus o mais rápido possível, mas que isso não parasse. Esse era meu consentimento. Eu estava tocando nele.
Ele pareceu entender, porque então ele estava puxando sua carteira, rasgando uma camisinha, empurrando minha mão para longe e rolando-a sobre sua ereção. Ou talvez ele nunca estivesse pedindo minha permissão, afinal.
Deslizei minhas leggings e calcinhas até os joelhos. Travis me levantou, e elas caíram até meus tornozelos. Abri meus joelhos, dando espaço a ele. Ele alinhou a cabeça na minha b*******a, sem hesitar, enfiou.
No começo doeu. Muito.
Eu estava muito apertada e muito seca, mesmo molhada como estava. Travis foi persistente, no entanto, empurrando e cutucando até que eu me abrisse para ele e ele pudesse deslizar o p*u todo bem dentro. Lágrimas caíram pelo meu rosto, e minhas unhas cravaram em suas costas. Fluido escorria por onde estávamos unidos e pela minha perna. Eu me senti tensa, envolvida e desenfreada.
Mas então havia a boca de Travis, me beijando, me centralizando. Ele estava tão exigente quanto antes. Guloso e impaciente como seu p*u. Mas, quando me entreguei aos seus lábios, meu corpo relaxou, e logo não havia mais dor, apenas prazer dentro de mim, apertando e expandindo.
Ele percebeu quando eu cedi. Eu podia sentir ele se permitindo ser vulnerável. Ele me levantou mais alto para sentir seu pênis duro empurrando minha b*******a e me atingiu repetidamente com golpes profundos e implacáveis. Eu tentei falar, dizer seu nome, mas tudo o que saiu foram grunhidos, gemidos e sílabas incoerentes.
Eu estava perdida para ele.
A prateleira atrás de mim cortou minha lombar, e meu telefone vibrou no bolso do meu casaco no chão, perto da mesa, e a porta do escritório estava destrancada, e eu tinha um encontro com Edward, mas tudo o que me importava no mundo no momento era o cenário sujo e imundo que eu estava vivendo. Era tudo o que eu tinha imaginado naquelas noites no meu quarto — um pouco c***l e um pouco duro — além de tão erótico quanto o inferno. E o homem sabia como me tocar. Sabia como se mover dentro de mim.
Também era mais do que pensei. Porque eu nunca imaginei que, enquanto ele fazia aquelas coisas sensuais terríveis, Travis olhava para mim. Estudando meu rosto. Observando meus olhos. Como se ele se importasse com o que encontraria ali.
Nunca imaginei que eu iria querer isso dele.
Eu gozei sem aviso. Eu sempre fui exigente quando se tratava de orgasmos — meu namorado do ensino médio tinha dificuldade em me fazer gozar com sua língua e dedos. Eu tinha tido mais sorte sozinha, dependendo da minha excitação. Talvez eu fosse uma garota que precisava de penetração. Talvez eu fosse uma garota que precisava de Travis.
Ele me olhou ainda mais de perto enquanto eu girava em espiral. Lutei para manter meus olhos abertos para poder vê-lo me observando. Ele pareceu achar isso engraçado, porque riu, me beijou de novo e então penetrou em mim com fervor renovado.
Ele gozou com um longo grunhido baixo, e, por apenas um momento no final, ele fechou os olhos, e eu nunca tinha visto seu rosto tão relaxado. Ainda estávamos recuperando o fôlego, ele ainda estava dentro de mim, e eu levantei minha mão para tocar sua bochecha — quão jovem ele parecia agora. Quão inocente.
Ele pegou minha mão contra seu maxilar. Seus olhos se abriram de repente.
— Eu não queria notar você — ele disse tão baixo que era quase um sussurro.
— E agora eu não sei como não notar.
Outra declaração enigmática de Travis, mas esta fez meu peito se sentir aquecido e esticado.
— Então me note — eu disse.
Ele me considerou por mais um momento. Então se afastou, saindo de mim.
— Não posso.
Ele fez sinal para que eu ficasse onde estava. Então, ele tirou a camisinha, amarrou-a, embrulhou-a em um lenço de papel da mesa e colocou-a no bolso antes de abotoar as calças. Eu tinha que dar crédito a ele — provavelmente não era uma boa ideia deixar uma camisinha usada no escritório do Sr. Christopher. Em seguida, Travis trouxe um lenço de papel e se ajoelhou na minha frente para que ele pudesse limpar o sangue e o esperma que tinham escorrido pela minha coxa.
Então ele me deixou com as calças ainda abaixadas e foi se sentar atrás de sua mesa.
Eu me vesti e o observei, curiosa, enquanto ele abria seu laptop e clicava em algumas teclas.
— Você sempre foi uma funcionária exemplar, Emma — ele disse, sua voz não totalmente firme.
— Acredito que seja bom pra você ter seu emprego de volta.
Ele não conseguia olhar para mim.
O medo começou a se acumular no meu estômago.
— Não é isso. Não foi por isso que fiz isso.
Ele não acreditava nisso. Ele não conseguia. Ele se sentia m*l agora — como deveria — e estava consertando seu erro. Certamente era isso.
— Tenho certeza de que não foi por isso que você fez isso.
Ele estava mais no controle de si mesmo agora. Ele fechou o laptop e finalmente me olhou nos olhos.
— Mas agora você terá uma chance com Edward Johnson, não é?
Foi um soco no estômago. A coisa mais c***l que ele poderia ter dito. Com lágrimas nos olhos, peguei meu casaco do chão e comecei a andar até a porta.
Minha mão estava na maçaneta quando ele acrescentou:
— Ah, é isso mesmo. Esqueci de mencionar, Edward gosta de virgens. Minha culpa.
Havia muitas palavras que eu queria soltar naquele momento, mas, mesmo que eu tentasse, eu sabia que não sairia nada além de meleca e baboseira. Ele me cansou. Eu joguei o jogo dele e ele venceu.
Abri a porta e corri até sair do prédio. Corri até não poder mais porque estava soluçando muito para continuar. Parei no rio para chorar, recuperar o fôlego e silenciar meu maldito telefone, que estava tocando sem parar no meu bolso.
Peguei meu celular e olhei minhas notificações com os olhos turvos — quatro chamadas perdidas e várias mensagens de texto, todas da minha irmã.
Eva: Onde você está?
Eva: Me ligue o mais rápido possível. É o papai. Ele está no hospital.
Eva: Emma! É um ataque cardíaco.
Eva: Ele vai morrer. Me ligue. Preciso de você.