sem revisão
Eu me sentia um zumbi, mas valeu a pena todo o progresso que tive em ambas as histórias. Principalmente, na vingança de Aisha. A história de terror ainda não tem título, mas o seu desenvolvimento está fluindo muito bem, comparado a “Vingança de Aisha”, que graças a raiva adormecida aquele que não deve ser nomeado despertou com o seu retorno, funcionou como um gás e avancei bastante na história na qual estava travada.
Duas batidas na porta e Brenda surge através dela, com uma caneca fumegante de café nas mãos, parecia um zumbi igual eu.
— Terminou a série? — Perguntei.
Ela assentiu.
— Depois Comecei a vê aquela que você me indicou há 84 anos, Stranger Things e não consegui parar. Ela é viciante, agora eu vou para a metade da segunda temporada.
— Que tal dormir um pouco? — Sugeri ao vê-la meio neurótica.
— Eu não preciso dormir, preciso de respostas. — Bren retrucou.
— Precisa dormir, sim. Caso contrário vai está um bagaço amanhã. — Digo em tom de repreensão, apesar de entende-la. Stranger é uma série viciante e pensando bem, uma ótima fonte de inspiração para escrever terror e ficção científica. — Descansa por duas horas, hoje não tenho nenhum freelancer, prometo te acordar.
Ela começou a rir.
— Você tá tão destruída quanto eu. Duvido que aguente mais uma hora acordada. — A safada zombou.
— Isto é uma p**a verdade. — Não tenho como refutar esse fato, eu estou um bagaço.
— Vêm tomar café e depois dormimos. — Brenda disse, me dando as costas em seguida.
Um café é tudo o que preciso para poder começar bem o dia.
***
Passava do meio dia quando Brenda me acordou pulando em cima de mim.
— Vamos v***a, está na hora de levantar essa b***a grande da cama e curtir o dia. Eu já iniciei a terceira temporada de Stranger, o que você vai fazer agora?
Que diabos? Que vaca traiçoeira, ela não dormiu e não me deixou dormir. Pelo menos não o suficiente para recuperar as energias.
— Vai se f***r, Brenda, me deixa dormir em paz. — Resmungo bem irritada.
— Levanta logo, já pedi o almoço e você me deve 18 reais. — Avisou sentando na cama.
— Dormiu alguma coisa? — Ela está muito elétrica mas o seu rosto demonstra a falta de sono.
— Não consegui, precisava de respostas, então tomei banho e fui na venda do seu José, comprei chocolate e energético o suficiente para me manter acordada. — Explicou. — Ah, deixou seu celular na sala e já tocou umas dez vezes. Número desconhecido.
— Ok, tem dinheiro na minha carteira, dentro da minha mochila preta pendurada no gancho atrás da porta. Agora deixa o celular tocar, além de me deixar dormir. — Digo bem irritada.
— A comida vai esfriar, é melhor esperar pra apagar depois de comer. Agora, estou voltando para a série. Tchauzinho, galinha — saiu da cama, me deixando sozinha e muito irritada.
Amassei o travesseiro, colocando a cabeça na tentativa de voltar a dormir. Não consegui, por mais que tentasse, revirasse de um lado para o outro, não consegui. Não, era bem mais complicado do que apenas dormir. Aqueles sentimentos de dor, revolta e traição estavam dominando minha mente e meu coração, consegui os suprimir enquanto escrevia, mas agora, depois de acordar e ficar sozinha, eu... Respiro fundo e levanto, não posso me permitir que esses sentimentos estúpidos tomem conta de mim, nem que o simples resquício da presença daquele i****a traidor domine a minha mente e me faça querer entender porque, porque ele foi embora e não voltou? Porque não terminou comigo como um homem decente faz. Porque não disse não me amar mais?
Acho que não entender onde tudo mudou é o que ainda mexe comigo, que me persegue. Fizemos uma promessa de que quando um de nós não estivesse feliz com a relação, sentaríamos e conversaríamos sobre.
— Vaca! A comida chegou. — Brenda gritou.
Eu precisava muito de uma coisa e não era comida, nem nada. Que eu preciso é cumprir a promessa que fiz a mim mesma e deixar o passado no passado e nada melhor que experimentando carnes novas, variar o cardápio, gozar gostoso e beber, beber até cair.
— Vacaaaa! Seu celular tá tocando! — Égua da menina espalhafatosa.
Não vai demorar para os vizinhos voltarem a reclamar dos gritos dela. Responder não vai adiantar e faze-la parar de gritar.
Saí do quarto, ela jogou o celular pra mim e eu o segurei. Vibrava enquanto tocava “My universe”.
Na tela, o nome de Ângelo, supervisor dos garçons e sócio do buffet onde sempre faço b***s e se ele está ligando, é porque apareceu trabalho extra de última hora.
— Trabalho — falei um pouco antes de atender.
— Que saco — Brenda reclamou.
— Oi — ele fala. — Tá ocupada?
— Almoçando, é trabalho? — Perguntei andando preguiçosamente até bancada para pegar minha marmita.
— Bom, é estranho mas o cara de ontem, da festa de aniversário, ligou e pediu o seu número, me recusei a dar e ele disse para responder aos e-mails. Para deixar de ser arrogante e se fazer de importante, se quer que aumente a proposta, eles estão abertos a negociação. Era só isso e como parece ser uma proposta de trabalho importante, decidi te passar o recado. — Ângelo disse, provavelmente sem entender nada. — Desculpa, se não for o que estou pensando e tomei seu tempo. Boa tarde e bom almoço. — Ele encerrou a ligação sem esperar meu retorno.
Bufei, decidi ignorar os e-mails, comer e sair mais tarde para distrair a mente de coisas desnecessárias.
Peguei a comida, fui para o sofá, sentando ao lado da maluca. Um pouco de Stranger Things vai ser legal para distrair a mente enquanto como.
— Vai trabalhar? — Ela perguntou de boca cheia. Dava para ver ela mastigando o boi.
— Tia Helena não te ensinou a mastigar de boca fechada? — Perguntei fazendo careta.
Em resposta, a safada abriu bem a boca mostrando a comida mastigada, todo meu corpo tremeu com aquela cena bizarra.
— Credo, nojenta — reclamei.
Brenda começou a rir e não sei, por alguma razão, achei que aquele era o momento de contar a ela.
— Lee voltou. — Soltei antes que me arrependesse.