Sem revisão
— Espera, eu pensei que você não havia falado nada sobre a reunião com o pessoal da editora porque queria que tudo desse certo até assinar o contrato. Não que recusou porque o cafajeste do Lee agora é sócio da editora. — Brenda até deu pausa na série. — Está me dizendo que ele teve a cara de p*u de voltar e mexer com o sonho dessa forma? E ainda por cima o romance que quer publicar é aquele que escreveu como presente de noivado? Sendo que logo depois que entregou, ele decidiu não voltar da Coréia e mandou os pais te dispensarem? Isso é sério? Não é uma piada? — Bren ficou bem nervosa e da para entender o motivo.
Ela foi meu porto seguro após o término inesperado, minha amiga ficou ao meu lado, dando suporte, me abraçando sempre que eu desabava. Me ajudou a recolher os pedaços e colar. Brenda deu a ideia de morarmos juntas, rachando o aluguel do apartamento, recomeçando.
— Porque não me contou logo? Porque não me responde? — Brenda estava com as mãos em punho.
— Porque você não está abrindo espaço para que eu responda? E outra, acreditei que depois de ontem, não o veria mais, porém, aqueles pacotes que chegaram foi presentes dele, roupa e sapatos caro. Até um brinco de ouro, que fiquei e decidi vender, ficar com o dinheiro como compensação pelo transtorno de ontem. A questão é que Splinder trabalha pra ele e ligou para o Ângelo pedindo o meu número, pelo que entendi, Lee não vai desisti até que consiga o contrato do livro assinado. — Por alguma razão, ele cismou que quer publicar o livro. Mas eu não vou ceder.
— Ele mandou aqueles pacotes? Você sequer me mostrou o que tem neles. Agora me joga essa bomba em cima de mim, assim. Parece até que o cavalo mordeu tua cabeça. Não se esconde essas coisas das amigas e, eu já sei o que fazer com esses presentes. Vender vai representar birra, mas usá-los para sair com outro... Isso representa vingança. — Ah, Brenda é sempre tão maléfica.
Nas horas seguintes, Brenda esqueceu completamente de Stranger Things, praticamente me obrigou a fazer uma mega produção de cabelo e maquiagem, escolheu a minha lingerie mais nova e cara, e usou de suas habilidades secretas de fazer ótimas fotos com a câmera de um smartphone.
— Não vou jogar filtro, quero que todos vejam que toda sua beleza e sensualidade são naturais e não efeitos dos filtros do i********:. — Disse, pegando minha foto e postando no meu perfil, marcando o seu IG, que estranhamente tinha bastante seguidores para uma pessoa desconhecida e que só usava a rede social como arquivo pessoal de suas fotos.
— Olha, parece que você está me vendendo — falei olhando para a tela do celular, Bren postou uma foto que tirei de costas, mostrando minhas gorduras extras, e o traseiro, onde revela minha tatuagem de estrela, na nádega direita. Confesso que não lembro quando fiz essa tatuagem, só sei que estava bem bêbada na época.
— Bom, a intenção é consegui um encontro com um cara gostoso, os meus contatos estão todos no i********:, eles vão babar quando verem esse traseiro marcado no meu perfil. — Ela disse convicta de que aquele plano daria certo.
—Eu tenha contatinhos, esqueceu? — a lembrei.
Na verdade, é até uma ofensa ela me divulgar como um produto nas redes sociais sendo que tenha uma lista extensa de contatos que não me fazem passar vontade.
— Algum deles pode levar você para jantar no Renoir’s? O restaurante caro que Lee te levava para jantar constantemente quando estavam juntos. — Nossa, ela estava em modo de batalha e ninguém iria segurar ela ou sua língua.
— Não, mas pode levar em uma boate legal, onde rebolo a raba e depois o arrasto para um canto escuro e reservado para dar gostoso. — Era tudo o que queria naquele momento.
Brenda respirou bem fundo antes de refutar a minha resposta.
— Você vai jantar com um cara lindo e rico, naquele maldito restaurante, nem que seja a última coisa que eu faça na vida.
— Amiga, está começando a me assustar. Relaxa, agora eu vou voltar a dormir. — Disse a deixando com sua paranoia na sala.
Me tranquei no quarto, mas ao invés de dormir, peguei o notebook e fui escrever.
“Aisha olhou para Adam e se perguntou porque ele permanecia calado quando sua mãe a humilhava na frente daquelas pessoas na sua festa de noivado. A megera a chamou de inútil destrambelhada na frente dos convidados da alta nata da sociedade. Aquilo foi c***l e tudo que Adam fez foi observar calado. Aquilo era humilhação demais para suportar por alguém que não tinha coragem de falar um A, para defendê-la. Entretanto, aquele era o seu momento e Aisha não estava disposta deixar barato aqueles insultos gratuitos proferidos por sua sogra. Ela iria revidar, ah, se ia!
Aisha pegou parte do dinheiro que havia guardado para comprar o presente do noivo, que naquela noite provou não merecer nenhum esforço da sua parte para presenteá-lo com um kit de pintura que custava um rim. Ela iria deixar aquele sacrifício de lado e daria uma lição a mulher que teve a ousadia se humilha-la na frente de todos, sem nenhuma clemência. Entregou a uma das garçonetes que iria servir o jantar e entregou o vidro com laxante.
— Misture uma colher rasa na sopa de mexilhão. Aquele troço é forte e vai disfarçar o cheiro e o sabor. — Aisha ordenou com sangue nos olhos, sem qualquer vestígio de compaixão.
Adam, o que era dele estava guardado. Ela o ensinaria a nunca ficar calado quando a pessoa que supostamente ama está sendo humilhada."
Parei, descrever aquela cena é como voltar ao passado e não é isso que eu quero. Claro que não coloquei laxante na sopa da minha então sogra, não foi preciso porque diferente de Adam com Aisha, aquele canalha ficou ao seu lado o tempo todo, revidando e cortando qualquer tentativa de insulto pela parte de seus pais.
— Clarissseeeeee!!! — Brenda gritou bem na porta do seu quarto, dando batidas rápidas na porta trancada. — Abre essa porta que eu tô confessando com um boy txop, vem logo mulher, não posso ficar respondendo as mensagens por ti!
— Pode sim, “tô” escrevendo, se dar para sentar no cara, pode marcar. — disse, não querendo perder o pique e voltar a escrever, agora que aquele amontoado de emoções que vieram em forma de lembranças foram embora, posso voltar a escrever sem me deixar abalar por elas.