Capítulo 8

1067 Palavras
Sem revisão Lee So Ho (10 anos atrás) Appa (pai) e Ómma (mãe) travavam uma discussão ferrenha. Faz seis meses que voltei do exército, quatro que comecei na universidade da Coréia. Appa decidiu que eu deveria me apresentar ao serviço militar logo que completei 18 anos. Foram meses bem difíceis, puxados e que teve o êxito que ele queria, me tornei uma pessoa mais dura, pé no chão. Mas ainda assim, não me assemelho em nada com eles, que são dois extremos opostos ao mesmo tempo que são parecidos. As aulas na universidade estavam fluindo bem, faculdade de negócios, escolhido por Appa, um curso que segundo ele, traria novos horizontes para a empresa da família. Eu sou o bom filho mais velho, que desde cedo compreendeu que assumiria a empresa da família, que se casaria com uma moça de família tradicional e seria o orgulho da família. Toda a minha vida estava planejada por meus pais e por isso, este motivo, eu queria fazer algo decidido por mim. Na universidade, conheci Kléber, brasileiro que mora em Seul há anos e que contou como era o seu país, a cultura, as pessoas, a política confusa, a diversidade e a liberdade de ser quem você quiser. Só queria ser eu mesmo por alguns meses. — Não, ele não vai! Acabou de voltar e já vai de novo? Desta vez para um país completamente desconhecido? — Dona Eui So Ho estava irredutível em permitir minha partida. — Sim, ele vai, eu sou o pai dele e se So Ho quer expandir seu horizonte, ele vai. Ele só tem que cumprir esse e o próximo semestre, mas não vou negar isso ao nosso adeul (filho). — Aniyo ( Não) — ómma retrucou, não concordando com a decisão de appa. — Minha decisão já está tomada, anae ( esposa). — Appa deu a discussão por encerrada, no fim, mesmo que tenha sido uma decisão minha, eles conseguiram assumir o controle. Só me restava aproveitar ao máximo o tempo que ficaria no Brasil, tendo ao menos a sensação do que é liberdade, já que não a tenho de verdade. Appa colocou uma condição para que eu viajasse para fazer intercâmbio, aprender português, o básico. — Já estive no “Brazil” a trabalho, um país de várias nuances. Mas não esqueça os seus valores e que a sua família está aqui, esperando que honre o nosso nome. Ah, aprenda português, uma pequena porcentagem sabe o “ingles”, considerada a língua universal, o Coreano não vai ser uma exceção. Desde que Appa autorizou minha viagem, passei a pesquisar universidades para intercâmbio. São Paulo, Rio de janeiro, Brasília, Curitiba, Salvador. Eu pesquisei cada uma delas, suas histórias, a cultura, clima e qualidade de ensino. A que mais me chamou a atenção foi a USP, São Paulo. Mas por alguma razão, uma outra universidade também chamou minha atenção, mais por sua localização. Fica no coração da Amazônia, um lugar com a gastronomia reconhecida mundialmente, com uma cultura interessante e que bioma que seria muito interessante conhecer. A universidade é universidade federal do Pará, localizado na cidade de Belém, capital do estado. Eu poderia escolher São Paulo e conhecer Belém ou fazer diferente do que todos estão esperando, isto inclui meus pais. Nos meses seguintes, me dediquei em 100% para conseguir aprender ao menos o básico do português. Além de lidar com as tarefas da faculdade de negociação. Confesso que as tarefas era brincadeiras de criança comparado a aprender e entender o português. Entrando em fóruns na internet, descobri que até os brasileiros não falam o português corretamente e que o português do Brasil é diferente do português de Portugal. Eu estava confuso e às vezes chegava a desanimar, a condição para viajar era a de aprender o português, no mínimo o básico. Kléber, também me ajudou muito ao mesmo tempo que atrapalhou. — Cara, cada região tem variações linguísticas diferentes, um objeto, uma comida, uma fruta, uma bebida. Mas isso você só vai aprender na prática, estando no Brasil. Em São Paulo tem uma diversidade cultural imensa, pois tem imigrantes de todo o mundo e migrantes de várias regiões. É algo surreal, confuso e incrível. Eu não havia dito a ele que iria para a Amazônia e não para São Paulo. Não queria que ninguém soubesse para não correr o risco de chegar nae bumonim (meus pais). Bom, não estarei mentindo precisamente, vou ficar o primeiro mês e São Paulo, ainda não recebi a resposta da Universidade do Pará. Estava bem otimista mas ainda não tive o retorno esperado, talvez, só talvez eu o tenha quando estiver no Brasil. Então, vou para São Paulo, vou conhecer cada cantinho daquele país mesmo que não consiga estudar nele. Depois falo para minha família que não deu certo. A medida que a viagem se aproximava, era tomado por uma euforia sem igual, precisava passar esse tempo longe de tudo, da minha família, das minhas correias. Precisava da minha falsa liberdade, do tempo distante, criando lembranças boas para sobrepor as que vieram comigo do exército. Eu precisava desse tempo pra mim até retornar e fazer tudo o que é esperado pela minha família. Era só um período de libertação, o que poderia dá errado? Nada. *** Para meu alívio, recebi uma resposta positiva da Universidade. Enviei toda a documentação necessária durante o prazo estipulado. Cada célula do meu ser vibrava por saber que vai conhecer uma realidade totalmente diferente na qual estou habituado... só faltava passar no teste com appa e não, ele não iria testar o meu português, contratou um professor fluente para me por a prova. Por algum milagre, apesar de não está muito confiante, passei no teste escrito e de conversação. - Seu português não é perfeito, mas você conseguiu aprender bastante em tão pouco tempo. - O professor elogiou, fiquei meio envergonhado, diferente dos meus pais. - Ele é um So Ho, claro que aprenderia um idioma difícil com facilidade. Nada é um bicho de sete cabeças para a nossa família. - Meu pai, me sinto orgulhoso de dizer em português, disse muito orgulhoso. Depois de passar pelo teste final imposto por meus pais, uma semana depois eu estava em um avião com conexão, infelizmente, não havia voos diretos entre Brasil e Coréia do sul. 30 horas depois, eu estava pisando em solo brasileiro, pronto para conhecer um mundo completamente novo e sem amarras.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR