Naquela manhã, depois de uma conversa franca e unilateral com a garota da qual estava pendurada em seu quarto, Midoriya possuía um humor bem mais calmo e tranquilo que seu habitual. O desabafo que ele tanto precisava e a dor e raiva que ele tanto guardava finalmente foram estraçalhados e devolvidos para Momo, o que tirou boa carga emocional do garoto sardento.
Sem se importar ou ter vergonha de seu corpo o garoto de cabelos verdes se trocou em frente a Momo que agora parecia estar totalmente quebrada, a garota não acenava, não concordava, apenas ficava em silêncio. Midoriya gostou disso apesar de achar um pouco perturbador ter aquela visão infernal ao acordar, isso seria algo para se preocupar depois. Midoriya demorou um pouco para limpar seu cabelo cacheado do sangue mais finalmente estava pronto para sair.
Andando até o bar ele via Dabi e Toga jogando um jogo de cartas, Shigaraki e Kurogiri tinham saído como quase toda a manhã, eles estavam planejando seu novo ataque contra a U.A ou qualquer outra m***a que pudesse ser. Midoriya não se envolvia nesses assuntos a não ser que seja realmente necessário. O garoto suspirou sutilmente enquanto andava até a mesa daquelas pessoas.
Ele parou em frente a eles que pararam seus movimentos de baralho, já que estavam recolhendo as cartas para a próxima partida e olhavam para o garoto que parecia inquieto. Midoriya estava decidindo onde se sentar. De seu lado direito tinha uma ninfomaníaca que pularia em cima dele e do lado esquerdo tinha um desgraçado que o forçou a beija-lo. O garoto suspirou e andou para Dabi que logo abriu espaço para ele e Midoriya se sentou. Toga fez biquinho com aquilo.
-Ok…- Disse Midoriya pegando o baralho das mãos de Dabi e começando a embaralhar. Ele jogava as cartas para cima e as esticava de um lado para o outro, as separando em dois montes e as cruzando juntas para deixar tudo bem embaralhado. -Eu admito que posso não gostar de vocês ou de sua presença. - Ele começou. Dabi tossiu enquanto observava o garoto. -Mas…- As palavras que Midoriya falava a seguir se recusavam a sair por sua garganta. Ele precisou parar um pouco e olhar para baixo para tirar elas de sua boca. -Eu confio o mínimo em vocês.... Não sinto que pretendem.... Vocês sabem. - Ele finalmente disse, meio bagunçado e bem vago mais disse.
Toga e Dabi trocaram alguns olhares, mas não deixaram de sorrir com aquilo. O plano de Momo havia dado certo. Mostrar confiança para Midoriya poderia ter sido um avanço, mesmo que pouco, mas não deixou de ser um avanço. Dabi fingiu espreguiçar e passou sua mão pelo ombro de Midoriya que estremeceu com o toque, mas deixou. Ele começou a distribuir as cartas.
-Não vai reclamar do toque? - Falou Dabi erguendo sua sobrancelha. Midoriya sempre atacava quem o tocasse. Isso realmente estava ficando interessante.
-Isso me incomoda.... Mas não acho justo que vocês sejam os únicos que estão dispostos a sacrificar coisas para me tolerar. - Disse o garoto de forma baixa. Dabi gargalhou e Toga ficou visivelmente irritada e com inveja.
-Isso e tão injusto! Por que ele pode te tocar? - Ela falou. A palavra ‘ele’ estava tão cheias de veneno que derretiam a mesa com facilidade.
-Você também pode. - Ele assentiu com a cabeça. -Shigaraki não. Eu realmente não sei onde ele passa aquelas mãos. - Ele tentou descontrair o clima com uma piada.
Dabi soltou um ‘mãos. -’ enquanto tampava sua boca com uma das mãos. Toga nem tentou disfarçar a risada escandalosa dela. -Se ele ouvir isso...- Resmungou Dabi. -Ele realmente vai te tratar como um cachorrinho-.
-Eu já não sou o cachorrinho dele? - Midoriya ergue sua sobrancelha. -Wolf, Woof. - Dabi riu um pouco enquanto Toga batia as cartas sobre a mesa.
-p**a m***a. Você está realmente tentando se abrir? - Falou Toga totalmente animada. Ela se inclinava para frente e olhava para Midoriya. Dabi o forçava um pouco para ele não fugir, já que todo o corpo de Midoriya parecia querer isso.
-Vocês estão sendo gentis... Eu não confio em vocês ainda..., mas estou disposto a tentar. - Isso foi o suficiente para Toga se derreter na mesa. Dabi sorriu. Shigaraki e All For One ficariam extremamente agradecidos e felizes que o plano com Momo havia dado certo.
Nezu despertou de seu sono da beleza com papeis grudados em seu rosto. Ele bocejou sutilmente enquanto levantava seu rosto de cima da mesa. O estranho ser hibrido havia adormecido sobre as papeladas enquanto procurava desesperadamente qualquer informação do garoto que estava arruinando sua reputação.
Ele olhou seu celular que piscava algumas vezes, sinalizando que havia recebido uma mensagem, e ele abria. Nezu jogou o celular contra a parede ao ver o conteúdo e a imagem, mas logo se levantou e andou até o mesmo e o pegou com a tela toda rachada. Ele rapidamente saiu de sua sala e caminhou para o corredor, encontrando Aizawa levando Bakugou para a sala de aula para conversar com ele. O loiro explosivo parecia estar mais calmo, provavelmente o sedaram ou deram um calmamente.
Olá querido diretor! Eu senti sua falta esses dias... Eu realmente senti a saudades de conversar com você ou de ver seu pelo macio e fofinho..., mas estou apenas divagando, como sempre. (Emoji de Risada) De qualquer forma já conhece o procedimento, correto? Já sabe como tudo funciona, correto? Claro que sim! Você e extremamente inteligente, oras bolas!
[Endereço]
[Foto de Momo pendurada por cabos sem seus membros]
Demorou quase uma hora de viagem com os policias para eles finalmente chegarem no lugar onde o corpo, ou melhor, endereço foi retratado. Nezu suspirou mais sem surpresas, sua teoria estava correta, Midoriya ataca as pessoas e as leva para o lugar onde sua individualidade são semelhantes. Ele teve certeza sobre isso quando viu a antiga fábrica de criação de material reciclado, onde eles soldavam desde plástico e até ferro reutilizável. Devido a vários acidentes de segurança ela foi fechada a quase dois anos.
Os policias andaram sutilmente sem se preocupar muito com os arredores, Midoriya apenas entregava o estudante e não plantava armadilhas ou coisas do gênero, não era uma preocupação a longo prazo. Quando eles finalmente encontraram uma trilha de sangue eles viram o que não parecia ser real. O herói profissional, antigo número oito, conhecido como Walsh estava pendurado no centro da sala sobre alguns cabelos que amarravam perfeitamente seu corpo. Suas mãos e pernas foram trocadas por braços quebrados e claros, junto de pernas totalmente amassadas que Nezu julgou ser de Momo. Os membros do herói estavam sobre o chão todos cortados de forma limpa.
O rato julgou ou pensou que Wash poderia estar patrulhando a área e encontrou, infelizmente, Midoriya e na tentativa de ‘ajudar’ a criança acabou sendo brutalmente morto. O que o rato gostaria de saber era se ele o matou antes ou depois de Momo e onde Momo estaria.
Uma revista foi completada no edifício e sem sinal de Momo. Nezu suspirou e bateu sua cabeça sobre uma das paredes, era obvio que Momo não estaria aqui, mas ele tinha a falsa esperança de a criança não ter levado Momo consigo. Momo poderia ser usada para ser uma arma perfeita, ela poderia fazer quase qualquer coisa e nas mãos erradas, usada de forma errada, poderia significar muito para o lado dos vilões. Sim, Nezu estava tratando um de seus alunos como um objeto.
-Estamos entendidos Bakugou? - Falou Aizawa sabendo que a conversa que acabaram de ter não resolveria nada.
Katsuki Bakugou e Shouto Aizawa discutiram por quase uma hora sobre os acontecimentos e do por que Bakugou não deveria fazer nada e esperar pacientemente que os heróis profissionais resolvessem a situação como um todo. Os anos de experiência do garoto sinalizaram que o melhor era ficar calado e escutar cegamente enquanto revirava os olhos ou cerrava os punhos.
-Sim! - Ele disse de forma seca, suas palavras não passavam os reais sentimentos dele.
Shouto suspiro e esfregou a cabeça com a mão antes de decidir se valia ou não a pena bater sua cabeça em algum lugar. Não valia.
-Vá para a casa e descanse. - Disse o professor. Bakugou rosnou e saiu da sala.
Ambos sabiam que a conversa não levaria a lugar nenhum. Bakugou cedo ou tarde iria sair para procurar Midoriya, com ou sem o seu consentimento. Vigiar o garoto não adiantaria de nada só irritaria ainda mais Bakugou. Aizawa suspirou e decidiu sair da sala dos professores, ele agradeceu internamente o fato da escola estar sendo fechada temporariamente já que não teria que lidar mais com os alunos e suas crianças problemáticas.
No momento que Aizawa colocou seu pé para fora ele agarrou sua arma de captura e subiu em cima de um dos prédios. O insone pretendia capturar Izuku Midoriya sozinho, antes que Bakugou tivesse a chance de ser pego por ele e eventualmente morto como todos os demais alunos que tiveram o azar de ver Izuku Midoriya em sua frente.