SETE: O Princípio do Infortúnio

3596 Palavras
— Porcaria! Seungcheol levantou seus olhos quando ouviu a voz de seu pai. Siwon evitava usar palavras chulas e consideradas feias na frente de seu filho, alfas só xingavam quando estavam na presença de outros alfas. Não xingar ou falar palavrões, demonstrava respeito a presença dos ômegas. O mais novo foi até onde seu pai estava, olhando mais de perto o que havia acontecido. Uma das peças da máquina de erguer madeiras pesadas havia quebrado, algo que não podia ocorrer, especialmente porque Siwon estava trabalhando na construção de um barco e precisava daquela máquina o tempo todo. Siwon se abaixou e tirou a peça quebrada, tirando também a peça inteira, para que pudesse ser usada como molde para a outra. — Preciso de outra peça igual a esta. — o mais velho terminou de tirá-las, analisando o estrago na peça quebrada, certamente precisaria de uma mais reforçada. — E onde conseguimos uma? — Na oficina dos Kim. — respondeu, notara que Seungcheol alargara os olhos minimamente — Aquele rapaz, o loiro, é ele quem trabalha com esse tipo de peça mais complicada. Era notável que Seungcheol havia ficado atônito apenas com a citação de Jeonghan. Siwon não gostava disso, Seungcheol estava apegado demais a esse alfa, apaixonado demais, e isso era perigoso para o coração do ômega. O problema em si não era se apaixonar, o verdadeiro problema era Kim Jeonghan. Que ômega não era apaixonado por Kim Jeonghan? — Irei encomendar outra. — o alfa disse. — Eu posso ir? — Seungcheol perguntara de imediato, logo notando que parecia animado demais. Se encolheu — Quer dizer, se o senhor preferir, eu posso ir, já terminei o que estava fazendo. Não era mentira, ele havia mesmo acabado. Mas Siwon não tinha certeza se queria que Seungcheol visse Jeonghan novamente. Todavia, poderia ele proibir seu filho de fazer o que bem entendesse de sua vida? Ele não era assim, jamais prendeu Seungcheol, e não seria agora que começaria a prender. Suspirou de uma maneira quase imperceptível. — Claro, pode ir. O Choi mais novo pegou a engrenagem em mãos, esperou estar de costas para o pai para poder sorrir feliz com a ideia de ver Jeonghan novamente. Pobre Seungcheol! m*l sabia o que aquele balançar no peito significava, o que aquele sorriso voluntário era, e nem o que era aquela sensação no estômago. Logo já estava a caminho da oficina, ansioso. Assim que entrou, procurou por Jeonghan com os olhos, mas para seu desapontamento ele não estava ali. Fora atendido por outro rapaz loiro, que parecia ter a mesma idade que o outro. Tinha cabelos curtos, mas de certa forma lembrava Jeonghan, pareciam ser parentes. Seungcheol demorara um pouco para perceber que todos ali eram parentes, rindo sozinho e discretamente. — Pois não, o que deseja? — o loiro de cabelos curtos o indagou, mantendo uma distância respeitosa e sorrindo de uma maneira gentil. Lembrara de quando ouviu a respeito da família do líder, que eram bons alfas, criados para tratar os ômegas como iguais. Sabia que nem todos respeitavam esse comportamento, que nem todos os alfas da família Kim eram bons, mas estava feliz por estar sendo bem tratado. Nem todos tratavam Seungcheol bem, talvez fosse por isso que preferisse a solidão. — Preciso de uma peça igual a esta. — mostrou-lhe a que trazia em mãos, para si era um pouco pesado, mas era bastante leve para o alfa — Vocês podem fazer? O rapaz, chamado Kim Christopher, segurou a engrenagem, mas não olhou muito para ela. — Essas peças são feitas pelo Jeonghan. — ele disse, fazendo o ômega se animar ao ouvir o nome do rapaz de cabelos longos — Jeonghan! — gritou.   Olhou em redor procurando por Jeonghan, que surgiu de uma portinha de madeira que ficava bem no fundo do lugar. O alfa estava com os cabelos presos da maneira que estavam da última vez que o viu. Ele ficava tão bonito mesmo parecendo desleixado com aqueles fios soltos. Precisou se conter para não sorrir assim que colocou os olhos nele, algo que o loiro não evitou. E o sorriso de Kim Jeonghan era tão bonito quanto o próprio sol nascendo. Ele causava uma bagunça e tanto dentro do ômega. Uma bagunça estranha, que não conhecia. — Como vai, Seungcheol? — fora educado em perguntar — Veio para alguma encomenda? — S-sim. — se assustara ao gaguejar, não esperava por isso — Eu preciso de outra peça igual a esta. Procurara a peça em mãos, demorando para notar que estava com Christopher, que entregou para o outro alfa. Jeonghan a analisou por poucos segundos. — Não demora muito, mas eu tenho várias outras para fazer primeiro, poderei entregar em dois dias. — o disse, já estava sendo amistoso, pois certamente tinha encomendas o suficiente para manter-se ocupado por bem mais tempo, não apenas por dois dias. — Dois dias? — não gostara — Precisamos dela urgentemente, temos uma encomenda para poucos dias adiante, não podemos parar por dois dias. Jeonghan estava pronto para dizer que não podia adiantar mais, pois já estava adiantando o máximo que podia, mas parou assim que olhara nos olhos do rapaz mais baixo, que pareciam implorar. Não entendia o motivo de amolecer diante disso, mas era a primeira vez que notava a beleza nos traços de Seungcheol. — Farei o possível para entregar antes. — Obrigado. — o Choi abriu um sorriso largo, que Jeonghan ainda não conhecia. Era um sorriso bonito. Depois que Seungcheol foi embora, Jeonghan passou a trabalhar na peça que ele queria, a fazendo antes de todas as outras. Ainda viu quando Christopher passou por ele com um ar de riso, assoviando uma canção antiga que falava sobre amores. Não deu atenção para o primo, Christopher gostava de estar sempre implicando com todos, como se fosse um garoto de 12 anos, até mesmo Baek Ho, que acabara de chegar aos 15, era mais maduro que ele em alguns momentos. A peça ficou pronta e esfriou horas depois. Jeonghan parou por um momento o que fazia, se perguntando o real motivo de estar se tornando amigo de Seungcheol, tudo o que sabia era que o considerava bastante, mesmo o conhecendo há pouco tempo, o Choi parecia ser uma pessoa boa, muito calmo e atencioso. Não parecia mais um alfa. Quando chegou a carpintaria, viu que Seungcheol estava sozinho, ele demorou bastante para notar que o Kim havia entrado, mas quando ouviu seus passos, olhou para cima. Parecia surpreso, ao mesmo tempo que um sorriso discreto surgira em seus lábios. Os lábios de Seungcheol pareciam um pouco secos, como se não bebesse muita água. Alfas em geral não bebiam tanta água quanto as outras castas, mas não se desidratavam com facilidade, eles eram feitos para aguentar dias e mais dias de sede, eram ensinados por seus pais alfas a aguentarem coisas assim quando eram crianças. Sede e fome. — Ah, oi. — o Choi disse, parecia nervoso. Eles estavam sozinhos ali dentro. — Trouxe a peça que pediu, o fiz antes de todos — o alfa loiro ergueu um pouco mais a engrenagem de ferro, mostrando-a para o rapaz mais baixo — Mereço muitos agradecimentos. O loiro fez uma cara de convencido, mas em seguida riu. Seungcheol também riu, riu alto pela primeira vez. — Louvado seja Kim Jeonghan. — Seungcheol entrou na brincadeira, fazendo o outro lhe mostrar uma careta. Na verdade, o Choi não sabia, mas os irmãos de Jeonghan o chamavam de deus quando queriam importuna-lo, pois muitos ômegas e betas o tratavam como se o rapaz fosse o próprio Thor. Era exagerado, Jeonghan não gostava disso, ele era cheio de defeitos para ser comparado a uma divindade. — Mas eu realmente agradeço, Jeonghan. — ele disse — Quanto te devo? — Cinco moedas de bronze. — Essa peça é meio cara. — reclamou enquanto tirava uma pequena bolsinha presa na lateral do cinto — Sua consideração é muito cara. — Por seis moedas pode comprar a minha amizade eterna junto. Jeonghan estava brincando, Seungcheol sabia disso. Mas quando entregou as moedas lhe deu seis. O loiro balançou a cabeça negativamente e riu sozinho, encarando o rosto com uma expressão engraçada do Choi. O Kim guardou as moedas no bolso de sua camisa, ficando com apenas uma em sua mão. — Comprei sua amizade eterna. — o Choi disse. — Te vejo por aí, amigo.       [... Aroma de Ômega ...]       — Merda! Wonwoo se assustou quando ouviu Mingyu xingar em suas costas, o alfa evitava esse tipo de palavra perto dele. Os dois estavam sobre a cama, com o ômega ajoelhado e com as mãos na grade da mesma, enquanto Mingyu estava em suas costas, o segurança com força pela cintura, as mãos do Kim sempre marcavam sua pele, e de certa forma era isso que o fazia se lembrar o tempo todo de tudo o que estava acontecendo. — O que houve, senhor Mingyu? — o ômega lhe perguntou, acreditando que havia feito algo de errado. — Gozei dentro de você. O menor arregalara os olhos, logo sentira que o nó de Mingyu os prendia. O alfa não parecia feliz, pelo contrário, se agoniara. Wonwoo amolecera, precisando ser segurado pelo Kim, que o abraçou enquanto esperava que o nó desinchasse. Wonwoo não admitia para ninguém, mas gostava quando Mingyu o abraçava, sabia que não era por carinho, mas era um abraço tão seguro e forte, que o fazia querer ficar ali. Ele já cheirava ao alfa, e isso o protegia. Ele estava, de fato, seguro com Mingyu. — Tome boldo quando chegar em casa. — ele disse — Não se esqueça. Wonwoo se resumiu a fazer um barulhinho para confirmar. Quando o nó desinchou, o alfa se permitiu deitar, enquanto Wonwoo se ergueu da cama, indo vestir suas roupas. A sensação de sujeira não era mais como antes, estava começando a se acostumar a se deitar com o Kim, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E talvez fosse, poderia considerar como uma troca de favores, ele saciava os desejos de Mingyu, e Mingyu saciava sua fome e miséria. Não sabia mais o que era faltar algo em casa, estava começando a ganhar peso e ficar com uma aparência mais saudável, e gostava daquilo, gostava de olhar para a despensa e ver que havia comida, gostava de dormir sabendo que no dia seguinte a comida não seria mais uma incerteza. — Como está o seu irmão, Wonwoo? — ouvira quando o Kim perguntou, ainda jogado nu sobre a cama. — Melhor. — o disse — Mas ainda sente muitos calafrios. — Se precisarem de mais alguma coisa basta me dizer. — Mingyu sentou-se, mas não se levantou — Wonwoo, se o médico os desrespeitar de alguma forma, lembre-o que você está comigo. Ele não estava com Mingyu, mas era melhor usar essa frase. Tinha o cheiro o alfa preso em sua pele, da mesma maneira que seu cheiro também estava preso nele. Ele estava com Mingyu no fim das contas, mesmo que fosse apenas de corpo, e de uma maneira nem tão honrosa. Nada honrosa, ao pé da letra. Foi para casa, encontrando Jihoon no quarto, o ômega menor estava em pé perto da janela, olhando para o lado de fora, tão concentrado que sequer ouvira quando o mais novo entrou. — Jihoon, é muito frio perto da janela. — Wonwoo segurou o irmão pelos ombros, já o trazendo para se sentar na cama, e logo em seguida o fazer deitar e enrolá-lo — Pedi para que não ficasse ali perto. — Ouvi passos, achei que tinha alguém ali fora. Wonwoo foi até a janela, mas não havia ninguém. — Ouviu coisas, não há uma só pessoa lá fora. Naquela noite Wonwoo não tomou o boldo que Mingyu lhe mandara tomar, sequer levara em conta que poderia conceber do alfa, fora apenas uma vez e estavam fora do cio, as chances não eram tão altas. Deixou aquele assunto para lá, esquecendo-se dele totalmente. Na manhã seguinte Wonwoo saiu para comprar uma panela nova, pois as suas estavam muito gastas e haviam furado. Jihoon sabia que não podia ficar andando quando estava sozinho, mas a ideia de permanecer moribundo o incomodava, era um dia considerado quente, não estava com tanto frio quanto na noite passada, conseguia andar sem sentir tanta vontade de se encolher. Estava na sala, tentando varrer, quando ouviu um barulho de passos, fora lentamente até a porta e ficou bem quieto, conseguindo ver pelas frestas que havia alguém ali. Abriu a porta de cima rapidamente, fazendo com que o alfa que estava ali se assustasse e desse um passo para trás. Mas quem estava assustado de verdade era Jihoon. — Então é você? — os olhos estavam alargados diante da imagem do alfa Zhang, que acusatoriamente estava com uma cesta em mãos. Soonyoung nem tinha como negar. — Jihoon... — Eu não quero nada seu, Soonyoung. — o ômega estava usando mais voz do que podia, sua garganta doía pelo esforço — Vá embora e leve sua falsa caridade. — Não é falsa, eu juro que não é. O Zhang se aproximou mais da porta, mas o Lee recuou assim que o outro se fez perto. Mas estava fraco para se movimentar tão rápido, o que o fez cair para trás, batendo no chão em um baque surdo. Preocupado, Soonyoung abriu a porta rapidamente, vendo o ômega tentar se erguer do chão, mas sem sucesso. Logo se abaixara para poder o erguer, enquanto Jihoon usava suas poucas forças tentando fazer com que o alfa se afastasse. Mas Soonyoung não o soltou, pelo contrário, o ergueu em seus braços e entrou com ele pela casa, indo direto para o pequeno e único quarto da cabana. Jihoon empurrava suas mãos na direção do Zhang, se negando a aceitar sua ajuda, mesmo que estivesse tão fraco que sequer conseguisse o machucar. O alfa o colocou sentado sobre a cama, enquanto Jihoon o olhava com raiva e tristeza. — Saia daqui. — sua voz estava muito fraca novamente — Eu não quero seus pés sujos aqui dentro. — Irei sair, sei que a minha presença te incomoda. — o alfa se agachou ao lado da cama, ficando na altura de Jihoon, que não gostou nada disso — Sei que me odeia, Jihoon, e você tem muitos motivos para isso, mas não sou mais a mesma pessoa do passado, não vou simplesmente pedir para que me perdoa, buscarei merecer seu perdão. Soonyoung ainda tentou tocar em seu rosto, mas Jihoon bateu em sua mão. Não machucou, mas era a forma do ômega dizer que não queria aquele toque, e ele respeitava isso. O alfa se ergueu de onde estava, caminhando na direção da porta e parando bem ali, olhando novamente para o Lee, que estava quieto sobre a cama, nem o olhava, como se fazer isso fosse ferir seus olhos. — Ainda o ajudarei, mesmo que não queira.       [... Aroma de Ômega ...]       — Não pode estar apaixonado, esteve com ele poucas vezes, nem o conhece direito. Hansol reclamava, havia ido passear com Seungkwan, os dois estavam deitados na grama verdinha que havia em um local perto da alcateia. Os pais de nenhum dos dois gostava que eles passassem dos muros da alcateia, mas iam apenas até ali, onde os guardas que vigiavam o portão conseguiam vê-los. Ouvira de seu pai que até pouco tempo atrás não era necessária a existência de guardas, mas desde que Kim Jaehyun se tornara o líder ele mudara diversas coisas, guardas começaram a se fazer necessários desde que líderes que invejavam o crescimento da alcateia começaram a tentar ferir a família do líder. — É amigo de meu irmão. — Soonyoung não serve de base para nada, ele tem um monte de amigos imbecis. Era um fato, não negaria. — Mas Seokmin é maravilhoso, faz com que me sinta nas nuvens. — o ômega rolou pela grama, parando bem ao lado de onde o Kim estava, se abraçando a ele — Logo você também terá um alfa que o fará se sentir nas nuvens, Hansol, e não serás mais tão azedo. O beta revirou os olhos. — Que Freyja me livre de tamanha atrocidade. — disse exageradamente, se virando para poder encarar o ômega Zhang — Meu único amor é você, Seungkwan, você é quem me faz sentir nas nuvens. O sorriso no rosto do Zhang sumiu, dando lugar a um biquinho chateado. Passou os dedos pela bochecha fofinha de Hansol, o beta sempre tivera uma pele tão macia e bem cuidada. A verdade era que Seokmin estava certo quando dizia que Hansol parecia um ômega de tão pequeno e delicado que era. Gostava tanto do amigo, não se via sem ele. — Não diga isso, Hansol, fere meu coração. — Também fere meu coração quando se diz apaixonado por aquele alfa. — o beta se soltou do amigo rapidamente, sentando-se — Não gosto disso, Seungkwan, não gosto nada disso. O ômega se sentou também. — Você vai amar tanto outra pessoa, um dia. — o Zhang disse — Que eu não significarei mais nada para você. — Você sempre vai significar tudo para mim, te amarei mesmo que se case com Seokmin. Ambos suspiraram. Hansol por se sentir sendo deixado para trás, e Seungkwan por não conseguir deixar Hansol para trás. Amava seu amigo, mas realmente como amigo, Hansol não podia ser seu marido. Era inevitável que Hansol se casasse com um alfa, era sua única maneira de sobreviver, o beta sequer trabalhava para se sustentar sozinho, era como se ele brincasse com a própria vida e não levasse nada a sério. Hansol aprenderia da pior forma que a vida não era tão fácil quanto ele pensava.       [... Aroma de Ômega ...]       Seungcheol estava na janela novamente, era noite, sua madrasta já havia se mudado para lá e agora estava com seu pai no quarto, o ômega fingia não estar ouvindo nada, por mais que estivesse um pouco constrangido. Quando se é criado com os pais, se aprende a não se importar com os barulhos que eles faziam, mas Seungcheol não estava nenhum pouco acostumado com aquilo e não sabia quando se acostumaria. Olhava para o lado de fora, prestava atenção o suficiente para notar a presença de alguém passando pela esquina. Sua casa ficava perto da saída de trás da alcateia, a que dava acesso ao mar. Avistava Jeonghan, bem ao longe, indo na direção do portão. Se perguntava o que o alfa estava fazendo ali, estava curioso, curioso o suficiente para sair sem avisar ninguém, indo na mesma direção que o loiro estava indo. Passou pelo portão, olhando para cima e vendo os guardas da vigia, de certa forma isso o fazia se sentir mais seguro. Procurou Jeonghan com os olhos, o vendo sentado nas areias do porto, estava sozinho. Ficou quieto por alguns instantes, apenas o olhando. Mas em algum momento, Jeonghan olhou em sua direção. — Seungcheol! — ouviu quando o alfa o chamou, erguendo um dos braços e acenando. Paralisou por alguns instantes, mas caminhou até onde o alfa estava, e se sentou ao seu lado. — Não sabia que vinha aqui à noite. — o ômega comentou, fingindo não estar tão sem jeito — Eu nunca o vi passar. — Não? Quase sempre venho aqui, me ajuda a pensar. — E no que veio pensar hoje? Jeonghan deixou as mãos atrás de seu corpo, se apoiando sobre elas. — Nas coisas erradas que eu faço. Ele não esperava essa resposta. — Não consigo te imaginar fazendo nada de errado. — foi sincero, em sua cabeça, talvez anuviada por uma paixão despercebida, Jeonghan só fazia coisas boas. Mas não era bem assim, Jeonghan fazia muita coisa errada, já magoara muitas pessoas, ferira muitos corações, mesmo que na maioria das vezes não fosse sua intenção. Ele não tinha culpa de ser quem era, de ter uma aparência e nem de que gostassem dele. Mas não conseguia se negar a ninguém, quando percebia já estava na cama, já estava com outro, já desonrara outra família. Seu avô uma vez lhe disse que puxara a promiscuidade de seu pai Jaehyun. — Todos fazem coisas erradas, Seungcheol. — Eu não, nunca fiz nada de errado. O loiro sorriu, achava ser uma piada. — Vais me dizer que nunca brigou em um bar? — Jamais. — Bebeu demais e brigou com todos em casa? — Nunca. — Apostou o que não devia e se deu muito m*l? — Nunca apostei nada em toda minha vida. O alfa meneou a cabeça, estava pensando em mais perguntas para fazer, alguma coisa errada Seungcheol tinha que ter feito em sua vida, todos fazem, por que com ele seria diferente? O Kim passou a língua pelos dentes e a empurrou na direção da bochecha. Para ele, aquilo não era nada, mas deixara o Choi com os olhos arregalados. Jeonghan era insuportável tentador. — Desonrou alguém? — O que? — se surpreendera — É claro que não, eu nunca fiz isso. O loiro estranhou. — Nunca se deitou com ninguém? — Não. — estava escuro demais para que Jeonghan conseguisse ver que Seungcheol estava completamente vermelho. Talvez aquele fosse o momento certo de dizer “Sou um ômega, Jeonghan, não consegues ver isso?”. — Hum... — o Kim voltou seus olhos para o mar — Mentes tão m*l. O alfa se colocou de pé, estava indo embora antes mesmo que Seungcheol conseguisse se levantar, ficara tão envergonhado que suas pernas tremiam. — Nos vemos por aí, Choi.
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