Alice já está dormindo, o corpinho quente encolhido no colchão, o ursinho agarrado contra o peito como um escudo fofo. Eu fico ali, sentada no chão, encostada na parede, com os pés esticados e o corpo latejando de tanto esfregar chão e segurar medo ao mesmo tempo. Não sei que horas são, mas o céu já escureceu e o morro começa a mudar de tom. Os sons do dia dão lugar ao funk distante, às conversas mais baixas, às motos que sobem com mais pressa. É outro ritmo agora. Um que pede atenção. É quando ouço a batida na porta. Três toques, leves, quase educados demais pro lugar onde estou. Meu corpo reage primeiro do que minha cabeça. Me levanto com cuidado, sem fazer barulho pra não acordar Alice. Dou dois passos até a porta e encosto o ouvido. Silêncio. — Oi? — pergunto, cautelosa. A voz qu

