Entro, fecho a porta com cuidado, como se o barulho pudesse acordar alguma coisa r**m que eu passei a vida inteira tentando não provocar e coloco as sacolas sobre a mesa improvisada. A madeira é torta, as pernas bambas, mas aguenta. Igual eu. Solto o ar que estava prendendo desde que acordei. Parece que só agora, com a porta atrás de mim e Alice aqui dentro, eu lembro como se respira sem pressa. Alice sobe no colchão encostado na parede, dobra as perninhas e começa a tirar os sapatos. Cantarola qualquer coisa sem ritmo, inventando melodia com a mesma facilidade com que inventa mundos. Ela não percebe o peso que eu carrego nos ombros, e eu agradeço por isso. Ela só tá... feliz por estar ali. Fico olhando pra ela por um instante, sentindo o corpo cansado até os ossos, mas com o coração qu

