Era um dia lindo lá fora, e Halina deu um grande sorriso em um bom dia para o sol, desceu as escadas cantalorando, se sentia feliz, vivia bem ali e se sentia em paz por fazer a escolha certa.
Enquanto se encaminhou para os armários da cozinha Georgiy descia as escadas, notou que ela estava feliz, será mesmo que o mataria e por isso tamanha a felicidade?
Se aproximou da bancada e a observou cozinhar, a achava especialmente bonita quando estava cozinhando.
--- Parece muito feliz hoje Halina.
--- Estou sim senhor, muito feliz aliás.
Ela continuou a cantarolar enquanto preparava o café da manhã.
Sempre o acompanhava nas refeições pois ele não se importava, e ela gostava do fato de não ter que comer sozinha, nunca se acostumaria, ter uma companhia nas horas das refeições era muito bom.
--- Seria bom um toque de veneno no seu prato senhor?
Falou após tirar o frasco do bolso e balançar para Georgiy, ela tinha um sorriso no rosto de brincadeira e ele gargalhou com tamanha ousadia.
--- Não sou fã de venenos Halina.
--- Suspeitava que não, seu avô deixou aqui a uns dias atrás, fiquei tentada em receber uma boa grana, mas não adiantaria já que depois ele iria me m***r.
Ele sorriu para ela, agora sabia que Halina apesar de aparentar ser um anjo talvez não fosse um, tinha uma cara de menina inocente, mas ela sabia o que estava fazendo com certeza.
--- É esperta Halina.
Depois de se servir eles começaram a comer, sempre comiam em silêncio mas era um silêncio bom e agradável.
Talvez realmente tinha se acostumado com a presença de Halina ali, se ela tivesse decidido o m***r não sabia o que faria, apesar de passar a noite toda pensando, nem mesmo conseguiu decidir o que iria fazer. Gostava de vê-la pela sua casa, de como conseguia ser tão silenciosa e de não o atrapalhar, gostava de a ver se exercitando, ou até mesmo cozinhando para ele, não sabia ao certo que sentimento era, mas era um sentimento bom.
--- Vou resolver algumas coisas na sede, não saia de casa ainda, pode ser perigoso.
Não tinha dúvidas de que seu avô tentaria mata-lo outra vez, achava até que já tinha se acostumado a ver seu avô tentando o m***r, já havia até mesmo perdido as contas de quantas vezes aconteceu.
Assim que chegou na sede chamou por Nikolai no seu escritório.
--- Procure por informações sobre Halina, ela esconde algo, e pode não ser coisa boa.
--- Farei isso agora mesmo.
Georgiy voltou ao seu trabalho, tinha alguns novos integrantes para treinar, a organização nunca faltava pessoa que se interessavam em entrar, mas como consequência não tinha volta, a não ser a morte, e todos que entravam ali, sabiam disso.
Mais uma vez se viu preocupado no que faria com Halina se ela escondesse algo que fosse muito r**m, nem mesmo tinha coragem em pensar no que poderia fazer, realmente gostava da presença feminina pela sua casa.
Era tarde da noite e Nikolai entrou no seu escritório
--- Não encontramos nada Georgiy, é como se a garota não existisse, nem mesmo em orfanatos encontramos algo sobre ela.
--- Como pode não ter encontrado? Realmente procurou por todo lugar?
--- Sim, é como se ela fosse um fantasma.
Georgiy se preocupou, o problema era maior do que imaginava, pra não ter nada sobre ela nem mesmo nos orfanatos, com certeza ela havia mentindo, e descobriria hoje mesmo. Pegou a chave do carro e saiu em direção a sua casa, estava nervoso, e queria saber a verdade. Antes de chamar por Halina, ele se acalmou, precisava de calma, ou corria risco de fazer algo que se arrependesse.
--- Venha até aqui Halina.
Halina havia acabado de sair do banho e vestia seu pijama, desceu assim que terminou.
--- Aconteceu alguma coisa senhor?
--- Conte Halina, conte toda a verdade sobre você, não viveu em um orfanato e com certeza tem mais que precisa contar.
Halina mordeu os lábios de ansiedade, tinha medo que se contasse sobre a sua vida, ele a mandaria embora, e se ele o fizesse não saberia o que fazer. Ele notou o medo nos olhos femininos, aqueles olhos, eram o par de olhos mais lindos que encontrou.
--- Senhor, prometa que não me mandará embora.
Georgiy pensou por um segundo, realmente não seria capaz de a mandar embora, bastava saber se era algo tão r**m assim.
--- Prometo Halina, apenas conte a verdade.
--- Não sei muito sobre a minha família, só era eu e minha mãe, ela me criou desde sempre, e vivemos em um lugar perto da floresta, não sei bem quem é o meu pai, mas sei que é rival da sua organização, eu não o conheço e não estou para ser uma espiã. Minha mãe traiu a organização dele por isso me criou sozinha, desde pequena ela me ensinou muitas coisas, por que me mandaria embora dali algum dia, não era minha intenção vim parar aqui mas aqui estou e não queria ter que ir embora senhor, por favor me deixe ficar.
Halina até mesmo se ajoelhou implorando, estava devastada, não tinha para onde ir se aquele homem a mandasse embora, Georgiy a pegou nos braços e levou para a cama dela, a deitou e embrulhou.
--- Durma Halina, amanhã conversamos sobre isso hum? Não se preocupe tanto e apenas durma.
Ele saiu do quarto e a deixou ali, foi para sala de estar e passou a beber, pensava no que faria a partir de agora, Halina era filha de um rival, que a tempos tentava destruir o seu comando, seria loucura demais se a acolhesse ali para sempre? Tinha que pensar muito antes de se decidir.
De repente se lembrou que Halina sabia cozinhar o prato que sua mãe fazia exatamente igual, veio à sua mente que sua mãe havia dito que aprendeu aquele prato com uma amiga, seria possível que A mãe de Halina e sua mãe fossem amigas de infância?
Se levantou da cadeira e foi até o seu quarto, procurou pelo álbum que a mãe tinha e guardava com muito carinho, passou as fotos rapidamente e parou os olhos em uma que lhe chamou a atenção, sua mãe ainda jovem com outra jovem abraçadas, notou a semelhança entre ela e Halina, eram praticamente idênticas, talvez halina pudesse ajudá-lo a encontrar sua mãe.
Pela primeira vez em muito tempo sentiu o peito transbordar de felicidade, se Halina não soubesse algo com certeza sua mãe saberia, poderia encontrar sua mãe agora.
Halina acordou pra baixo, se sentia triste, e tinha quase certeza que seu chefe a mandaria embora, não queria ter que ir mas se ele a mandasse embora não poderia ficar. Tinha vontade de voltar para casa, mas não podia, nem mesmo se ele lhe expulsasse, sentiu desnecessário ter um lar se não podia voltar para ele quando quisesse.
Estava arrumando suas coisas em uma mala, sairia sem reclamar ou seria pior, afinal foi ela quem mentiu e escondeu algo, o que mais poderia fazer a não ser sair?
Georgiy caminhou até a cozinha e estranhou não ter visto Halina por ali, ela sempre acordava bem cedo todas as manhãs, subiu as escadas e foi até o quarto dela, a viu arrumar a mala aos prantos, não entendia por que, nem mesmo disse nada a ela, por que ela queria ir embora?
--- Halina, você vai embora?
--- Não quero ir mas não posso ficar senhor, eu menti sobre mim e o pior ainda, sou filha do seu rival, como poderia viver aqui?
Georgiy quis rir da situação.
Apesar do seu coração querer que ela fique ali se sentia em um embate. Pensava que ele a mandaria embora de qualquer maneira, e só estava se antecipando.
--- Não a mandei embora Halina, e não poderá ir mesmo que queira, faz parte dessa casa agora e pode ficar até o dia que quiser ficar, se a sua decisão é ir não posso te impedir, mas se quer ficar fique.
Halina olhou pra ele, como se não acreditasse no que ele tinha acabado de dizer a ela, os seus ouvidos realmente ouviram claramente?
--- Mas... o senhor não vai me expulsar?
--- E por que eu faria isso? Afinal, não é uma espiã, é?
Halina balando a cabeça freneticamente em um não, e voltou a chorar novamente, e agora de felicidade, Georgiy não entendeu, ela parecia demonstrar bem seu sentimento, chorava quando estava triste e quando estava feliz também, seria uma confusão pra quem não a entendia.
--- Mas pra ficar aqui precisa me chamar de Georgiy ou a mandarei embora na primeira oportunidade.
--- Tudo bem, o chamarei de Georgiy de agora em diante.
--- Descanse um pouco, parece que não dormiu muito bem, estarei no meu escritório.
Halina deitou na cama e soltou um longo suspiro, seria bom morar ali até que quisesse, gostava daquele lugar e da companhia do seu chefe apesar de ele não ser tão amigável. Conversavam muito pouco, mas se davam bem, por que não gostava de barulhos, e ela não era barulhenta, não invadia o espaço dele.
Fechou os olhos por um instante e pegou no sono, não dormiu bem a noite passada, compensaria agora.
Nicolai chegava, Georgiy havia o chamado para conversar sobre algo, estranhou pois apesar de serem amigos a muito tempo, nunca o viu chamar para uma conversa. Se encaminhou para seu escritório e depois de bater entrou.
--- Aconteceu alguma coisa pra me chamar para uma conversa?
--- Acho que encontrei alguém que pode me ajudar a encontrar minha mãe, talvez ela não seja a peça principal do quebra cabeça, mas com certeza é uma das peças mais importantes.
--- E quem seria essa pessoa?
--- Halina.
Georgiy pegou o álbum de sua mãe em cima da mesa e lhe mostrou a foto em que ela havia tirado com a mãe de Halina, Nikolai abriu a boca em choque, Halina era idêntica a sua mãe, até mesmo a estatura das duas era parecida.
--- Seria muita coincidência ou o destino?
--- Não sei, mas com certeza ela pode saber de algo, só que o mais importante agora é que ela é filha do Daniil.
--- Tá falando sério?
Georgiy afirmou e Nikolai se surpreendeu mais uma vez, a garota tinha mais segredos do que imaginava, e conseguiu esconder direitinho, pelo menos até aquele momento.
--- Mas o ponto, é que ela nem mesmo sabe o nome do pai, posso deixar que ela fique até que decida ir embora, afinal ela não tem pra onde ir.
--- Considere uma troca, ela salvou sua vida e pode lhe ajudar a encontrar sua mãe.
--- Sim, só precisamos ser cautelosos, ninguém precisa saber que ela é filha do Daniil.
Nikolai afirmou, não havia necessidade em contar aquilo para alguém. Ficou por ali mesmo ajudando Georgiy com os assuntos da organização.
Quando terminaram se passava do horário de almoço, ficaria para almoçar, estava curioso para conhecer Halina. Caminharam até a cozinha e Halina colocava a mesa.
--- Olá senhor, me chamo Halina.
--- Olá Halina, me chame de Nikolai.
Halina estava feliz e fez muitos pratos deliciosos, queria agradecer ao seu chefe por deixá-la ficar ali. Mais uma vez sua comida foi elogiada, e pensou que a melhor parte quando cozinhava era quando ele elogiava sua comida. Retirava a mesa enquanto eles foram ao escritório novamente conversar sobre algo, após Nikolai for embora, Georgiy se encaminhou até a cozinha.
--- Preciso que me faça um favor, mas só faça se tiver vontade.
--- Não faço algo que não tenho vontade Georgiy, não mesmo.
--- Ainda bem que não. Minha mãe sumiu a algum tempo, ela e sua mãe eram amigas, talvez você ou sua mãe saibam de algo.
--- Como ela se chamava?
--- Tanya.
Halina pensou por um momento, se lembrava de sua mãe contar muitas histórias da adolescência para ela, e em todas o nome de sua amiga Tanya estava presente, não sabia muita coisa mas contaria o que sabia.