Capítulo 16 -

1850 Palavras
" Pode parecer estranho e até errado, mas a morte é linda. Ela vem de vagar e nos pega desprevenido. Poucos conseguem ver a beleza da morte. É o fim dos sofrimentos. Mas muitos se sentem fracos com a morte. Principalmente quando é de alguém muito próximo de nós. A minha história começa assim: Com a morte. A princípio me sentia m*l, destorcida, era somente um fragmento no espaço, mas aos poucos fui me recompondo e pude perceber as asas que se formavam. E então me senti livre. Pude ver várias pessoas, conheci diversos lugares. Mas no fim, notei que era insignificante para a grande maioria das pessoas. Ninguém me notava. Ninguém sentia falta. Ninguém chorava. E então percebi também que foi bom ter deixado de existir em vida. Pois em muitos casos, era um peso para a humanidade. Me sinto feliz agora. Neste mundo que vivo, nas cidades que moro, nas casas que durmo e nas mesas que como. Pois sou feliz, sem interferir na vida de ninguém. Sou simplesmente eu. E sim... A morte é linda." - h***:://csangue.blogspot.com/ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Uma leve brisa me fez acordar. Eu podia sentir como se minha alma estivesse sendo conduzida à vários cenários da vida passada de outra pessoa. Dalila Smith. Sim, uma irmã gêmea que nem mesmo eu imaginava que existia. Sempre senti que minha vida havia sido tão solitária e sombria, como se eu não me encaixasse. E verdade seja dita... Eu... - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Mel? - Santiago! - Anda, Esmeralda, reaja. Um som infinito de um chiado cobria seus ouvidos e com um breve suspiro, Esmeralda voltou a piscar e olhou ao redor com um ar de incerteza e confusão. - Está tudo bem, Mel? - perguntou seu namorado, preocupado. - Eu... acho que sim. - O que aconteceu? - Hanna estava ansiosa demais para esperar. - Quem era ao telefone? - O padre... - O que...? O que ele queria?! - Ele não... ele... - Esmeralda! - Vai com calma, Hanna! Ela acabou de acordar. - Ela tá com os olhos abertos há uns vinte minutos e murmurando, como se estivesse em transe! Eu só quero saber se estamos seguros! Ela olhou com seus olhos cheios de lágrimas e as portas dos fundos bateram violentamente. Todos voltaram seus olhos em direção ao som e Esmeralda se levantou do sofá, sem acreditar. - Não, Hanna... nenhum de nós está seguro. As luzes da casa começaram a piscar violentamente, como se uma criança estivesse brincando de ligar e desligar o interruptor. As janelas de madeira se abriram num baque e se chocavam contra as parede à medida que um vento sobrenatural invadia a casa. Os meninos se juntaram um de costas para o outro e ficaram observando o acontecimento, sem acreditar. - O que está havendo? O que é isso afinal? - Um espírito que se tornou um demônio. Nós estamos interligados por conta da ligação entre as nossas famílias. - O que?! - A Dalila é minha irmã. Eu... sou adotada. As fitas... as fitas que recebi em casa... eram sobre mim. Megan é meu nome de nascença. As luzes pararam de piscar e as janelas de bater assim que ela disse isso. - Nós estamos indo atrás de algo que está além de nosso alcance. As pessoas que sumiram... elas não vão mais voltar. Não é como se ela os estivesse mantendo em um quarto. Ela é um demônio vingativo, Hanna. - ela olhava para a menina que parecia que estava à beira da loucura. - Eu não acredito. Mas... o que minha mãe tem a ver? Por que você não faz ela devolver a minha mãe? É culpa sua tê-la libertado, você que deve trazê-los de volta! Hanna estava se aproximando perigosamente de Esmeralda, com um ar arrogante e cheio de remorso. Esmeralda a olhava com tristeza, já que todos ali sabiam que ela não era capaz de fazer nada. Todos sabiam que era sua culpa. - Eu só queria que nada disso tivesse acontecido. - Você não faz ideia de como todos nós pensamos o mesmo. - disse Mel. Esmeralda saiu e foi em direção às escadas, deixando os outros na sala, preocupados. Ela sentiu um arrepio que decidiu ignorar até que chegasse no quarto no Hanna, onde tiraria um breve cochilo. - Eu sei que está ai, pode sair. - ela disse isso em um sussurro enquanto trancava a porta do quarto. Ela se virou e deu de cara com Dalila, que sorria. - Você finalmente chamou por mim. Mel não sorria, ela tinha um olhar triste e carregado de incertezas. - O que aconteceu à final, Dalila? Eu vi coisas que jamais poderei "desver" e sinto como se aquilo não estivesse certo. - E não está. Aquele homem não era meu pai biológico, eu também fui adotada. Mel se apoiou na beirada da cama e a encarou surpresa. - O que? - Eles eram todos um grupo de amigos. - começou ela. - Bill, David e Ben. Bill engravidou uma p********a que morreu logo após dar à luz a gêmeas, Megan e Dalila. - Nós duas. - Sim, porém o Bill não tinha dinheiro na época e era alcoólatra, pediu para que seus melhores amigos ajudassem a criar nós duas. - Bill, David e Ben? - Eles sabiam o que havia acontecido comigo, decidiram apenas apagar o ocorrido. Dada a natureza violenta de minha morte, não fui capaz de partir, procurei ajuda ao Padre que eu conhecia da igreja, mas ele me negou ajuda. - Daniel? - Sim. O meu corpo foi jogado numa vala e me deram como desaparecida. Eu vaguei por um tempo no escuro antes de saber sobre você... não pude evitar de me acomodar por alguns anos, experimentando crescer e viver junto contigo, mas quando eu percebi que você estava no mesmo lugar onde eu havia morrido, lembranças voltaram a me atormentar e minhas intenções se tornaram impuras. Mel a olhava ainda tentando entender. Devia ter sido difícil passar por tudo aquilo sozinha. - Mas o que você fez com os pais dos meus amigos? - Dalila gargalhou. - Eles eram culpados. Estão todos mortos, enterrados na mesma vala em que me jogaram. - Não... você não fez isso. - Eles mereciam morrer, você não entende? - Não, eu entendo que eram culpados, mas não que precisavam morrer, tinham que enfrentar seu julgamento em vida. Não seria muito fácil para eles escaparem apenas com a morte, depois de todo o seu sofrimento nesses últimos anos? Dalila ficou muda e fechou a cara. Ela sabia que Mel tinha razão, mas sabia que escolher seria difícil. - Eles precisavam morrer. - tentou se justificar. - Não precisa ser assim, sei que eles estão vivos em algum lugar. Isso não fará você se sentir melhor. Não fará você ir para a luz. Esmeralda se aproximou, sem ter certeza se funcionaria, e abraçou sua irmã e tinha um rosto tristonho e confuso. - Eu agora sei de tudo. Eu compreendo sua dor. Dalila, eu vou te amar para sempre. A menina se afastou e a olhou nos olhos. - Obrigada por me dar uma vida, Meg. - disse em um sussurro antes de desaparecer no ar. Esmeralda ficou parada por um momento, observando o vazio que agora era o espaço entre seus braços. Acabou? Ela se foi? O arrepio sumira. Ela se levantou rapidamente. - Dalila? - perguntou, mas nada sentiu. Esmeralda saiu do quarto às pressas e desceu as escadas para encontrar seus amigos com expressão de surpresa. No sofá a mãe de Hanna e o pai de Dylan, adormecidos. Mel apenas sorriu enquanto caía por sobre os joelhos e começou a chorar. Então ela tinha ido embora afinal... - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 2 semanas depois Eu havia acabado de voltar da faculdade quando percebi uma carta m*l encaixada em baixo de minha porta. Parece que todos os envolvidos com a morte de Dalila foram incriminados após encontrarem o corpo da menina com a ajuda do Padre Daniel. Eles não se demoraram em admitir parte da culpa, ainda estavam com medo que Dalila voltasse para buscá-los caso não dissessem a verdade. Era evidente que estavam aterrorizados, mas ninguém falava à respeito. Na carta, um poema: " Os desejos e os sonhos parecem estar distantes. Meu coração dói e a cada batida, as lágrimas regam meu rosto. Os pensamentos que antes eu pensava serem meus, acabou que percebi que eram apenas reflexos de alguém que vivia dentro de meu espelho. É... Fui ingênua. Parei de viver. Preferi sonhar. E que sonho! Me libertei de meu corpo, voei e cai por ai. Me feri. Me matei. Morri. Que morte! Estou viva e morta. Viva por fora... Mas morta por dentro... Morta por fora... Mas viva por dentro... E que vida...!" Ela estava livre afinal.
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