"Me sentei certa vez em um banco numa praça qualquer.
Fiquei imaginando como os pássaros se sentiam ao voar.
Talvez normais, como nós ao andar.
Fiquei olhando os passos de um lindo bebê.
Imaginei como seria magnífico nascer já sabendo saber.
Nunca questionei a vida como naquele dia.
Me senti mais calma e ao mesmo tempo perdida.
Na verdade, a realidade parecia distorcida.
Tudo ao redor era uma incógnita desconhecida.
O ar estava mais denso, as coisas mais transparecidas.
Parecia, de fato, que aquele dia era o ultimo.
E eu estava de partida.
Passageira, aquela era minha despedida.
Da vida, do ar e talvez da harmonia.
Me levantei daquele banco daquela praça qualquer.
E passei por um portal, talvez, para outra vida."
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- E então? - perguntou Hanna ao sentarem seus traseiros cansados no sofá da sala - O que faremos?
- Vocês notaram também, não notaram? - comentou Brian.
- O que? - Mel o olhou curiosa, mas percebeu que pela sua expressão que algo não estava certo.
- O padre. Não acharam estranho o modo que ele simplesmente desmaiou? Tudo bem que tudo que envolva esse demônio Dalila seja assustador, mas será que ele conhece mais da história que nós mesmos? Quer dizer, ele estava completamente apavorado, e não foi só isso. Ele não parava de olhar algo atrás de você. - disse.
- De mim? - perguntou uma Esmeralda histérica.
- Sim, como se ele pudesse ver algo que nós mesmos não podíamos, ele estava tentando disfarçar, mas quando dissemos o nome dela ele não conseguiu evitar.
- Mas...demônios não podem entrar em igrejas, podem? - perguntou Dylan.
- E se não for um demônio? Ou se ela entrou lá quando a Esmeralda estava em coma e agora conseguisse sempre adentrar o templo?
Brian estava mais sério do que o normal e tudo que ele dizia fazia sentido. O padre realmente estava ansioso e o choque do nome em comum o deixou muito devastado. O que de tão r**m poderia ter lhe acontecido envolvendo a menina? - pensou Esmeralda.
- Vocês acham que ela possa ter entrado na casa? - ela pareceu preocupada.
- Acho que nós saberíamos se ela tivesse entrado. - concluiu Hanna. - Eu tenho muitas coisas aqui que nos alertariam.
Eles passaram o resto do dia conversando e pensando no que poderia ser aquilo tudo? Eles sempre pensaram na entidade como demoníaca, nunca pensaram na possibilidade de ser algo como um espírito enfurecido ou vingativo. Ainda mais por se tratar de um rosto infantil, porém tremendamente amedrontador.
O telefone da casa tocou por volta das onze horas da noite e apenas Esmeralda e Brian ainda estavam acordados bebendo cerveja na sala. O som ressoava na casa como um zumbido chato de abelha, que entra em seus ouvidos e lhe dá uma vontade instintiva de afastá-la ou apenas tapar seus ouvidos. Por conta do álcool já ingerido, as paredes salmão da sala giravam e tremiam enquanto eles franziam as suas sobrancelhas com o irritante som. Mel se levantou cambaleante e, desajeitada, atendeu ao telefone.
- Sim? - um silêncio seguido de um longo suspiro deram à ela um tom de lucidez e ela rapidamente olhou para Brian, como um sinal de alerta.
- Esmeralda, escute com atenção...
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O dia amanheceu do lado de fora, mas era como se ainda fosse noite dentro da casa. Esmeralda estava suada e desacordada, deitada no sofá com sua respiração ofegante. Os outros três adolescentes estavam ao seu redor, a observando e muito preocupados.
- O.k. - disse Hanna. - Podemos repassar novamente o que aconteceu? Por que eu continuo confusa.
Brian respirou fundo e cruzou seus braços no peito novamente, parecendo frustrado por nada conseguir fazer à respeito, além de lhes contar uma história.
- Era perto de meia noite eu acho quando o telefone tocou, fazia um som insistente e tenebroso em meus ouvidos...
- Vocês estavam bêbados. - concluiu o óbvio Dylan.
- Sim, por isso a Mel foi atender o telefone, pra saber quem estava ligando tão tarde.
- E quem era, afinal?
- Eu não sei.
- Como que você não sabe? Não estava com ela? - perguntou Hanna, irritada.
- Sim, mas como Dylan disse, estávamos bêbados. Eu lembro dela fazer uma careta e me olhar seriamente quando a pessoa falou algo do outro lado da linha.
- Você acha que pode ter sido ela? - disse Dylan
- Talvez tenha sido. - falou Hanna seriamente.
- Eu não acho que tenha sido, ela escutou algo por durante uns cinco minutos e depois ficou tão pálida que quase desapareceu. E então...
- Ela caiu desacordada. - disseram os meio irmãos em coro.
- Eu vou pegar outra toalha gelada pra testa dela, ela está suando muito. - disse Hanna indo à cozinha. - Isso ainda não faz sentido.
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Esmeralda.
- Sim? - um silêncio seguido de um longo suspiro deram à mim um tom de lucidez e eu rapidamente olhei para Brian, como um sinal de alerta. Mas ele, bêbado como estava, não entendeu nada.
- Esmeralda, escute com atenção. - dizia uma voz rouca. Eu entendi na mesma hora que era o padre. - Dalila está neste momento com você. Você não a pode ver, ela está se escondendo de vocês, mas eu pude ver claramente como ela está agarrada à ti. - ele deu uma pausa e respirou fundo. - Você e Dalila são irmãs gêmeas separadas no nascimento. A mãe de vocês morreu no parto e você foi enviada para a adoção, sua irmã infelizmente ficou aos cuidados de um pai abusivo e isso lhe custou a vida. Ela se ligou à você para cumprir sua vingança contra nós.
De repente o telefone ficou pesado e meus olhos buscavam algo real em algum lugar e só encontravam a escuridão. Eu pude ouvir ruídos do outro lado da linha, como se coisas fossem arremessados de um lado ao outro.
- Eu espero que você consiga à impedir... de condenar todos nós ao inferno que ela planejou todo este tempo...
A linha foi cortada após um guincho de dor do homem que ali falava. O "piiiiib" que restou em meus ouvidos me fez ficar tonta e quando eu percebi, eu já não estava mais acordada. Pelo menos era o que eu achava.
Eu estava em outro lugar. Era claro e arejado. Era uma casa humilde com muitas portas e janelas abertas, uma brisa agradável fazia as cortinas se movimentarem serenamente. As paredes tinham marcas de infiltração e a tintura descascava, deixando grandes buracos. O chão de madeira tinha algumas partes soltas e o peso de meu corpo fazia um som engraçado. Um rosto curioso me observada, disfarçadamente do pé da escola antiga. Era estranho, mas eu sentia que a conhecia. Ao me aproximar, ela se esquivou e subiu rapidamente as escadas, pulando de dois em dois degraus. Ela era rápida para alguém tão pequena. Seu vestido branco a fazia parecer um anjo enquanto sumia no final do corredor.
Vozes de homens que riam e brindavam no andar de baixo me chamaram a atenção. Eles falavam extremamente alto e isso me incomodava mais do que eu imaginei que pudesse me incomodar. Eu ouvi o ranger dos degraus soltos da escada e corri rapidamente para o quarto onde a menina tinha entrado. Eu me escondi no cantinho atrás da porta e alguém empurrou a porta de vagar, se esgueirando silenciosamente para dentro.
- Oh, ai está você, Daly. - disse o homem. A menina que parecia ter seus cinco ou seis anos se encolheu na cama e lhe deu um sorriso nervoso.
- Oi, tio Ben.
- Estava se escondendo aqui em cima por quê?
O homem estava extremamente bêbado e eu podia sentir seu bafo de onde eu estava. Ele puxou a perna da menina com força e tapou a boca dela quando ela fez menção de gritar.
- Shiii, o tio vai brincar com você mas vai ser rapidinho...
Eu tentava sair de onde eu estava, mas era como se meu corpo estivesse paralisado no mesmo lugar, eu tentava gritar para ele se afastar, mas minha voz simplesmente não saía... ela... era uma menina..! O seu vestido branco agora se tornara vermelho e seus olhinhos em lágrimas perdiam a cor, uma vez que a mão do imenso homem tapava sua boca e seu nariz, a impedindo de respirar. Ele sem entender, ou entendendo, a matava. Alguns minutos depois ele se deitou ao lado dela e caiu no sono.
Eu não sei quanto tempo se passou quando o pai da menina entrou no quarto tão bêbado quanto o primeiro e começou a gritar.
- O que você fez?!
- Eu... eu... sinto muito, Bill. - ele estava desnorteado e parecia não ter acreditado no que havia feito. - Ela... está bem?
Ao perceber que a menina não respirava, ele saiu do quarto passando a mão nos cabelos e com a respiração ofegante.
- O que ele fez com a minha princesinha... - começou seu pai a choramingar. - Eu a estava guardando tão bem...
Eu pude ver o zíper ser aberto e ele agarrar seu corpo frágil e gelado da menina e a molestar. Eu não podia acreditar naquilo. Eu não queria ver, eu queria sair dali.
Me tirem daqui. Me tirem daqui! ME TIREM DAQUI!
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