" Me perdi na esperança de encontrar alguém.
Me encaixei em formosas palavras para me reconhecer. Me deixei levar por sonhos, para poder deixar de sofrer. Mas voltei a abrir meu olhos, só para poder te ver...... Mais uma vez, antes de morrer. Nada mais é normal em meu universo paralelo. Nunca nada faz sentido, quando ouso suspiros. Não sei no que me tornei ou irei me tornar. Só tenho medo de deixar, pessoas que estão a me acompanhar. Tenho medo de partir, sem ao menos me despedir. Essa nova vida que me aguarda, só eu posso decidir. ". . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Na manhã seguinte o quarteto se levantou cedo para levantar acampamento. Como Hanna havia previsto: Dalila não aparecia por um tempo. Ela tinha suas suspeitas do que poderia estar acontecendo, mas preferiu não compartilhar tal pensamento, achando que poderia causar histeria nos demais. Brian com a ajuda de Esmeralda fez alguns sanduiches naturais para que pudessem comer durante a viagem, para não perderem tempo mastigando e olhando uns para a cara dos outros.
Eles se espremeram na caminhonete de Brian e seguiram em silêncio pela estrada de terra que cercava a propriedade e só voltaram a falar - e a respirar - quando já estavam na estrada asfaltada que levava em direção à cidade. A igreja em que iriam não ficava muito longe do centro, na verdade eram uma igreja católica bem popular e conhecida pela região. Talvez por não se interessarem muito pela religião nunca tenham dito a curiosidade de fazer uma visita, mas o local em si era conhecido por quase todos. Era onde faziam as missas de sétimo dia dos entes falecidos. Era onde se fazia o batismo quando um novo m****o da família nascia. Tudo do que se fazia a respeito do catolicismo era feito ali, além de ser uma imensa catedral cercada por seus mais belos vitrais coloridos e bem esculpidos, dando vida à personagens bíblicos da época, principalmente, de Jesus Cristo.
Assim que estacionaram o carro, já eram quase dez da manhã e a missa matutina acabava de terminar. Muitas pessoas saíam para irem para suas casas e conversavam sobre a palavra daquele dia. Na porta da igreja surgiu um homem de vestes negras e um olhar cansado, mas o sorriso não sumia de seus lábios enquanto falava com os fiéis que ainda sobravam perto da entrada.
- É ele. - sussurrou Mel. - É o padre Daniel.
- Tem certeza? Quer dizer, fazem muitos anos e ele não me parece muito velho, embora pareça cansado. - comentou Hanna.
- É verdade. Ele não aprece muito velho. Será que tinge o cabelo?
Todos pararam para olhar Esmeralda que havia acabado de fazer um comentário completamente aleatório e deu de ombros para os olhares críticos em suas direção. Ela voltou a sua atenção para o padre e terminava de cumprimentar os que já iam embora, com seu rosto livre de qualquer pelo ou bigode que a deixava severamente hipnotizada. Como um padre podia ser tão sexy? Ele por um momento olhou para dentro do carro onde estavam e Esmeralda enfiou a cabeça no banco para se esconder.
- O que foi isso? - resmungou. - Ele olhou diretamente pra mim. - ao notar que os outros ainda olhavam para fora, ela se levantou. - O que estão olhando?
- O padre... - sussurrou Brian.
- O que tem ele?
- Venha ver, Mel. - ele a puxou pelo seu pulso e a segurou perto da janela para que ela visse. - Olhe.
O padre estava sentado nos degraus da igreja conversando com alguém. Ele agora tinha um olhar sério e preocupado. Era mais como se ele a repreendesse. Ele juntava as sobrancelhas enquanto falava algo de importante que a menina revirava seus olhos. A menina... a menina que estava sentada ao seu lado tinha cabelos dourados e vestia um vestido azul celeste. Ela tinha seus braços por sobre o peito e um bico tão grande quanto o de um passarinho. Ela estava emburrada.
- Esperem... essa não é a...
- Te achei. - sussurrou uma voz em seu ouvido que a fez se arrepiar toda.
Uma mão demoníaca pousou em seu ombro esquerdo, onde estava a sua marca anterior unhas gigantescas cravaram sua carne. Esmeralda acordou gritando de dor e acordando todos os demais que ainda dormiam na sala com ela. Ela levantou cambaleando e olhou o seu ombro no espelho do banheiro.
- Mel, o que está acontecendo? - gritou Brian super preocupado. - Ela esteve aqui? Você está bem?
- Não... não tem nada aqui... mas...
- O que foi? Deixe-me ver. - ele examinou onde a mão da menina estava e suspirou aliviado. - Não tem nada mesmo, foi só um pesadelo.
- Acho que sim. Desculpe ter acordado a todos.
- Tudo bem. - disse David despreocupadamente. - Já está na hora de levantarmos o nosso acampamento.
Enquanto Esmeralda e Brian faziam o lanche para a viagem, Hanna e David separavam algumas coisas "necessárias / importantes" para saírem da p******o daquela casa.
Durante a viagem, que se seguiu em completo silêncio, a não ser pelos farfalhar do papel laminado que protegia os sanduíches que mastigavam com fome exagerada. Esmeralda olhava para tudo como se fosse muito similar ao sonho que teve pouco antes de acordar e ficou ainda mais incomodada quando chegaram na igreja exatamente igual ao que vira enquanto dormia. Talvez fosse uma lembrança do lugar, uma vez que esteve ali quando criança. Ela livrou esses pensamentos ruins assim o viu. O padre Daniel. Ele não estava tão jovem como em seu sonho, na verdade ele tinha seus cabelos grisalhos, embora mantivesse aquele seu sorriso duradouro nos lábios e seus olhos eram gentis ao se despedir dos fiéis.
- É ele. - disse por fim.
- O tal padre que cuidou de você? - perguntou Hanna.
- Sim, aquele é o padre Daniel.
Assim como em seu sonho, ele por um instante olhou para o carro dos adolescentes e seus olhos se encontraram com os dela, mas por algum motivo - que ela provavelmente não entendia -, ela não conseguiu desviar. O sorriso, que parecia nunca terminar, sumiu dos lábios dele e ele parecia ficar abalado.
- Ele me reconheceu? - perguntou sem deixar de encará-lo.
De seus lábios, mesmo que distantes, ela pôde entender a palavra dita.
"Megan".
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Eles adentraram a igreja. Inseguros e incertos do que fazer. Daniel estava perto do púlpito e ajoelhado parecia orar. Esmeralda pegou a dianteira e avistou alguém sentado próximo as padre.
- Oh, se não é a irmã Mary.
A mulher de feições magras e olhos curtinhos a olhou, não parecendo estar surpresa.
- Você demorou bastante para voltar.
- Me desculpe.
- Eu acho que você não devia cobrar tanto da menina. Afinal, ela viveu uma vida sem memórias. - disse o padre ao se levantar. - Olá, Megan. Como têm passado?
- Estou bem, mas...
- Sim, eu sei. Não é mais a Megan que eu conheci. Agora se chama Santiago, não é mesmo? Esmeralda Santiago.
- Sim, isto está certo.
- E vejo que fez alguns bons amigos também.
A menina sorriu, mas sentia seu coração apertado ao notar que o padre se demorava nas imensas olheiras de meus amigos.
- Vocês jovens têm festejado de mais, vejo eu.
- Antes fossem festas, padre. - disse David arregalando seus olhos.
- O que faz aqui afinal, Esmeralda? - perguntou a freira, impaciente. - Depois de todo este tempo não acho que tenha vindo m***r saudade. O que está escurecendo os seus olhos?
- O nome Dalila diz algo à vocês?
O padre arregalou os seus olhos e deu uns dois passos para trás antes de colocar a mão sobre o peito e cair no chão.
- Padre?! O que há de errado.
Todos se movimentaram ao seu redor, tentando ajudá-lo, mas a freira deu um gritinho baixo para que todos se afastassem e o deixassem respirar.
- Eu... não ouvia este nome há muito... muito tempo.
Ele então desmaiou nos braços de Mary. A mulher suspirou.
- Ele está velho. Já é a terceira vez esta semana que ele faz isso. Venha, me ajudem a levá-lo até o quarto.
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