Arturo Garcia
A temperatura do corpo de Margarida contra o meu ainda parecia queimar minha pele, mesmo após ela ter se afastado. Mesmo longe ela ainda me observa o meu rosto másculo à sua frente, notando as linhas endurecidas ao redor dos meus olhos escuros, a cicatriz quase imperceptível na têmpora esquerda. Eu não desviava o olhar, como se estivesse memorizando cada detalhe do seu rosto, ela ao contrário de mim, tinha uma pele delicada, uma boca pequena, carnuda num vermelho natural, cabelos longos emoldurava sua face e olhos amendoados marcados pelas lágrimas, naquele momento tudo que ele queria era tê-la em meus braços.
Ela se afastou dos braços da anciã de sua família e veio até mim, trêmula, controlando o que sentia, mas com uma determinação evidente em seu olhar, não conseguia tirar os olhos dela em nenhum momento.
— Você... você realmente me quer? — As palavras saíram num sussurro trêmula. — Mesmo sabendo que sou...
— Você é Margarida Santiago — eu a interrompi, a minha voz baixa, mas firme. — É isso que importa. _ disse convicto do que quero e nesse momento tudo que eu quero é Margarida Santiago.
Sua respiração acelerou, seu peito subia e descia freneticamente, evidenciando seu coração acelerado, o rosto corado e assentiu com um sorriso tímido.
- Então teremos mais casamento na família. _ disse dona Marta abrindo um sorriso, ela sorriu constrangida, ficando ainda mais linda.
- O mais breve possível, já esperei demais. _ digo firme não dando margem para que Hernandez invente algo para prolongar ainda mais esse noivado.
- Só vai depender de você, afinal a sua familia ainda não cumpriu o prazo que temos, Emílio está sem nenhuma aliança no dedo, comandando o território dos Ponte Real sem legitimidade, sabe que temos um tratado e estou farto das enroladas que o meu e o seu pai fizeram. _ diz Hernandez irritado.
- o casamento acontece neste sábado, chefe e todos estão convidados, a quero do meu lado Margarida. _ digo categórico, Emilio que me desculpe não vou mais passar pano para as enroladas dele, querendo ou não vai se casar.
- Assim espero. _ diz Hernandez, olhando para Emilio que está visivelmente irritado, me aproximo dela, aproveitando a distração de todos com as crianças que entram na sala correndo.
- te quero ao meu lado nesse casamento, é uma otima ocasião para que todos te conheçam e saibam que minha noiva finalmente chegou. _ digo carinhosamente.
- haverá muitas perguntas que não quero responder, não quero ser motivo de vergonha para nenhum de vocês. _ diz abaixando o rosto tristemente.
- você não é e nunca será uma vergonha, vergonha foi o que ele fez com a sua mãe, com certeza você foi a felicidade e amor que ela precisa em meio a tudo que viveu. _ digo levantando o seu queixo. – Não chore mais, você foi o amor e a vida de sua mãe, agora é a minha.
- você m*l me conhece, como pode dizer isso?. _ diz confusa.
- Eu te esperei por toda a minha vida. _ digo selando nossos lábios.
- Arturo, está na hora de ir. Creio que tem um casamento para planejarem. _ diz Pedro cínico, nos interrompendo.
- você me paga, cara. _ diz Emilio para ele, se afastando indo em direção a porta.
- Até mais, linda. _ me disperse dela e de todos indo atrás do meu irmão.
- Cara, você acabou de conhecê-la e já joga seu irmão aos lobos, isso não se faz. _ diz Emiio irritado me esperando ao lado do carro.
- deixe de drama cara, a sua noiva já está chegando, achou que iria jogar ela num hotel por quanto tempo? Acredita mesmo que iria prolongar meu noivado para você continuar aproveitando com a sua amante.
- já disse que larguei a Patricia, sei que não posso continuar com uma amante fixa, mas ontem encontrei uma morena, p**a merda, gostosa demais, ela me deixou louco. _ diz parecendo viajar para a noite anterior.
- quando penso que se livrou de um problema, você vai e arranja outra, Emilio, os Ponte real estão praticamente estacionados em nossa porta, toma juízo, por favor.
- Ah! Artur precisava esquecer um pouco da Patricia, aquela mulher mexe muito comigo, precisa da dose certa para esquecê-la, então uma coisa levou a outra e a Morena gostosa me encontrou entre uma dose e outra. _ diz descontraído.
- Espero que tenha sido apenas essa noite, Emilio, umas das exigências dos Ponte Real, é que você seja fiel a Diana e não use de violência, caso comprovado a sua traição, teremos que devolver tudo e você perde uma perna e não é perna que você usa para se locomover. _ digo puxando o contrato e o entregando.
- não acredito que você concorda com isso, eu não vou me casar com essa família de loucos, Arturo. _ diz ele exasperado.
- o chefe já concordou, os Ponte Real são aliados do cartel a gerações, eles não vão arriscar perdê-los caso você não consiga guardar a sua terceira perna dentro das calças. A ordem já foi dada, Emílio, só posso te desejar boa sorte.
- Aquela mulher é uma maluca, tenho certeza que essa ideia foi dela, as outras questões deste contrato só dizem respeito ao cartel, apenas essa loucura se destaca, só pode ser ela. _ diz irritado lendo o contrato.
- acredito que sim, mas esse acordo é muito vantajoso para nós também, garante a sucessão do território dos seus filhos com ela. _ digo tentando amenizar.
- Laura que teve sorte, se livrou de entrar nessa familia louca, eu me ferrei como sempre, nunca quis a p***a de um territorio, muiot menos casar. _ diz socando meu carro, visivelmente irritado.
- calma cara, mas agora tem isso tudo, então faça direito afinal você é um Garcia. _ digo rindo.
- ótimo! Engraçadinho seu Arturo Garcia, encontrou seu senso de humor junto com a noiva. _ diz olhando para estrada, enquanto rio.