A pena desliza pelo papel com mais segurança agora. “Querida Teresa, espero que você esteja…” Amélie para. A testa se franze. A ponta da pena paira sobre o papel, deixando uma pequena gota de tinta cair. — O que foi? — pergunta Henrique, observando. — Eu… — ela morde levemente o lábio inferior. — Esqueci como se escreve “saudade”. A palavra sai quase num sussurro. Ele se levanta sem pensar muito. Aproxima-se da pequena mesa entre as poltronas. Fica ao lado dela. — Posso? Ela apenas assente. Henrique inclina-se levemente e, num gesto natural demais para ser calculado, envolve delicadamente a mão dela com a sua para guiar a pena. O toque é firme. Quente. Seguro. Amélie prende a respiração. Ele não parece perceber de imediato. — S-a-u-d-a-d-e — murmura, enquanto guia os movi

