O café é servido em silêncio confortável. O aroma de pão fresco e chá quente preenche a sala iluminada pela manhã nublada. Amélie segura a xícara com as duas mãos, como se buscasse firmeza ali. Henrique observa. Ela está diferente hoje. Não pela beleza do vestido isso já o desarmou o suficiente. Mas pela forma como mexe o chá sem beber. Pela maneira como olha para o prato e depois para a janela. Como se ensaiasse algo na mente. — Amélie. Ela ergue os olhos imediatamente. — Sim, senhor? Ele apoia os cotovelos levemente na mesa, postura relaxada. — Pode falar o que quiser para mim. Ela hesita. — Eu… não estou— — Está inquieta desde que sentou — ele diz, com leveza. — E não é por causa do vestido. Ela fica em silêncio por alguns segundos. Depois respira fundo. — Eu sou grata p

