A manhã chegou devagar. Não houve despertador. Não houve barulho de funcionários na casa. Não houve pressa. Apenas a luz entrando pelas frestas da cortina, desenhando linhas douradas sobre os lençóis amassados. Gabriella acordou primeiro. Não de sobressalto. Mas com aquela sensação estranha de que algo tinha mudado. O corpo dela ainda estava quente. Levemente dolorido. Sensível. Mas não era isso que a fazia prender a respiração. Era a consciência. A lembrança. A realidade. Ela virou o rosto devagar. Magno estava ali. Deitado ao lado dela. De costas, o braço dobrado sob a cabeça, a respiração pesada, profunda. Tranquilo. Como se o mundo não estivesse prestes a virar de cabeça para baixo. Ela o observou por longos segundos. O cabelo escuro levemente bagunçado. A linha

