Lucas Narrando Eu não dormi. Nem um minuto. Fiquei a noite inteira sentado no chão do meu quarto, com a cabeça encostada na parede e os olhos vidrados no teto. Esperando. Rezando. Me iludindo. Sei lá. Porque quando a gente ama alguém de verdade… qualquer silêncio vira um barulho ensurdecedor. E o Joca… Meu Joca… Sumiu como se tivesse evaporado. E ninguém me dá resposta. Ninguém fala nada direito. Só boato, só cochicho de beco, só aquele tipo de notícia que machuca mais do que ajuda. — Pode tá no hospital da zona sul… entubado… sem documento… — eu ouvi isso mais de três vezes ontem. E cada vez parecia uma facada no peito. Eu desci hoje cedo, sem nem trocar a roupa que dormi, quer dizer, que tentei dormir, e sentei no canto da laje da Dona Cida. Ela me olhou com pena. Eu vi. Mas não fal

