Armação

1226 Palavras
Pov's Laura Nova York City Apartamento. Arthur me dá espaço, e entro receosamente. Olho para trás, e meu bebê está tão aconchegado nos seus braços, aquilo me incomoda. — Por onde andou, dona Laura?— a voz de Arthur predomina. Lhe miro fixamente, em silêncio. Esse é o momento que devo o contar verdade, mas relembro todas as palavras do Dominic, então recuo. — Estava me virando, do meu jeito.— respondo, sem conseguir encará-lo.— Mas agora tô sem emprego, e lembrei do senhor. Minto, e Arthur abaixa a cabeça pensativo. — Dona Laura, tudo que aconteceu... — Foi um erro.— rebato, e seus olhos se inclinam surpresos.— Sua sobrinha tinha total razão, a diferença de idade nunca ia funcionar. Ele parece perplexo pelo que escuta. — Quero pedir desculpas a você, dona Laura, em nome de Scarllet. — Não precisa pedir, senhor Arthur.— n**o, com as lágrimas em meus olhos.— Já estou acostumada com as injustiças dessa vida.— declaro, olhando diretamente para o meu bebê. E ele percebe, e diz: — Essa criança não é meu filho, dona Laura, não imagine que eu a traí. — Não preciso de explicações. — sussurro quase inaudível.— Eu só quero um emprego. — Não acho que seja apropriado.— ele recusa, de imediato.— Se quiser dinheiro, posso lhe emprestar ou dar. — Não quero nenhum centavo do seu dinheiro, Arthur, eu só quero trabalhar dignamente. Nos olhamos e desvio à atenção, quando Noah começa a chorar. – O bebê fez xixi em mim.— Arthur diz, todo sem jeito. — Posso?— peço, estendendo o braço. — Você sabe segurar? — Sei sim.— assinto, e o próprio me dá, limpando a camiseta que manchou. Sinto o calor do corpinho do pequeno em meus braços. Tento não demonstrar a minha emoção, e o aprumo, cuidadosamente. E Arthur nota meu gesto, nos mínimos detalhes: — Você leva jeito, Laura.— afirma. E meu olhar muda. — Posso cuidar dele, se você quiser. — Eu tô pensando em adotar esse menino. — o mesmo confessa.— Ele me lembra alguém.— diz, e trocamos olhares. Meu coração se acelera e o som da campainha nos interrompe. Me recomponho, e abaixo a cabeça. – Deve ser a minha sobrinha.— Arthur fala, e na hora estremeço. Quando o mesmo vai andar pra abrir, o interrompo: — Ei, o segure por favor.— o entrego, para não tentar levantar nenhuma suspeita. Fico atrás no fundo, esperando rever a mulher que fez a minha vida um inferno. Fecho a mão em punho, com a vontade imensa de avançar nela. — Boa tarde, titio!— a voz fina ecoa.– De quem é esse bebê? – Seu irmão trouxe, para eu criar. — Meu irmão perdeu o juízo da cabeça, aquele v***o está cada dia pior. Mas pode ficar tranquilo tio, que vou providenciar para mandar a criança pro orfanato. — a tal hipótese, me desespera por dentro. Ela não me viu ainda, enquanto conversa com ele próximo da porta. Quando de fato adentra, a loira arregala os olhos, me vendo no meio da sala. A desafio com olhar, sem abaixar a cabeça. Exponho toda raiva que sinto, através do contato visual. — O que essa criatura faz aqui, tio?— sou analisada de cima abaixo.— Pode me explicar. — Essa criatura tem nome, e eu me chamo Laura.— expresso sem tremer a voz.— Achou que ia se livrar fácil de mim? — Vai aceitar de novo essa traidora aqui, tio?— ela vira-se pro próprio.— Ainda por cima, sendo desrespeitosa comigo. E atrevida, essa empregadinha! — Respeite a dona Laura, Scarllet!— o próprio grita, fazendo-a o mirar horrorizada.— Não admito que a trate assim. — Você tá defendendo a mulher que tava com outro, na sua cama? — Você sabe muito bem quem armou isso. E não minta para mim, será pior. Arregalo os olhos quando Arthur se altera, desmacarando a sua sobrinha. — Do que está falando, tio? — Da armação que você fez, pra sujar a honra da dona Laura.— quando ele pronuncia, é como se um peso saísse dos meus ombros, e eu fosse inocentada.— Confesse! — O que essa mulher inventou pra você, tio, é total mentira e encenação. — aponta, se fazendo de boazinha.— Ela é uma cínica! — Cínica é você, sua sonsa. — Tá vendo tio, como essa caipira nem falar direito sabe. Como o senhor se viu atraída por isso?— ela o pergunta, na tentativa de me diminuir. Arthur me mira por alguns segundos, e seus olhos ficam afetados. — Dona Laura têm muitas qualidades.— ouço o elogio, e meu coração se acelera. —Sinto muito em ter a magoado.— admite, enquanto olha pra mim. Abaixo o olhar, sentindo as lágrimas deslizarem pelo meu rosto, ao relembrar a humilhação que passei. Foi h******l em ter saído dessa casa, com a fama de traidora. — E é por isso que eu exijo que peça desculpas, Scarllet.— o mesmo completa. E levanto a cabeça, cética. — Não vou fazer o que você tá pedindo, tio. — Não é um pedido, é uma ordem! Eu exijo que reconheça os seus erros. — Você não pode tá falando sério, tio Arthur. Quer mesmo que eu me rebaixe a esse nível?— aponta para mim, com a cara de nojo. – Não só quero, como eu exijo o pedido de desculpas. Ela vê que ele fica muito nervoso e alterado, e acaba exibindo uma cara de inocente. — Perdão em ter a atingido, dona Laura.— meio que sua voz debocha da minha cara. E aquilo me dá nos nervos, ao vê seu rosto irônico.— Não foi a minha intenção, você me perdoa. Que tal, sermos amigas?— estende a mão, e encaro o gesto enojada. Cuspo nos seus pés. Seu tio arregala os olhos diante do meu ato. Scarllet, paralisada, encara o cuspe em seus sapatos de salto caro. Por um segundo, tudo ao redor se silencia. — Como se atreve? — ela sibila. — v*******a! — A verdade dói, não é? — rebato. — Tú armou pra mim, você destruiu a minha vida, me expulsou daqui como se fosse lixo, tudo por causa de uma herança. — Laura… — Arthur tenta intervir. — Eu perdi tudo por causa da sua sobrinha. Eu fui humilhada, julgada, rejeitada por algo que nunca fiz! — meus olhos se enchem de lágrimas, mas continuo. — E você, Arthur, você acreditou nela. — Laura— repete, mais baixo. — Eu me arrependo. — É tarde demais pra arrependimentos. — o corto, com olhar cheio de rancor. — E sabe o que é pior, Arthur, é que eu gostei de verdade de você! Mas você me decepcionou. E eu só voltei por um motivo:— miro pro meu bebê. — Eu só me divorcio de você, se você me der 100 mil dólares. — Tá vendo titio, a golpista que você enfiou em nossas vidas.— logo Scarllet se manifesta, me chamando de interesseira.— Olha a chantagem que ela tá fazendo com o senhor. — Ou é isso, ou eu quero a metade do seu patrimônio, que é meu por direito. Acrescento, fazendo a bandida da sobrinha dele morrer de ódio.
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