Pov's Laura
Nova York City
Apartamento.
Arthur me dá espaço, e entro receosamente. Olho para trás, e meu bebê está tão aconchegado nos seus braços, aquilo me incomoda.
— Por onde andou, dona Laura?— a voz de Arthur predomina.
Lhe miro fixamente, em silêncio. Esse é o momento que devo o contar verdade, mas relembro todas as palavras do Dominic, então recuo.
— Estava me virando, do meu jeito.— respondo, sem conseguir encará-lo.— Mas agora tô sem emprego, e lembrei do senhor.
Minto, e Arthur abaixa a cabeça pensativo.
— Dona Laura, tudo que aconteceu...
— Foi um erro.— rebato, e seus olhos se inclinam surpresos.— Sua sobrinha tinha total razão, a diferença de idade nunca ia funcionar.
Ele parece perplexo pelo que escuta.
— Quero pedir desculpas a você, dona Laura, em nome de Scarllet.
— Não precisa pedir, senhor Arthur.— n**o, com as lágrimas em meus olhos.— Já estou acostumada com as injustiças dessa vida.— declaro, olhando diretamente para o meu bebê.
E ele percebe, e diz:
— Essa criança não é meu filho, dona Laura, não imagine que eu a traí.
— Não preciso de explicações. — sussurro quase inaudível.— Eu só quero um emprego.
— Não acho que seja apropriado.— ele recusa, de imediato.— Se quiser dinheiro, posso lhe emprestar ou dar.
— Não quero nenhum centavo do seu dinheiro, Arthur, eu só quero trabalhar dignamente.
Nos olhamos e desvio à atenção, quando Noah começa a chorar.
– O bebê fez xixi em mim.— Arthur diz, todo sem jeito.
— Posso?— peço, estendendo o braço.
— Você sabe segurar?
— Sei sim.— assinto, e o próprio me dá, limpando a camiseta que manchou.
Sinto o calor do corpinho do pequeno em meus braços. Tento não demonstrar a minha emoção, e o aprumo, cuidadosamente.
E Arthur nota meu gesto, nos mínimos detalhes:
— Você leva jeito, Laura.— afirma. E meu olhar muda.
— Posso cuidar dele, se você quiser.
— Eu tô pensando em adotar esse menino. — o mesmo confessa.— Ele me lembra alguém.— diz, e trocamos olhares.
Meu coração se acelera e o som da campainha nos interrompe. Me recomponho, e abaixo a cabeça.
– Deve ser a minha sobrinha.— Arthur fala, e na hora estremeço.
Quando o mesmo vai andar pra abrir, o interrompo:
— Ei, o segure por favor.— o entrego, para não tentar levantar nenhuma suspeita.
Fico atrás no fundo, esperando rever a mulher que fez a minha vida um inferno. Fecho a mão em punho, com a vontade imensa de avançar nela.
— Boa tarde, titio!— a voz fina ecoa.– De quem é esse bebê?
– Seu irmão trouxe, para eu criar.
— Meu irmão perdeu o juízo da cabeça, aquele v***o está cada dia pior. Mas pode ficar tranquilo tio, que vou providenciar para mandar a criança pro orfanato. — a tal hipótese, me desespera por dentro.
Ela não me viu ainda, enquanto conversa com ele próximo da porta.
Quando de fato adentra, a loira arregala os olhos, me vendo no meio da sala. A desafio com olhar, sem abaixar a cabeça. Exponho toda raiva que sinto, através do contato visual.
— O que essa criatura faz aqui, tio?— sou analisada de cima abaixo.— Pode me explicar.
— Essa criatura tem nome, e eu me chamo Laura.— expresso sem tremer a voz.— Achou que ia se livrar fácil de mim?
— Vai aceitar de novo essa traidora aqui, tio?— ela vira-se pro próprio.— Ainda por cima, sendo desrespeitosa comigo. E atrevida, essa empregadinha!
— Respeite a dona Laura, Scarllet!— o próprio grita, fazendo-a o mirar horrorizada.— Não admito que a trate assim.
— Você tá defendendo a mulher que tava com outro, na sua cama?
— Você sabe muito bem quem armou isso. E não minta para mim, será pior.
Arregalo os olhos quando Arthur se altera, desmacarando a sua sobrinha.
— Do que está falando, tio?
— Da armação que você fez, pra sujar a honra da dona Laura.— quando ele pronuncia, é como se um peso saísse dos meus ombros, e eu fosse inocentada.— Confesse!
— O que essa mulher inventou pra você, tio, é total mentira e encenação. — aponta, se fazendo de boazinha.— Ela é uma cínica!
— Cínica é você, sua sonsa.
— Tá vendo tio, como essa caipira nem falar direito sabe. Como o senhor se viu atraída por isso?— ela o pergunta, na tentativa de me diminuir.
Arthur me mira por alguns segundos, e seus olhos ficam afetados.
— Dona Laura têm muitas qualidades.— ouço o elogio, e meu coração se acelera. —Sinto muito em ter a magoado.— admite, enquanto olha pra mim.
Abaixo o olhar, sentindo as lágrimas deslizarem pelo meu rosto, ao relembrar a humilhação que passei. Foi h******l em ter saído dessa casa, com a fama de traidora.
— E é por isso que eu exijo que peça desculpas, Scarllet.— o mesmo completa. E levanto a cabeça, cética.
— Não vou fazer o que você tá pedindo, tio.
— Não é um pedido, é uma ordem! Eu exijo que reconheça os seus erros.
— Você não pode tá falando sério, tio Arthur. Quer mesmo que eu me rebaixe a esse nível?— aponta para mim, com a cara de nojo.
– Não só quero, como eu exijo o pedido de desculpas.
Ela vê que ele fica muito nervoso e alterado, e acaba exibindo uma cara de inocente.
— Perdão em ter a atingido, dona Laura.— meio que sua voz debocha da minha cara. E aquilo me dá nos nervos, ao vê seu rosto irônico.— Não foi a minha intenção, você me perdoa. Que tal, sermos amigas?— estende a mão, e encaro o gesto enojada.
Cuspo nos seus pés.
Seu tio arregala os olhos diante do meu ato. Scarllet, paralisada, encara o cuspe em seus sapatos de salto caro. Por um segundo, tudo ao redor se silencia.
— Como se atreve? — ela sibila. — v*******a!
— A verdade dói, não é? — rebato. — Tú armou pra mim, você destruiu a minha vida, me expulsou daqui como se fosse lixo, tudo por causa de uma herança.
— Laura… — Arthur tenta intervir.
— Eu perdi tudo por causa da sua sobrinha. Eu fui humilhada, julgada, rejeitada por algo que nunca fiz! — meus olhos se enchem de lágrimas, mas continuo. — E você, Arthur, você acreditou nela.
— Laura— repete, mais baixo. — Eu me arrependo.
— É tarde demais pra arrependimentos. — o corto, com olhar cheio de rancor. — E sabe o que é pior, Arthur, é que eu gostei de verdade de você! Mas você me decepcionou. E eu só voltei por um motivo:— miro pro meu bebê. — Eu só me divorcio de você, se você me der 100 mil dólares.
— Tá vendo titio, a golpista que você enfiou em nossas vidas.— logo Scarllet se manifesta, me chamando de interesseira.— Olha a chantagem que ela tá fazendo com o senhor.
— Ou é isso, ou eu quero a metade do seu patrimônio, que é meu por direito.
Acrescento, fazendo a bandida da sobrinha dele morrer de ódio.