Pov's Laura
Nova York City
Apartamento.
18:30 Pm
A sobrinha dele já foi embora.
Espio ele assinar o cheque. Após, estende para mim:
— Isso é o suficiente para você viver pro resto da vida.— Arthur diz, e visualizo o valor.
R$500.000,00 milhões de dólares.
Arregalo os olhos, de boquiaberta.
— É muito dinheiro.— o devolvo de volta.
— Faço questão dona Laura que aceite.
— Eu não posso.— n**o, vendo sua expressão mudar, surpreso.— Tudo que eu disse naquela hora, foi na intenção de não ser humilhada pela sua sobrinha. Ela precisa saber que eu não sou nada, senhor Arthur.— desabafo, deixando minha dor transparecer nos olhos.
— Você tem direito a metade, Laura, que é seu por direito. Tome.— insiste, com a sua mão estendida.
— Guarde esse cheque.— o peço, e assim faz. — Quero apenas um emprego, e segurança. Será que poderia me dar?
Ele me mira hesitante, e depois guia sua atenção até o recém-nascido que está na cadeirinha em cima do sofá, dormindo como um anjinho inocente.
— A senhorita leva jeito com bebês. — ele comenta, e solto um suspiro aliviado, quando concorda em me contratar.— Esse velho já está enferrujado, já não dou conta sozinho.
Arthur levanta-se da cadeira e se direciona até o sofá onde se senta, com rosto todo bobo.
Seus olhos admiram Noah. A cena me enche em cheio, fazendo-me abrir um sorriso maroto.
Ele pega o pequeno nos braços, aconchegado-o com tanto carinho.
— Pode sentar, dona Laura.
Me mantenho em pé, os observando.
— Acho melhor mantermos o formalizo.— digo, com as mãos pra trás.— O senhor é o meu patrão agora.
Seus olhos cansados focalizam em meu rosto, e consta que se frustra quando escuta aquilo.
Desviamos atenção, ao sermos despertados com chorinho do recém-nascido. E por instinto de mãe, acabo tomando meu pequeno dos braços do Arthur.
— Ele deve tá com fome, e não há mamadeira aqui, e nem leite.
— Eu vou comprar na farmácia que tem aqui embaixo, volto já.
Arthur se desloca, indo.
Quando sai, aproveito para amamentar Noah com meu leite materno. Fico no sofá, com carinha feliz em poder estar com meu bebê.

Beijo a testa do miúdo, sorrindo.
— Mamãe tá aqui e eu não vou sair de perto de você.— sussurro.— E o seu papai também.
Na mesma hora paro de falar, e tomo um susto, quando Arthur retorna e me flagra amamentando o nosso bebezinho. Seus olhos descrentes estão arregalados.
— O que significa isso?
Levanto-me de onde eu estou. E protejo Noah sobre meu corpo, sentindo muito medo.
— Esse filho é seu, dona Laura? — o mesmo insiste, com o rosto pálido. — Responda! De quem é esse bebê?
— Nosso.— afirmo.— O senhor teve um filho comigo.
—Não, não é possível!— murmura, mais pra si. — Eu sou velho demais, Laura.
— O quê?
— Velho demais. — repete, encarando-me. — Você acha que isso faz sentido? Eu tenho idade pra ser seu pai, Laura. Isso aqui... — aponta para o bebê — Essa criança não pode ser minha.
— Por que não pode?
— Porque o meu tempo passou, porque eu não sou mais homem de fazer filhos. Porque faz décadas que eu não penso nisso. E porque, francamente, nunca me vi com um bebê no colo.
— Pois agora está vendo. — rebato. — Noah é seu filho.
Arthur passa a mão pelo rosto.
— Laura, isso é sério demais. Você tem certeza?
— O senhor quer um exame de DNA? Eu faço.
— Laura, eu tenho 70 anos.
— E daí?
— Daí que eu sou um velho, dona Laura! Um homem de cabelo branco, que dorme às oito da noite e toma remédio pra pressão. O que eu tenho oferecer à essa criança? E a você?– com os olhos cheios de lágrimas, Arthur demonstra a sua insegurança.