Pov's Laura.
Apartamento.
Sei que não devo exigir explicações ou me atingir pelo fato do Arthur ter uma namorada. Mas essa mulher ela pisou em mim, zombou da minha cara junto com a sobrinha dele.
Não posso permanecer num lugar onde as pessoas me diminuem por conta da minha idade, da minha classe social e da minha aparência.
— Eu vou embora!— aviso.
Mas logo os meus passos são interrompidos, quando sinto o toque da mão dele, em meu braço:
— Laura, vamos conversar....
— Solte-me!— mando, e ele se afasta quando o encaro.— Fique com a sua namorada, que do meu bebê cuido eu.
Miro o olhar para tal Chloe, que se mantém arrogante, de braços cruzados.
Saio pela porta, e Arthur não me impede dessa vez.
***********************************************
Cruzo com Dominic no elevador.
– Que carinha é essa?— ele toca em meu rosto triste.— Pra onde está levando o baby?
— Pra bem longe daqui.
– Poderosa, não é bem assim... você e o titio brigaram?
– Porque não me contou que ele tem uma namorada, Dominic?— o interrogo, chateada.
— Aquela baranga da Chloe não é nada dele. Se nomeia a namorada, mas titio não quer nada com aquela bruaca oferecida.
— Não foi o que ele disse.
— Ele assumiu aquela velha atirada?— o sobrinho do Arthur me questiona, surpreso.
— Praticamente sim.— revelo.— Ele não falou nada ao contrário.
— Porque titio é um frouxo, e covarde. Deve tá se borrando de medo dos comentários.
— De que tipo de comentários?
— Dos maldosos. Titio tá tentando defender sua imagem Laura.
– Não é esse tipo de defesa que eu quero.— falo, incomodada.
— As pessoas não vão reagir tão bem quando souberem que Arthur Forbes engravidou uma mulher de vinte e poucos anos.
— Para Dominic!
— É verdade, poderosa, por isso que ele prefere ser visto como namorado da Chloe, ela já é uma coroa caindo os pedaços.
Seu comentário veneno, lhe arranca uma risada escandalosa.
Olho pro lado e pro outro, certificando de que não tem ninguém ouvindo.
— Mesmo assim, eu não posso ficar no meio disso.
— Vai deixar titio rodeado das cobras, é? Chloe é uma sanguessuga, Scarllet nem se fala.— o próprio menciona a irmã, fazendo uma careta de vômito.— Titio têm chances de perder tudo, Laura.
— Como assim?
— Até de ser preso.
Arregalo os olhos, em choque.
— Preso?
— Você acha que essa Máfia tá no nome de quem? Da sem-vergonha da minha irmã? Que nada! Quando as garotas são traficadas, é nome da agência do titio que tá em jogo.
— Então Arthur não tem a mínima noção do que se passa?
Ele n**a com a cabeça, com semblante negativo. Lhe olho com medo, enquanto começa a cair a ficha para mim.
— Por que você não conta pra ele, sobre esse esquema ilegal?
— Eu? — aponta pra si.— Pra ser morto? Há muita gente envolvida, Laura. Inclusive o chefão russo, é um deus grego em pessoa.— Dominic elogia se abanando, e em seguida acrescenta:— É uma pena que é hetéro, e antipático.
*************************************************
07:00 AM. (FUSO HORÁRIO)
Moscou- Rússia
Pov's Dmitry Petrov
— É a americana na vídeo chamada.
Meu mordomo avisa, se aproximando com tanto receio de levar outro grito. É esse o efeito que causo nas pessoas. Medo, disciplina, e utilidade. Sem essas qualidades, quem presta serviços à mim, se torna descartável.
Apenas sinalizo com dedo um "ok", virando a tela do notebook.
Mando o incompetente se retirar. Ele sai, pisando em passos lentos para não tropeçar, e nem fazer barulho.
Início a ligação falando em russo, mas a americana implora que seja em inglês.
— Vocês são patéticos! Se acham os donos do mundo usando esse idioma idiota.— comento, a minha insatisfação.— Mas vamos ao que interessa, os negócios, é a única ligação que eu tenho com a m***a do seu país.
— Desde já, lamento pela sua perda chefe. — a voz fina ecoa do outro lado.— Minhas condolências.
— Não lamente, americana, a morte faz parte do ciclo da vida.— a corto, indiferente, enquanto fumo o meu cigarro.
— O chefe vai querer outro bebê pra substituir a morte do seu? Podemos lhe enviar um.
— De forma alguma.— recuso.— Jamais quero um bastardo roubando o meu patrimônio.
— Pois sendo assim, estou enviando as fotos das próximas vítimas. Quer dizer, da mulher no qual o chefe vai escolher para parir o seu herdeiro.
— Aquela última morreu no centro cirúrgico. Qual era mesmo o nome?
— Samantha.
— Era magrela igual um palito.— reclamo.— Espero que a próxima não seja uma inútil, que chora igual uma criancinha.
— Pode apostar que não.— garante.
Vagueio o olhar pras fotografias na tela. Nenhum desses rostos artificiais me chamam atenção. São todas padrão, de uma beleza impecável.
— Qual delas o chefe gostou?
— Nenhuma, são todas feias.— falo, dizendo ao contrário.
— Elas são perfeitas, chefe.
— Não para mim.— clico em deletar as imagens. — Arrume uma mulher que esteja altura para ser a barriga de aluguel.
— Estou enviando a foto de uma mulherzinha, mas o chefe não vai se interessar, chegou a pouco tempo na agência. Ela não é padrão, e está longe de ser modelo— a afirmativa da americana me gera curiosidade.
Opto em abrir o arquivo da foto.

E fico hipnotizado com à perfeição que vejo em minha frente.
— Qual o nome dela?— pergunto, admirando a face angelical que reflete através da tela.
— Laura.
— Traga essa Laura a Moscou, quero conhecê-la.
— Só há um probleminha....
— Qual, americana?
— Ela acabou de ter um bebê do meu tio. A infeliz deu o golpe.
— É esperta, gosto de mulheres assim. — comento. — E pensando bem... o bebê do seu tio, vale uma fortuna, devemos vender essa criança.