POVs Arthur Forbes.
Na manhã seguinte....
Eu nunca vi tantas mulheres em minha casa, como estou vendo agora. Elas estão sentadas na mesa, se servindo no café. Falam tão alto, com sotaques do México.
A mãe de dona Laura é que mais grita com as outras, parecem que estão morrendo de fome, porque brigam até pela comida.
— Abuelito, você não vai comer?— uma delas me pergunta, falando com a boca cheia de comida.
Nego de longe, com celular na mão.
Ligo mais uma vez pro meu sobrinho, me movendo de um lado pro outro. Peciso saber se ele já encontrou o paradeiro de dona Laura.
Meu sobrinho avisa que tá chegando. Me encaminho até a porta.
Abro, e imediatamente meus olhos constatam o recém em seus braços:
— Cadê dona Laura? — interrogo, vendo que sua expressão não parece nada boa. — Por que trouxe só o bebê?
Ergo a testa, quando me estende uma carta:
— O que é isso?
— Ler titio.
Mesmo receoso, abro o pequeno bilhete e guio atenção para cada palavra escrita.
— Dona Laura foi embora, é isso?— sôo confuso, e meu tom de voz acaba soando alto demais.
— Laurita fugiu de novo?
A mãe dela aparece, tomando os papéis da minha mão.
— Quem é essa múmia ambulante?— meu sobrinho faz o comentário, ao reparar no vestimento chamativo que a mulher usa, com uma flor enorme sobre o cabelo. — É a mãe da cherry?
— Infelizmente.
Murmuro, recebendo o olhar mortal da desconhecida, que se apossou da minha casa, junto com as filhas.
— Ès um velho t****o, tome vergonha em sua cara. — resolvo em ignorar, o insulto.
— Pra onde dona Laura foi?
— Ela apenas partiu sem dizer o paradeiro titio, e pediu para você cuidar do bebê de vocês.
—Laurita sempre foi irresponsável, ela nunca parou em lugar nenhum.— a tal Yolanda, mãe dela afirma.
Meu sobrinho me estende a criança, e hesito em segurar. Mas logo quem toma a frente...
— Eu virei abuelita?— o olhos da estrangeira que chegou ontem em minha casa, estão direcionados ao pequeno.— Oh meu Deus, que perfeição! Laurita concebeu um murchacho muito bonito.— ela põe o recém-nascido nos braços, e observo desconcertado.
Eu não tenho mais idade para ser pai.
Encaro o meu sobrinho e noto que ele parece nervoso, aquilo me faz suspeitar:
— De fato, dona Laura foi embora?— insisto em perguntar.
E a mãe dela responde, de forma inconveniente:
— Laurita é uma cigana, odeia criar vínculos. Sempre fez tudo sozinha, é uma desnaturada.
Entreolho para mulher de cabelo castanho, não convencido. Ela tem um temperamento forte, e só fala gritando.
—Como darei conta desse menino?— admito em voz alto, inseguro.
— Nós daremos abuelito, pode contar comigo.— a mãe de dona Laura bate em meu ombro, como tivéssemos alguma i********e.
Suspiro pesadamente, quando aquele adjetivo soa na boca daquela senhora.
—O que significa abuelito na língua dela, titio?
— Não queira saber.— o corto sério.
— Calma, titio, que raiva é essa?
O puxo até o canto.
— Essas mulheres invadiram a minha casa, sem sequer pedir a minha autorização.— expresso o meu incômodo, enquanto assistimos algumas delas brigando por um pedaço de pão.— Sempre gostei de estar sozinho. Quero que você arrume um canto para essa gente!— mando.
— É muitas mulheres, parece um harém.— ele ironiza.
— Sem piadinhas, Dominic.— o repreendo,.— Arrume um canto o mais rápido possível, senão eu vou enlouquecer.— disparo, ouvindo tantas vozes ao mesmo tempo.
Me direciono para o corredor, e antes de poder fugir para o meu quarto, sou impedido:
— Abuelito, o moleque fez cocô.—praticamente sou parado. E olho para trás:
— Quanto você quer para cuidar do seu neto?— a pergunto.— Responda, todo mundo tem um preço, e estou disposto a pagar.
— Agora estamos falando na mesma língua, abuelito (avô)— a vejo sorrir, se animando.
— Pare de me chamar de abuelito!— me zango, e meu olhar hostil à faz encolher os ombros.—Sou um velho cansado, não tenho mais idade para está trocando fralda.
Miro o olhar para criança frágil, tão balançado.
— Você vai mesmo se desfazer do seu filho, abuelito?
Interrompo os meus passos. E a olho fixamente, e digo;
— Quando ele tiver 5 anos, ele me chamará de abuelito, igual que está fazendo.
— Perdão, abuelito! — a mesma repete na mesma frase, de propósito. — Lá na minha terra respeitamos os mais velhos, os chamando de abuelito.
— Quantas anos a senhora têm?— a questiono.
— Tenho 42, vou completar 43. Quando eu tive Laurita, eu tinha 17 anos, eu era muito inocente.— relembra.— Todas as minhas filhas são de pais diferentes.
— Logo vi.
— Está me ofendendo?
— Não minha senhora.
— Laurita teve muita sorte em ter escolhido um abuelito rico para ser o pai do filho dela, imagina se tiver escolhido um pé rapado.
— Sua filha não é nenhuma interesseira, senhora Yolanda.— a defendo.
— Eu sei que Laurita é honesta, mas nunca teve juízo.— alega.— Abandonou o próprio filho.
— Não acho que dona Laura teria essa coragem, ela vai voltar.— afirmo, esperançoso.
— Enquanto isso, podemos criar nosso neto juntos.
— Neto?— faço uma careta de espanto.
— Se não quer que ele te chame de papy, ele vai te chamar de abuelito.
Fico pensativo, mirando profundamente o recém-nascido, que toca com o meu coração de pedra. Acabo piscando os olhos algumas vezes, antes dela me entregar o bebê nos meus braços.
Ele mexe as mãozinhas e abro um sorriso, encantado.
— Esse menino é a coisa mais fofa que eu já vi na vida.— declaro, emocionado.
A mãe de Laura sorrir.
— Iremos cuidar dele juntos, abuelito!— ela se anima, tocando em meu braço.
Recuo, a encarando sério.
— Pare de chamar de abuelito, meu nome é Arthur.
— Tudo bem, Ar-thur— a mexicana debocha da minha cara. Bufo.
— Meu sobrinho vai encontrar um lugar para senhora e suas filhas ficarem.
— Não precisa, já estamos em casa.— ela diz, se sentindo a proprietária do meu apartamento. — Tú não vai dá conta do meu netito sozinho.
Encaro o menor em meus braços, e me sinto em desespero com a possibilidade de assumir essa paternidade, sem contar com nenhuma ajuda.
A contragosto, falo;
— A senhora pode trabalhar na minha casa.
Daí ela pula sobre mim, com a notícia, quase me derrubando de felicidade.
— Gracias! Muitas gracias, abuelito!
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Pov's Laura
Moscou – Rússia.
Acordo tonta. Meu corpo dói, minha cabeça pulsa. A luz branca acima de mim é forte demais, me fazendo cerrar os olhos.
Tento levantar, mas meus pulsos estão presos a correias de couro. Sinto um pânico nauseante tomar conta do meu estômago.
— Onde estou? — minha voz sai trêmula.
O ambiente tem cheiro de hospital, mas não há barulho, nem enfermeiras, nem monitores. Só um silêncio c***l e o som metálico da porta se abrindo.
Alguém entra.
O homem é mais intimidador que já vi. Alto, imponente, de olhos frios. Veste preto, com casaco longo e botas que ecoam no chão frio. Cada passo dele arrepia minha espinha.
— Boa noite, querida — diz, com sotaque carregado de sarcasmo.
— Quem é você? O que fizeram comigo?
—Sou Dmitry Petrov. — responde, com tranquilidade c***l. — A partir de agora, você me pertence.
Me debato contra as amarras.
— Me solta! Cadê o meu bebê?!
— Que bebê? O que esta na sua barriga. — levo o meu olhar para onde seus olhos estão guiados— Você agora está grávida de novo.
— O quê?
Ele se aproxima, inclina o rosto próximo ao meu.
— Inseminação intrauterina, feita horas atrás.
— VOCÊ É LOUCO! — grito, em pânico. — Eu não consenti nada!
— Não precisa. Aqui, consentimento é um luxo americano. — ele diz, frio. — Você é fértil, jovem e bonita. E carrega o meu bebê em seu ventre.
— Isso é crime!
— Isso é poder. — acrescenta. — E você, querida, é só mais uma peça no meu jogo.
As lágrimas me inundam os olhos, mas me recuso a mostrar fraqueza. Tento esconder o choro, engolir o desespero.
— Eu juro que vou fugir daqui!
Ele apenas ri, e seu riso ecoa pelas paredes brancas.
— Já ouvi isso antes, de mulheres muito mais fortes que você. Sabe onde elas estão agora? Mortas e enterradas.
E então ele se vira, deixando a porta aberta. Atrás dele, um segurança russo entra e injeta algo no meu braço.
Mas antes de apagar, só uma coisa fica em minha mente:
Noah.
Meu bebê.
Cadê o meu filho.