— Isso mesmo. É só isso que eu quero de você por hora.
— Escuta aqui, Jonas. Pode parar a brincadeira. Tem um corpo apodrecendo bem aqui atrás de nós, me fala logo seu preço para que eu possa lidar com isso. — pressionei irritada com o senso de humor naquele infeliz.
— Jonathan — ele corrigiu — é bom você começar a lembrar meu nome, porque não queremos que seu vídeo vaze por tão pouco, queremos? — E não estou brincando, Isabela. E também não ache que sua dívida acaba por aqui, esteja preparada para quando eu precisar de você. — a seriedade em sua voz me assustou. Ele realmente estava falando sério sobre se infiltrar na minha casa, ameaçar a segurança da minha família e ainda me chantagear a seu bel prazer enquanto eu estava de mãos atadas. Aquilo só podia ser um pesadelo. — Quanto ao corpo, sugiro que pegue sua faca e conte para o seu pai o que aconteceu, claro, omitindo a parte que me toca e ele vai saber lidar com isso, né?
Assenti a contragosto e fui até o homem já há alguns minutos sem vida em busca da minha faca. A poça de sangue ao redor dele já estava fria como a noite que me envolvia. Respirei fundo e tateei seu corpo no breu daquele beco em busca da minha companheira fiel que agora havia se tornado uma prova contra mim, de que eu havia empalado aquele homem e que muito em breve outros apareceriam.
Encontrei a faca embaixo de sua mão ensanguentada e somente nesse momento notei a tatuagem que envolvia seu antebraço, um dragão vermelho em volta de uma espada que parecia ter sido desenhada por um cego. Eu tinha a impressão de já tê-la visto, tão f**a quanto aquela antes, mas não conseguia me lembrar onde no momento de choque.
Notando minha demora, Jonathan se aproximou ao ponto de que quase conseguia sentir o calor do seu corpo contra o meu e por apenas uma fração de segundo, quis me agarrar a ele para me sentir menos gelada. Mas esse desejo sumiu tão logo ele abriu a boca:
— Que foi? Tá traumatizada agora? — zombou ele.
Ignorei sua provocação:
— Traumatizada de ainda ter que olhar para sua cara. — me levantei rapidamente me colocando entre ele e o morto. — Preciso sair daqui logo, tem mais dele vindo.
— Bem, já que estamos acordados. Agora você vem comigo. — ele fechou os dedos em volta do meu braço e começou a me puxar em direção à rua.
— Eu não vou com você a lugar nenhum! — tentei me desvencilhar desesperadamente de seu aperto e falhei miseravelmente enquanto ele apenas me olhava com o mesmo desprezo que eu tinha por ele, um equilíbrio perfeito.
Ainda sem me soltar, ele aproximou sua outra mão do meu rosto. Tentei me afastar sem resultado. Jonathan passo o dedão pelas minhas bochechas e só então eu entendi que ele estava limpando o sangue seco sobre minha pele para que pudéssemos sair dali:
— Fica quieta. — ele ordenou friamente enquanto esfregava meu rosto tão rudemente como se estivesse limpando uma panela queimada e não minha pele. um pobre infeliz daqueles não devia saber a mínima diferença mesmo entre um e outro. Um chucro do mato que achou sua possibilidade de ascensão às minhas custas. — Acho que agora a madame vai querer usar meu casaco. — Ele me fitou de cima abaixo, minha roupa e braços completamente sujos de sangue.
Ele retirou a peça e me entregou coma delicadeza de um cavalo e eu me vesti rapidamente, ignorando a aspereza daquele tecido. Logo em seguida, ele voltou a me puxar pelo braço como se eu fosse um cachorro desobediente, me irritei:
— Me solta! Eu vou pra casa e definitivamente não vou com você!
— Corrigindo: você não vai para casa e definitivamente vai comigo.
De repente, ele e puxou para si, fazendo meu rosto se chocar contra o seu peito e me envolveu em um abraço apertado:
— Fica calma, amor. Ele deve estar bem. — falou um pouco alto demais e depois depositou um beijo no topo da minha cabeça. Mas que m***a ele estava fazendo?
Tentei me soltar, mas seus braços eram muito fortes em volta de mim, até sufocantes.
— O que você está fazendo? — tentei o empurrar sem sucesso.
— O outro homem a quem você se referiu acabou de passar por nós e olhou um pouco demais pra você. Agora se quiser continuar viva, entra no papel. Me abraça. — ele mandou e eu relutantemente obedeci, mas somente pela perspectiva da morte certa. — No três a gente corre até seu carro. — sussurrou perto o suficiente do meu ouvido para me causar arrepios.
— Eu estou usando saltos. — alertei. — E eles são barulhentos.
— Não se acostume com isso! — ele grunhiu e me tirou do chão.
Ele me apertava contra si enquanto corria em direção ao estacionamento. O cheiro sangue e vinho em mim se misturava ao seu perfume que, surpreendentemente, era bom. Muito bom se fosse ser sincera, mas eu era uma mentirosa de carteirinha.
Quando chegamos no estacionamento, ele pediu a chave do meu carro e eu entreguei prontamente com a perspectiva da morte, m*l parando para pensar que ele poderia muito bem sair com o meu carro que valia muito mais que a vida dele e me deixar ali para morrer. Além disso, ele também capturou meu celular da minha bolsa sem minha autorização:
— Me devolve! Preciso falar com o meu pai.
— Entra no carro. — quando não entrei, ele ameaçou: — entra no carro agora ou vou te deixar aí pra eles te matarem de vez agora.
Entrei no maldito carro.
— Não acho que eles queriam me m***r. — bati a porta do passageiro com força, na falha tentativa de mostrar a ele que eu estava no controle ainda como quando ameacei seu emprego quando a verdade era que eu não poderia estar mais desmoralizada. — E me devolve meu celular.
— Se essas marcas no seu pescoço são de alguém que não queria te m***r, me diga quando essa for a intenção, o que eles vão fazer? — questionou exasperado dando partida no carro. — E seu celular fica comigo até nós discutirmos os termos do nosso acordo, querida.
— Os termos do nosso acordo... — murmurei exasperada. — Pra onde você tá me levando?
— Pra minha casa, oras. Um lugar seguro pra você e principalmente para mim.
— E em que tipo de buraco fica isso?
— Você vai descobrir logo logo, não se preocupe.
— Por isso mesmo estou preocupada. — encostei a cabeça no vidro do carro e deixei o cansaço m levar aos poucos enquanto ele dirigia pelas ruas cada vez mais cheias de casas e pessoas, botecos abertos e pessoas chorando nas calçadas ao som de alguma música deprimente.
Sonhei comigo mesma em uma banheira de sangue da qual não conseguia sair.