Capítulo 78

1377 Palavras

Beatriz narrando — Nariz… — eu insisti, mais firme. — Que p***a é essa, mano? O que que a gente vai fazer nessa favela aqui? Ele pigarreou, mas não olhou pra mim. — Pegar a encomenda. — respondeu, seco. — Fica tranquila. Eu olhei a rua entrando pela frente do carro e nada em mim ficou tranquila. Nada. Do lado de fora, os becos pareciam todos iguais: barracos enfileirados, gente saindo pra trabalhar com marmita na mão, uma mulher varrendo, um moleque empinando pipa, duas motos passando devagar demais pro meu gosto. Mas tinha alguma coisa no ar que tava errada. Não era visual, não era som — era sensação. E sensação nunca mente. Quando ele virou a segunda esquerda e subiu um pedaço do morro vizinho, eu senti um frio subindo pela espinha. Era como se fosse outro universo ali dentro. Eu

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR