4.

1358 Palavras
Algum tempo depois Quando estou fora da realidade me sinto melhor e longe de tudo, aqui dentro da minha cabeça não sinto nada e não preciso explicar nada, tudo é tão bom e bonito aqui, lembro do jardim, da fazenda, da Mimosa, da Gertrudes e do Bravo, minha vaquinha de estimação e da minha galinha e g**o, aqui na minha cabeça, eles estão bem vivos e me fazendo feliz, meu pai João e minha mamãe Antônia estão na minha mente, meu pai Enzo continua sempre aqui na minha cabeça também As recordações e lembranças boas são maravilhosas, elas ainda me dão esperança de que logo não estarei aqui, sinto meu corpo morrendo aos poucos, os vômitos e enjoos são o prelúdio da minha morte, sei que ela está chegando a passos lentos mas está. Minhas refeições são servidas em uma tigela para dar comida para cachorro, a governanta da casa tem pena de mim mas o que ela pode fazer contra ele. O senhor A não permite que sente na mesa, faço as refeições sentada no chão enquanto seu olhar queima minha pele, não olho para ele, não quero olhar, tenho muito medo, ele sempre vem a noite, já sei o que quer, espero apenas que termine rápido, deitou no chão frio da minha cela em formato de quarto abro as minhas pernas, o jantar termina, o senhor A fica no escritório por uma hora depois vem para minha cela, ele olha meu corpo por alguns minutos, fico nua aguardando, esperando, ansiando o final. Uso roupas velhas e gastas, uma vez ouvi ele dizer que não sou bonita então não haveria motivos para usar boas roupas, o senhor A tinha razão, não sou bonita e não tinha porque me sentir assim, gosto das roupas que uso, são feias e rasgadas como me sinto. Ele ofega perto do meu ouvido, puxa meus cabelos com força, morde meus s***s e bate em meu rosto, não tem dó quando dá vários tapas na minha face com força, não digo nada, não faço nada apenas espero acabar, meu corpo esta morrendo é uma questão de tempo até que tudo termine, será que minha mãe está cuidando do nosso jardim? Ela plantou tantas margaridas e girassóis desde da última vez que penso que o jardim deve estar repleto de flores lindas. Será que papai Enzo vai voltar? Faz tanto tempo que ele não vem me visitar, meu pai João falou que logo estaremos todos juntos, preciso acreditar nisso, quando a dama da morte chegar e me levar, estaremos juntos para sempre, acabo adormecendo com a imagem da minha roseira, com as flores mais lindas que já plantei na vida mas o senhor A não me deixa dormir, ele continua dentro de mim por mais tempo que o normal, minha respiração começa a fica bem pesada, a morte já está vindo me buscar, sinto a tontura e o enjoo chegar, ele tira meu cabelo do meu rosto e fixa seus olhos em mim. – Está pálida, o que tem? Ela está chegando, posso sentir o seu toque frio em minhas mãos e pés, um calafrio que percorre toda minha espinha, quero isso preciso que ela me leve, meus pais estão lá, sei que meu pai Enzo também está lá. Sinto ele balançar meu corpo com se quisesse impedir a morte de me levar mas já é tarde, sinto o frio no corpo inteiro é um alívio tão bom, e calmo e suave, a morte está sendo boa comigo, sei que ela viu meu sofrimento e dor, vai me ajudar a me reunir com minha família, ao contrário do que sempre me disseram sobre a morte, ela está sendo calma e paciente comigo levando em consideração o pequeno mais significativo apreço que tenho em viver, logo não sinto mais a dor e o desespero, ela demorou para me buscar mas agora estou pronta para ir, fecho meus olhos e dessa vez não escuto nada apenas o sussurro baixo em meu ouvido. – Vamos, minha criança. Alexandre – Maldita, não vai morrer e me deixar aqui sem você. Acorde, infeliz. Gritava tão alto que logo Abigail apareceu na porta, já havia colocado a minha calça enquanto ela corria até Marisa. – Ela está quase sem pulso. SENHOR, A MENINA NÃO ESTA RESPIRANDO! Não, mil vezes não. Marisa não pode me deixar, não pode morrer, não permito. – Precisamos levá-la para o hospital! Abigail colocou um dos vestidos que ela havia comprado para a garota chamou um dos seguranças para ajudá-la a colocá-la no carro, fiquei ali sem reação, meu peito se apertou ao ver o rosto dela pálido e sem vida, Marisa não pode morrer, isso é inaceitável pra mim. Não entendo porque sinto isso deveria ficar feliz com a morte dela mas não estou, pelo contrário, não quero que ela morra. A menina foi atendida rapidamente mas demora do médico para dizer sobre o estado de saúde dela me deixava muito agoniado, Abigail ficou afastada de mim conversando com o soldado que ajudou a trazer a garota, as horas se tornaram intermináveis, e ninguém aparecia para dar notícias dela, já estava pensando em entrar dentro daquele lugar e tirar a garota desgraçada de lá quando o médico que atendeu Marisa chegou, Abigail chegou mais perto para ouvir o que o doutor tinha a dizer. – Senhor, sua esposa está em um caso grave de desnutrição, hipotermia e anemia. Foi um milagre conseguimos salvar ela e o bebê, a moça está bem debilitada e magra para estado que se encontra. Abigail olhou para mim com a expressão de raiva e ódio, nunca permiti que ela coloca-se uma cama no quarto que Marisa ficava, a menina se deitava no chão com algumas mantas velhas pois não deixei que Abigail entregasse cobertas novas para menina, a comida era servida na tigela de cachorro sempre eram as sobras do almoço, ela apenas tinha uma única refeição no dia. – Ela vai precisar ficar em observação, ainda não acordou. Se não tivesse prestado socorro rápido provavelmente sua esposa e filho estariam mortos, a menina tem vários hematomas, marcas de mordidas nos s***s e m*****s, além do rosto que mostra que a menina é constantemente agredida! Todas as noites batia em Marisa, bater nela durante as relações se tornou algo rotineiro, o meu prazer maior era fazer isso, desde do dia que nos casamos, espancar a garota todos os dias é meu deleite pessoal, o médico saiu visivelmente irritado. Sabia que era eu quem batia nela e que Marisa ficou a beira da morte por minha causa mas não pode fazer nada, sou Alexandre Andrade e ninguém ousa me enfrentar. – Quero tirar a garota daqui o quanto antes, vou levá-la até Olavo, ele vai saber o que fazer! – Não esta pensando em tirar o bebê dela, não é? Abigail cruzou os braços em minha frente em total descontentamento. – Claro que estou! Não quero um filho vindo daquela infeliz, vou mandar Olavo tirar esse bastardo dela. Olavo é um médico acostumado a fazer serviços sujos pra nós a muitos anos e sei que com uma boa quantia em dinheiro, ele vai fazer o aborto. – Alexandre, não acha que essa menina já sofreu demais? Se houve alguma dívida que queria cobrar dessa pobre menina pelo que o pai fez, já foi devidamente cobrada, ela quase morreu e ainda quer submeter a garota à um procedimento de risco, Olavo é um carniceiro e é bem provável que vai destruir todas as chances da menina ser mãe. Abigail tinha razão mas realmente não quero esse filho a minha decisão já está tomada. – Não quero discussão, assim que a traidora receber alta, vou levá-la até Olavo. Abigail abaixou a cabeça com uma evidente tristeza, não sem antes me repreender. – Um dia, meu filho, vai se arrepender muito de todo m*l que está fazendo com essa menina, quando isso acontecer será tarde demais para remediar. Não liguei para o sermão daquela velha agora sei que Marisa esta viva e grávida, logo vou estar livre desse estorvo que esse bebê trouxe para minha vida deixando apenas Marisa viva para me satisfazer.
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