visita inesperada

1457 Palavras
Sentada no parapeito da janela de seu quarto, Alyssa examinava sua nova conta bancária. Com um valor de cinco dígitos, era mais dinheiro do que a menina conseguiria gastar. Fora a nova conta bancária, ainda tinha os papéis que lhe mostravam que sob seu nome estavam o mais recente modelo da Mercedes e um apartamento de dois andares no centro da cidade. Nem sabia o que faria com aquele apartamento, talvez o colocasse para alugar. Enquanto pensava no que fazer com as coisas que ganhara, seu telefone tocou. A marcha imperial do Dark Vader soava barulhenta para seus ouvidos. Precisava trocar aquele toque. Vendo o identificador de chamada, era a pessoa que não via fazia duas semanas e que a tinha posto no dilema da casa. Atendeu a chamada. Alyssa - "Alô!" Ethan - "Oi! Sou eu, Ethan" Alyssa - "Sim, eu vi no identificador de chamadas" Ethan - "Podemos nos ver agora?" Alyssa - "Aconteceu algo?" Ethan - "Quero conversar pessoalmente" Alyssa - "Aonde você está?" Ethan - "Me diga onde você está que eu peço para o motorista trazê-la" Alyssa – "Estou na casa dos meus pais, apenas me diga aonde está!" Ethan – "Na casa de seus pais? Espere um pouco daqui a pouco eu te ligo" Sem esperar uma resposta Ethan desligou. Alyssa ficou encarando atônita o celular. Ela definitivamente não entendia essa pessoa. Resignada em ter encontrado alguém mais estranho que ela, a garota parte para a cozinha em busca de fazer outra de suas "artes" culinárias. Compenetrada em seus experimentos na cozinha, Alyssa quase morre do coração ao ouvir a campainha tocar. Ela acabou deixando o merengue que estava preparando cair no chão. Sem pensar muito e irritada, a garota abre a porta pronta para m***r quem quer que fosse que tivesse lhe interrompido. A surpresa se monta em seu rosto ao dar de cara, com um Ethan completamente encharcado do lado de fora de sua porta. O pior era que nem estava chovendo! Como foi que ele acabou naquele estado? - Posso entrar? – Ele perguntou. Meio confusa e surpresa ela deu passagem para ele – Sua família está? - Não – A língua de Alyssa estava coçando para perguntar o que havia acontecido, quando um estranho cheiro de queimado, a recorda da torta que tinha no forno, fazendo com que corresse em disparada de volta para cozinha. Ethan observa seu desespero e a segue. Ele para na porta da cozinha, enquanto observa a menina com um rosto sério tentar salvar sua torta. - Você quer ajuda? – Ele oferece, mas não obtém resposta, ele sente que de alguma forma ela esqueceu da existência dele e ele não pode estar mais certo. Alyssa com frequência esquecia do mundo ao seu redor quando estava concentrada em alguma coisa que julgava importante. Isso ocorria com sua família, amigos, professores e as vezes com ela mesma. Ethan ficou lá parado observando a menina se mexer pela cozinha, sem saber exatamente o que fazer. Dado o seu estado não achava que seria uma boa ideia se sentar no sofá e não conseguia trazer a atenção da menina de volta para si. Enfrentando o dilema do que fazer um toque leve em seu braço lhe traz de volta. Ele primeiro vê os desgrenhados cabelos ruivos encaracolados, depois a pele bronzeada e por fim os olhos avermelhados, naquele momento em questão eles brilhavam num carmim tão intenso que parecia que a jovem a sua frente choraria sangue a qualquer momento. - O banheiro fica no corredor, vou pegar algumas roupas secas para você. – Alyssa falava sem parecer culpada por ter sido rude com seu inesperado visitante – Depois você me conta o que aconteceu. Sentado na sala com um copo de chocolate quente fumegante Ethan pensava na situação que o levara ali. Um encontro desagradável com uma pessoa desagradável. Queria conversar com alguém, mas não tinha amigos, a imagem da menina ruiva, gordinha e infantil lhe veio à mente e agora estava ali. Vestido com uma camisa de time de futebol e um moletom tomando chocolate quente. Na verdade, pensando até certo ponto ele se deu conta de uma coisa. Ela disse que estava sozinha em casa, isso significa que ela abriu a porta para um homem quase estranho para ela estando sozinha em casa! Ela não tinha noção do quanto isso era perigoso? E se ele fosse algum tipo de t****o?! Olhando para a menina que acabou de sentar-se à sua frente, pode ver que ela estava com os cabelos rubros amarrados descuidadamente em um coque, e as roupas dela pareciam ser um pijama, e, por deus ela não estava usando nada por debaixo da roupa?! Ethan sentiu suas orelhas esquentarem e repentinamente ele não sabia mais para onde olhar. Sentada em uma cadeira na frente dele, Alyssa esperava o homem falar pacientemente. Essa paciência durou até seu cachorro aparecer e pular no colo do homem a sua frente, quase derrubando a xícara. - Desculpe! – Ela falou tomando o cachorro em seus braços. - Tudo bem! – Ethan respondeu – Eu...... você........ deveria ter mais cuidado! - Com o quê? – Alyssa encarava o homem no sofá com um olhar confuso, ela realmente não sabia do que ele estava falando. Ethan quase teve um ataque ali, sua visão da menina a sua frente acabava de mudar bruscamente. - Como assim com o quê?! – Ele falou largando a xicara em uma mesa próxima e se levantando – Eu sou um homem, totalmente desconhecido e você está sozinha em casa! Não deveria abrir a porta para mim! - Eu não estou sozinha em casa – A garota falou calma, encarando-o como se o que tivesse acabado de falar fosse um completo absurdo – Eu estou com o Thor. Vendo que ela apontava para o cachorro em seus braços e ele sentiu sua cabeça começar a doer, de alguma forma parecia que eles não estavam falando a mesma língua e ele queria abrir um buraco na cabeça dela para ver o que se passava. - Ele é um cachorro! – Ethan tentou novamente argumentar com ela. - Sim, você por acaso é cego? – Ela devolveu achando engraçado a maneira como ele se frustrava. Uma coisa que se deve saber sobre Alyssa é que seu passatempo favorito é atormentar a mente das pessoas. O único ser vivo que conseguia lhe aguentar provavelmente era seu cachorro, e naquele momento o pequeno animal encarava o homem com um pouco de pena. Ethan não sentia o olhar do animal, mas sua cabeça estava doendo, provavelmente tinha gastado todo o fosfato de seu cérebro tentando desvendar uma forma de se fazer compreender para a garota a sua frente. Não era possível que ela fosse tão ingênua! Alyssa ficou um tempo vendo como o homem parecia sofrer tentando escolher palavras que a fizessem entender o que ele estava falando, no entanto ela rapidamente ficou entediada desse Show, colocando o cachorro no chão ela caminhou até um pequeno móvel com uma gaveta e de lá tirou uma pílula. - Aqui! Ajuda com a dor de cabeça – Ela viu a forma hesitante como ele pegou o remédio e quase riu – Então, suponho que você não veio até a minha casa para tomar chocolate quente e conhecer o meu cachorro, o que te trouxe aqui? Tendo bebido o medicamento, Ethan sentiu a dor de cabeça afrouxar, ouvindo a pergunta ele ficou um pouco perdido. Ele já tinha se esquecido da razão pela qual fora ali. Pensando no que dizer ele olhou para a varanda na sala, um relâmpago tinha cortado os céus e uma chuva forte começava a cair. Parecia que seria um tufão. - Eu acho melhor eu sair daqui – Ele falou procurando suas chaves e carteira apressadamente. - Se você quiser morrer afogado fique à vontade – A frase da menina fez ele parar completamente, feito uma estátua na porta, lhe encarando confuso – Com uma chuva assim o rio deve ter transbordado, a única saída daqui passa pela ponte, nenhum carro consegue atravessar nessa tempestade. - Tem algum hotel aqui perto? – Ele perguntou. - Não, essa área ainda está em desenvolvimento – Ela respondeu olhando para ele com um olhar entediado – Já que você não quer me contar o motivo que te trouxe aqui e não consegue ir embora, pode dormir no sofá. Vou pegar alguns cobertores para você. Ethan podia morrer de frustração ali. Na cabeça dele, era como se estivesse tentando educar uma criança a não aceitar doces de estranhos e está tivesse lhe ignorando completamente. Pelos deuses! Aonde estava a noção de perigo dessa garota? Anos mais tarde Ethan se lembraria desse dia com um sabor agridoce na boca e muita resignação.
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