Capítulo 4

739 Palavras
Ricardo Eu já tinha visto aquela mina de longe. Na verdade, não estava muito esperançoso de que realmente fosse reencontrá-la, mas quando a vi chegando no bar, senti um negócio diferente. Ela estava ainda mais linda do que no dia anterior. Ainda fiquei de longe, apenas a admirando, mas quando vi o CK em cima dela, sendo que ela sabia como funcionava os esquemas no morro, me irritei. Eu não queria que aquilo acabasse em tragédia, sabia bem das consequências, mas não podia deixá-la lá. Ela estava apavorada, por isso me meti. Não sei se foi um ato heróico ou burro, mas honestamente, não me arrependia. Era somente mais um dia para eu ter ido até o morro, fazer meu trabalho e ir embora, mas é incrível como nossos planos podem mudar de uma hora para outra. Aquela altura, eu deveria estar indo para casa, mas não, estava sendo levado pelos caras do morro para o lugar onde receberia meu castigo. E precisava ser sincero em dizer que sabendo bem do castigo que pessoas que faziam merda, recebiam, estava um pouco aflito. Mas só um milagre divino poderia me livrar daquela merda. Era um barraco, bem furrequinho, que não dava nenhum tipo de conforto a quem estivesse ali. Mas era proposital, afinal, esses caras jamais iriam dar conforto a quem pretendiam punir ou matar. — Tá gostando da estadia? O lugar é de primeira qualidade, não concorda? — um dos caras quem me trouxe para cá e que estava fazendo guarda do lado de fora, se certificando que eu não fugiria, entrou, com o fuzil atravessado nas costas e um prato com alguma gororoba bem nojenta, que só de olhar já dava nojo, na mão — Olha só, tem até comida pá tu. — Não tô com fome. — sentado no chão, encostado numa parede, se é que se podia chamar assim, falei. — Qual foi, p*u no cu? Vai fazer desfeita, é? Se liga, pô! Nóis tá sendo tranquilão contigo, mesmo tu tendo feito merda, e tu desmerecendo. — Não tô desmerecendo nada, só não tô com fome. — Pois tu vai comer sem fome, então — ele colocou o prato no chão, arrastando com o pé para perto de mim, mas eu me afastei, me arrastando e virei o rosto em qualquer outra direção, menos na dele — Tu vai ficar nessa mermo, é? — Já falei que não quero, pô. Sem esperar que eu dissesse mais nada, ele se abaixou, segurou meu pescoço com força, puxou o prato e pegou um pouco da gororoba com a mão, me forçando a abrir a boca e colocando em minha língua. Se a aparência daquela merda já era r**m, o gosto era mil vezes pior, parecia ter esperma misturada a alguma coisa naquela p***a. Imediatamente, senti meu estômago embrulhar e a bile subir a garganta, em seguida, vomitei tudo, fazendo a maior lambança, inclusive, sujando ele. — QUE p***a É ESSA, c*****o? — irritado, ele proferiu, se afastando de mim e analisando sua roupa suja de vômito. — Eu disse que não queria, e pra completar, isso tem gosto de esperma, p***a. — ainda continuava vomitando, sentindo o gosto nojento daquela merda. — É porque tem… — mesmo diante da nojeira que sua roupa ficou e da sua irritação, ele disse isso e eu nem precisava olhar em sua cara para ver o sorrisinho cínico em seus lábios — Espero que tenha gostado. Foi o meu. Com isso, vomitei ainda mais com a sensação de ter ingerido gala. Era horrível só de pensar nisso, me embrulhava ainda mais o estômago. — Porque não me matam logo e param com essa palhaçada? Isso não teve graça. — Depende de que lado da situação tu tá. Mas não se preocupe, seu desejo se realizará em breve. Agora, continue aproveitando sua estadia, que eu vou me limpar. — ele deixou o prato no chão, se levantou, ajeitando o fuzil e saiu, me deixando ali sozinho. Eu tentava pensar em como poderia me livrar dessa situação, mas a verdade é que não havia como. Os caras do morro não tinham piedade, eles puniam e matavam sem pena. Bastava um deslize seu e era caixão e vela. Já vi acontecer com diversas pessoas, por inúmeros motivos e sabia que, comigo, não seria diferente. Mas ao menos eu morreria por um bom motivo, afinal, tinha protegido aquela garota linda que não saía da minha cabeça.
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