A casa mergulhou num silêncio profundo da madrugada. Eu me virei na cama, tentando encontrar uma posição mais confortável, mas a minha mente simplesmente não me deixava descansar. Estava quente pra caramba, ou talvez fosse eu. Suspirei, passando as mãos pelos cabelos, que já estavam começando a ficar úmidos com o calor. Era quase impossível dormir. E mais impossível ainda era ignorar o fato de que, a alguns quartos de distância, estava ele. Coringa. Ou melhor, Victor, como eu preferia chamá-lo. A pessoa que, há cinco anos, tinha mudado minha vida de uma forma que eu nunca poderia prever. A tensão de tê-lo tão perto era quase palpável. Tudo o que tínhamos vivido, tudo o que tinha acontecido entre nós, parecia estar à espreita, esperando o momento certo para ressurgir. Eu tentei me conven

