Durante o dia, o céu tinha aquele tom amarelo-claro da poeira que formava a Cúpula da cidade, mas esse tom se escurecia de acordo com o horário.
A noite era próxima.
Chegaram a uma pequena clareira onde havia um círculo de pedras no chão e dois troncos de madeira posicionados de cada lado como assentos, indubitavelmente, alguns humanos passaram por ali.
Decidiram descansar por um instante quando, despreocupadamente, passou perto dos seus pés uma Arthropleura, o maior invertebrado terrestre que já viram, era uma espécie de centopeia gigante de armadura.
— Eu não acredito que vamos passar a noite aqui — falou Talita assim que o inseto sumiu no mato. — Não vou conseguir dormir e eu estou exausta, e suja e assustada.
Cesar foi buscar uns galhos para fazer uma fogueira no círculo de pedras. Quando voltou, foi conversando enquanto armava.
— Por que estamos fazendo isso mesmo, cara? — questionou Cesar consigo próprio.
— Você sabe, a rainha...
— Não, não o contexto, mas o nosso motivo. O que vamos ganhar com tudo isso?
Talita parou para refletir.
— É mesmo, estou prestes a me tornar a primeira Escolhida para Suma-Sacerdotisa de Dorbis, aceitei o meu Chamado, mas não sei quais as vantagens nisso tudo para mim. Fora que muita coisa deixei para trás.
— Eu sou um Allogaj ajudando a resgatar uma rainha que eu nunca nem vi. E se nós vencermos? O que virá depois?
— Nós vamos vencer — assegurou Talita. — O que virá depois será o poder e a honra. Quem sabe, riqueza.
— Interessante que o poder sempre vem primeiro.
— É o que gera ganância nas pessoas.
— E ganância gera corrupção. Talvez os Treumilas não tenham criado a corrupção, mas sim o homem, eles só se aproveitaram da terra fértil para plantarem a sua semente do m*l.
— Olha, isso foi herege, polêmico, mas brilhante.
— Lumo — Cesar conjurou a luz para enxergarem melhor, não estava tão escuro, mas ele queria estar preparado. — Talita, eu nunca vi você usar o seu bastão para fazer feitiços — observou o rapaz.
— É claro que já viu, usei poucas vezes.
— Por quê?
— Alguns feitiços eu não posso mais fazer, característica de Escolhida. Na verdade, quando aprendo magia avançada, a básica se torna inutilizável.
— Agora tudo faz sentido. Ser uma Escolhida não parece ser muito divertido.
— Não é, também não me interesso por diversão...
Talita parou de falar quando percebeu um rápido movimento pelas árvores.
— Ah, não! — lamentou Cesar. — O que foi desta vez? Não temos um minuto de paz?
Não tinham, pois, atrás de Cesar um cachorro grande de fuça preta correu na direção deles. Era um Chiniquodon, parecia a mistura de um vira-latas com uma hiena, era magro e feroz. Por ímpeto, Talita se levantou e estendeu a mão para a criatura que parou no mesmo instante.
— d***a! — Cesar praguejou preocupado ao ver o cão bem atrás dele. — De onde saiu esse cachorrão?
— Cesar, fique atento — ordenou a garota.
Assim que se virou, outro Chiniquodon apareceu correndo para eles, Talita estendeu a outra mão e fez o animal parar.
— Estamos cercados — avisou Cesar.
Ele viu um movimento suspeito por entre as árvores ao redor, quando outro cão apareceu, ele conjurou o fogo, apenas uma chama subiu e se dissipou em um segundo, foi grande o suficiente para espantar o animal.
— Cesar, acende a fogueira, eles têm medo do fogo — mandou Talita.
— Fajro Produktis — Cesar tentou acender a fogueira, mas o fogo que subia era tão rápido que não dava tempo, parecia um esqueiro sem combustível. — Não dá, nunca vai acender deste jeito.
— Pegue na minha bolsa um pote de vidro com um líquido preto inflamável e acenda a fogueira. Rápido!
Cesar se apressou, ele mexeu na bolsa desesperadamente até encontrar o pote. Outro cão selvagem apareceu, Talita apenas olhou para ele e ele se aproximou devagar até ficar imóvel.
Cesar, jogou o líquido nos galhos e antes de acender, teve que lançar o feitiço do fogo em outro cão que saltou por cima dele, mas ele se abaixou e o cão continuou a correr com medo da explosão.
— Cesar, eu não posso aguentar mais — avisou Talita.
— Fajro Produktis — Cesar gritou o feitiço e a fogueira acendeu-se na mesma hora.
O fogo subiu tão alto que iluminou e aqueceu tudo ao redor instantaneamente. Talita descansou e os cachorros selvagens correram para fugirem do fogo. Ela se aproximou de Cesar exausta.
— E agora? O que vamos fazer? — questionou ela.
— O jeito é dormirmos aqui.
— Vamos ser devorados ao amanhecer.
Cesar pensou por uns instantes, ele ainda conseguia fazer magia, então precisava usá-la, olhou para o bastão, depois para o solo e teve uma ideia.
— Tero Dominis — Cesar andou e controlou a terra ao redor da fogueira para construir um muro qual pudesse escondê-los durante o sono.
Ele girou e girou por tantas vezes que quando parou, tudo ao redor continuou girando. Ficou por seis minutos fazendo um funil de terra e conseguiu formar apenas a metade.
— Descansa Cesar — pediu Talita.
— Preciso terminar, eu consigo — ele abriu o seu cantil e bebeu um longo gole de água até acabar.
— Está com fome?
— Não — na verdade estava, mas não se incomodaria, as suas vidas eram mais importante no momento.
Ele continuou a obra de levantar aquele muro uniforme em forma de funil até ficar completo.
Demorou mais seis minutos e quando acabou, o rapaz se deitou no colo de Talita e começaram a conversar sob a luz da fogueira.
— Você é o meu herói, sabia — disse Talita.
— E você é minha h*****a — retribuiu o rapaz.
O clima entre eles não estava muito intenso para se beijarem, então decidiram abrir um diálogo. Como estavam s*******o de tempo, conversariam até o sono chegar.
***
Talita acordou primeiro.
— Ah, meu Deus — ela se levantou de maneira assustada, mas continuou sentada no chão.
Os seus rostos estava cobertos por fuligem, e a luz do dia adentrava pelo furo do funil que era o teto daquela oca de terra petrificada.
— O que foi? — Cesar havia acordado também assustado, mas por Talita ter levantado daquela maneira. — Algum animal entrou aqui?
— Não, é que... Eu tive um sonho, foi isso.
— Como foi? — Cesar ficou mais tranquilo.
— Não me lembro direito, mas foi com a rainha sendo salva. Faltam seis dias para o regate dela, devo estar ansiosa.
— Então foi isso, volta a dormir — Cesar se deitou de volta no chão, apoiou a sua cabeça na bolsa de couro para não sujá-la de terra.
O cabelo de Talita estava a crescer e ela já estava pensando em cortar de novo.
— Que voltar a dormir o quê? Menino, já amanheceu.
— E eu ainda estou com sono? Só pode ser seis horas da manhã.
— Por quê?
— Estou acostumado a acordar sete, às seis eu ainda sinto sono.
— Tudo bem, mas temos que ir andando, vamos, a cidade está mais perto que antes.
— Mandona — murmurou Cesar ainda deitado.
— Você falou o quê?
— Nada — Cesar ficou de pé. — Já levantei, está vendo?
— Ótimo.
Cesar, usou o seu bastão e conjurou o feitiço Trarigardi para deixar a oca transparente, os feitiços dele demoravam muito para serem realizados.
Precisavam ver se o ambiente ao redor estava livre de animais, e ao que parecia estava tudo tranquilo. Ele abriu uma passagem e ambos saíram em rumo à cidade.
Dentro da bolsa não havia nada que pudessem usar para caçar ou defender-se, apenas umas lâminas que usaram para cortar as mangas e por sorte se depararam com bananeiras.
Comeram banana até ficarem enjoados e cheios, dessa vez, deu para guardarem um bocado para depois.
Depois da floresta, chegaram a uma vegetação rasteira com poucas árvores e logo após, um terreno árido cortado por um estreito riacho que circundava a chapada completamente murada na superfície plana, ali se situava a famosa Cidade dos Immunus, no centro naquela floresta.
Andaram por longos minutos até pararem no riacho que parecia ter água boa para beber, e beberam, pois, não tinham mais água no cantil e estavam com sede.
De longe eles avistaram aves a sobrevoarem pelo local. Pararam de frente para uma escadaria muito alta e perigosa que levava para a entrada dos portões da cidade.
— Chegamos. Ah! Que maravilha — comemorou Cesar.
— Quer dar um tempo antes de subir à escada? — perguntou Talita.
— Não, ainda tenho fôlego. Por quê? Você quer dar um tempo?
— Não, vamos subir.
Então seguiram.
Não sabiam qual era a altura daquela chapada, mas pararam no meio do caminho para beberem uma água e descansarem. Cesar se inclinou para ver o quanto subiram e o quanto faltava quando percebeu que as aves que sobrevoavam pelo local eram diferentes.
— Saia da beirada, Cesar. Se você cair, eu tenho certeza de que você morre. Depois de tudo o que passou e você morrer assim? Eu minto, digo que você lutou bravamente com um tiranossauro.
— Todo mundo vai acreditar, eu sou forte e corajoso — brincou Cesar.
— Muito bem, Incrível Hulk, vamos logo que o tempo é curto e esse calor está me matando, eu quero um banho.
— Vai na frente, Feiticeira Escarlate.
— Eu nem gosto de vermelho — falou Talita ao continuar a subir às escadas. — Eu gosto mais de preto. Poderia me chamar de Viúva n***a.
— Você é muito gótica para ser a Escolhida.
— Na verdade, sou emo, e os deuses já viram isso quando me escolheram. Espero me sair bem.
— Você, com certeza vai entrar para a história deste mundo, minha vida.
— Nós vamos, meu amor, creio que o futuro reserva surpresas para nós.
Continuaram em silêncio, decidiram poupar oxigênio para respirarem melhor. Mas quando, enfim, chegaram nos últimos degraus, viram que as aves, na verdade, eram pterossauros e se abaixaram imediatamente.
Eram pequenos, tinham um metro de altura e dois de envergadura, mas eram muitos e a maioria dormia.
— Sabe que criaturas são essas? — sussurrou Talita para Cesar.
— São Caiuajaras — respondeu o rapaz —, diferentes de alguns pterossauros, eles possuem cristas que vão da ponta do bico até à cabeça, parecidas com barbatanas. São lindos.
— E carnívoros. Como vamos passar por eles? Os portões estão logo ali e fechados.
Cesar olhou ao redor para pensar no que fazer e viu uma passagem pela lateral que podia ser fatal para eles se acontecesse qualquer deslize.
— Acredito que você não tenha medo de altura — disse o rapaz.
Não tinham escolha, precisavam atravessar, andaram pela lateral e temeram que algum daqueles bichos os visse e fosse responsável pela queda de um.
— Não olhe para baixo, você pode se desequilibrar — avisou Cesar.
— Eu não quero olhar para lugar nenhum, que dirás para baixo — disse Talita entre os dentes.
— Continue assim, estamos perto dos portões.
— Falta muito?
— Sim.
— E como é que estamos perto?
— Só queria te deixar mais tranquila.
— Não funcionou, para de graça que se eu cair eu te mato.
Cesar deu risadas.
— Você quer me m***r de rir.
— Cesar, isso não é hora — Talita falava entre os dentes, mas se controlava para não rir também.
Por um momento, tiveram que ficar imóveis, pois, um Caiuajara sobrevoou pelo campo de visão deles, qualquer movimento brusco chamaria atenção, fora que as suas roupas eram semelhantes a pelagem de algum animal.
O pterossauro sumiu e voltaram a caminhar. Felizmente, ninguém escorregou, nem tropeçou, nem houve sustos, estavam seguros.
Já perto da muralha e longe dos pterossauros, subiram para a parte plana e andaram cautelosamente até aos portões.
Demorou, mas chegaram e descobriram um único círculo centralizado com formato de botão achatado num orifício. Havia algumas escrituras ao redor.
— E agora? O que a gente faz? — questionou Cesar. — Eu não sei ler isso, você sabe?
— Acredito que devemos apertar o botão.
— Fique à v*****e, minha filha.
— Vai deixar esta responsabilidade comigo?
— Com certeza — Cesar olhou para trás. — E adiante que eu não quero virar comida de Caiuajara.
Talita inspirou e expirou bem devagar, tomou coragem e acionou o botão que entrou pesadamente mais para dentro do orifício.
Ouviram o mecanismo por dentro do portão fazer ruídos até a parte de cima, o último som foi o badalar de um sino, tão estridente que o eco fez os pterossauros voarem a formarem um nuvem carnívora no céu.
— Ah! Mas que m***a — xingou Cesar.
Talita e ele bateram no portão a pedir desesperadamente para que abrissem, óbvio que os pterossauros viram-nos. Talita se virou para ver o emaranhado de dinossauros voadores que foram atraídos para a direção de onde estavam.
— Eu não quero morrer, eu não posso morrer, eu não devo morrer — disse Talita consigo própria.
— A gente vai morrer sua doida, vamos sair daqui — gritou Cesar.
— Espera — pediu Talita enquanto as Caiuajaras se aproximavam.
Cesar não disse mais nada, simplesmente esperou ao lado dela, não podia contar com a magia, não seria muito útil no momento, então contaram com o Destino.
Antes que os pterossauros se aproximassem mais, um imenso dragão azul-ciano com as pontas das escamas douradas saltou por cima do portão e pousou na frente dos visitantes.
O dragão escamoso de quatorze metros de altura que parecia ser a mistura de proteu com crocodilo e morcego bramiu para as outras criaturas aladas que recuaram para longe para salvarem as suas vidas.
O dragão se voltou para os recém-chegados e falou:
— Eró, fúoxomd-zâ. Azdól féz páun? (Olá, viajantes. Vocês estão bem?) — a voz do dragão era masculina e de um senhor de sessenta anos, porém, firme e forte.
— Ele fala — observou Cesar. — Se ele for nos comer, que comece pela mais branca.
— Hei! — protestou Talita.
— Oh! São terráqueos — disse o dragão. — Como estão?
— Estamos bem, querido dragão — respondeu Talita. — Por favor, não nos devore, viemos em paz.
— Eu sei — disse o dragão —, e eu não devoro humanos, é uma raça de seres repleta de mácula. Mas vocês são diferentes, senti a luz dentro de vocês, ela é muito forte. Eu me chamo Tianlong. Quem são vocês e de onde vêm?
— Eu sou a Alita e este é o Rasec — apresentou Cesar. — Viemos do Brasil, em nosso mundo, para o Reino de Ic nos aperfeiçoarmos em feitiçaria. Tem mais coisas, mas a história é muito longa.
De repente, os grandes portões da cidade se abriram e saiu um homem bem velho, a sua pele era excessivamente retinha, usava túnica completamente branca e turbante, tinha uma barba pequena e alva como a neve, ele se apoiava num cajado branco cuja ponta superior era redonda com um espaço no meio que segurava uma esfera, da cor amarelo-ouro, por finos cordões.
Era o atual Sumo-Sacerdote do Templo dos Trealtas, era tão velho que andava envergado, os homens armados que o acompanhavam o ajudavam a caminhar.
— Vumór-nomául, jakól féz (Finalmente, vocês chegaram) — disse o senhor alegremente.
— Zál ár móin tá nímt ázd, Zibalúelutót Fééz, zál ár tá Terra, Brazil (Eles não são deste mundo, Vossa Superioridade, são terráqueos, do Brasil) — avisou Tianlong.
— Zál Terra zál Gorbis? Gíor rumkí voról ár. (Terra é Gorbis? Qual língua eles falam?)
— Portúgus rumkí, Zamúel Níí. (A língua portuguesa, Meu Senhor.)
— Ah! Língua portuguesa — O sotaque do ancião soou completamente europeu. Ele se aproximou dos viajantes e foi diretamente para Cesar, pegou nas mãos dele e disse: — Finalmente você chegou, estava esperando por você, mas a Luz me disse que o Escolhido viria de um lugar diferente e era uma pessoa diferente de todos os Escolhidos anteriores. Você me parece bem comum.
— É porque eu não sou o Escolhido — falou Cesar, depois apontou com a cabeça para Talita —, ela é.
O Sumo-Sacerdote ficou tão perplexo que soltou as mãos de Cesar no mesmo instante , olhou para Talita, depois para Cesar de novo. Enfim, andou até a garota e pegou em suas mãos.
— É verdade — confirmou o Sumo-Sacerdote. — A maioria dos Escolhidos foi homens de Sipritiah e Syanastiah, você é literalmente diferente de todos. Mas... — ele olhou para Cesar outra vez. — Por que você também é acompanhado pela Luz desta maneira? Por que você possui tanto poder mágico?
— Ele é um Allogaj, Sumo-Sacerdote — respondeu Talita.
O homem ficou tão atordoado que fechou os olhos para absorver aqueles relatos para tentar achar algum sentido naquilo tudo.
— Entrem, precisamos conversar — exigiu o ancião.
Talita foi levada de carruagem pelo Sumo-Sacerdote para um lugar dentro do Templo que apenas sacerdotes tinham permissão para entrar e Cesar foi levado para outro lugar. Por enquanto aguardaria numa pousada, depois iria para lá.
A Cidade dos Immunus se situava em cima de uma chapada, do seu centro minava um manancial de água potável que corria diretamente para o Templo que tinha uma arquitetura parecida com a Basílica da Estrela Ic, porém, era completamente branca e com pavimentos.
A cidade era muito grande e era completamente cercada pela muralha, apenas o Templo ficava encostado nela, ao redor era livre de casas.
Na verdade, havia mais espaço para fazerem muito mais casas. Haviam tão poucos habitantes, porém, a maioria se concentrava no centro onde ficava o manancial. Geralmente o lugar parecia ser desabitado.
Algumas pessoas que reparavam no Cesar ficavam apreensivos por causa do seu bastão mágico e das suas roupas, sabiam que era um feiticeiro e muitos tinham aversão a essa categoria de humanos.
Um único homem, carrancudo, teve a audácia de se aproximar e cuspir no chão perto dele depois de dizer:
— Unímt váuduzául. (Feiticeiro imundo.)
— O quê? Eu não falo a sua língua — disse Cesar para o homem, mas um dos guardas da cidade pegou em seu ombro amigavelmente a insistir que ele continuasse a andar.
Chegaram a uma pousada, era grande, vazia e bem arrumada. Uma mulher jovem de cabelos cacheados loiros estava atrás do balcão da recepção entediada e se alegrou ao vê-los. Saiu de detrás do balcão e se aproximou do pessoal.
— Ín velozdául, gá nolofurú. Táujól-féz genuké ár gá úl-ái gíutol tár kené zá omdáz-zál vurú níí. (Um forasteiro, que maravilha. Deixem-no comigo que eu vou cuidar dele como se fosse meu filho.)
A mulher parecia não se importar se Cesar era feiticeiro, pelo que ele julgou, ela não tinha visitas há muito tempo.
— Sebbeka, lobós ázd voról móin rumkí mééz, zál ár azbazúor, béuz, zál móin genín váuduzául. Táujol-dí ár oblasamdofár boló amgemdlól-zá gén Zín-Zozaltád (Sebbeka, este rapaz não fala a nossa língua, ele é especial, pois, não é um feiticeiro comum. Deixe-o apresentável para se encontrar com o Sumo-Sacerdote) — disse o guarda qual teve empatia por Cesar. Ele e a mulher dois se pareciam bastante.
— Betál-dí táujol genuké, Evuzúor (Pode deixar comigo, Oficial) — assegurou Sebbeka, Cesar percebeu uma certa i********e entre eles e imaginou que fossem parentes. Ela pegou Cesar pelo braço e o puxou para o andar de cima. — Fúl, lobós, úl-ár tól áun dí xáud. (Venha, rapaz, vou dar um jeito em você.)
Cesar foi conduzido para a parte de cima da pousada enquanto os guardas esperavam na parte de baixo.
Primeiro, Sebbeka o entregou uma muda de roupas novas, a caráter da Cidade dos Immunus, aquelas roupas especiais do Reino das Libélulas não eram bem vistas naquela comunidade, ou qualquer outra roupa que fosse de um reino já que todos eram de feiticeiros.
O rapaz foi levado para um privado onde ele podia tomar o seu banho, Sebbeka queria esfregá-lo com uma esponja na banheira, mas ele nem permitiu que ela ficasse ali.
Depois, Sebbeka o levou para o andar de baixo novamente onde ele faria uma deliciosa refeição, com direito a muita carne e ele não via a hora de se empanturrar. A mulher o assistia como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
Assim que terminou, a barriga dele pesou e ele se recostou na cadeira satisfeito. Em seguida bocejou e esticou os braços, imediatamente, Sebbeka se apressou em levá-lo para um quarto para dormir.
— Sebbeka, blazusól ár zál rafót boló dánbr, omdáz-betál ár telnúl orú (Sebbeka, ele precisa ser levado para o templo, ele poderá dormir por lá) — falou o Oficial.
— Táujol dí ár tazgomzól ín-béig, amvlamdól ár odá jakól ogú. Tafál ár azdól asóizd (Deixe-o descansar um pouco, ele enfrentou a floresta até chegar aqui. Deve estar exausto) — insistiu Sebbeka. — Fardól dí tá-ogú boló téuz eló-z. Ezbát mééz blazusól tá tazgomzól pozdómd. (Volte daqui a duas horas. O nosso hóspede precisa de descansar bastante.)
O Oficial não interferiu nos atos da anfitriã, Cesar percebeu e não entendeu por que ela tinha aquela autoridade, não sabia que ela era como uma Infanta naquela Cidade e dona da pousada, acima de toda realeza só havia os sacerdotes.