Estavam agora num imenso campo aberto, era muito extenso e não existia árvores, nem arbustos nem plantas de outra espécie a não ser grama, malmente se via uma pedra, se aquele campo fosse aproveitado, daria para a população de um reino inteiro se reunir ali.
Atrás deles e bem distante era que havia uma floresta temperada e tropical, e à frente estava uma Gigantesca Cúpula feita de um poeira de um tom amarelo-claro que parecia ser neblina, mas tinha uma consistência diferente.
A Cúpula parecia uma tampa de uma bandeja, porém, feita de uma poeira que permanecia estável naquele lugar.
— Esta é a famosa cúpula? É poeira? — comentou Cesar quando caminhavam em direção àquele fenômeno dorbiano.
— O que você esperava, vidro? — brincou Talita.
— Na verdade, algo mais sólido, impenetrável.
— Acho que não seria tão necessário, lá a magia se desfaz, tudo procede de acordo com o natural. Não sei no seu caso, já que você não tem tantas limitações.
— Confesso que senti a magia perder força desde que começamos a andar em direção à Cúpula.
— Também senti, acho melhor a gente pegar os nossos bastões.
— Por quê? — questionou Cesar a procurar pelo objeto em sua bolsa.
Os bastões estavam diminutos, assim que pegaram, eles cresceram para o tamanho original sem mesmo terem conjurado o feitiço Miniaturo.
— Por isto — falou Talita no momento conveniente.
— Ah! Então tudo o que for encantado perde o encanto, e a gente nem chegou perto da Cúpula ainda — Cesar pensou por uns instantes. — Por que as pessoas amaldiçoadas não vêm para cá? Pela lógica, a maldição se desfaria.
— Geralmente, um amaldiçoado nem pode se distanciar do local qual recebeu a maldição, faz parte do Protocolo aprovado pelos Anciões, alguns conseguem, mas é difícil não serem identificados, amaldiçoados nunca ganham permissões para atravessarem as Fronteiras, além de tudo, não seria prudente virem para cá para tentarem viver em paz, nunca a teriam. Tanto fora quanto dentro da Cúpula é muito perigoso para uma pessoa comum.
— Que coisa! Este mundo é cheio de regras. Não devia ser assim, o nosso mundo quando passou pelo período medieval era mais selvagem que civilizado.
— Não fala besteira Cesar, dê graças que é assim. É porque você ainda não conhece o lado sombrio. Este mundo é bem parecido com o nosso, a diferença é que a magia se realiza de maneira fantástica. Se não houvesse regras, o caos seria dominante e o caos é terra para os Treumilas pisarem.
— Qual o problema com estes Treumilas? São como demônios?
— Acho que piores, mas é melhor não falar sobre eles, dá azar, ninguém fala, aprendem apenas o necessário.
— Pior que demônios? Deixa para lá, nem quero mais saber.
Chegaram, agora estavam bem próximos à Cúpula, ficaram parados a tomarem coragem para atravessar. Cesar passou os dedos pela poeira estável, não dava para senti-la, então ele balançou a mão mais forte e fez um buraco que se recuperou como se fosse constituído de memória genética.
Talita respirou fundo.
— Vamos? — ela estendeu a mão para ele segurar.
Cesar segurou a mão da Escolhida e disse:
— Vamos.
Atravessaram a barreira de poeira.
Andaram pelo nevoeiro estável às cegas, não dava para enxergar nada, apenas um ao outro não muito bem e a grama verde sob os seus pés. O medo de se esbarrarem em alguma coisa era fato.
A bolsa de couro pesou, pois, todos os encantamentos se desfizeram. A falta de se sentirem norteados os preocupava. Tudo parecia perdido até chegarem ao outro lado e se depararem com outra floresta. O céu não era azul, mas a luz era tão natural que parecia haver um sol lá dentro.
Agora, tudo estava normal e tranquilo. O puro ar, o som da floresta, a brisa da manhã, o clima quente, cada detalhe trazia uma regozijo inexplicável.
— Aqui não parece ser tão perigoso...
— Cesar! — gritou Talita a interrompê-lo.
Com o bastão, Talita apontou para o lado esquerdo do rapaz, uma enorme ave peluda de asas pequenas corria na direção deles.
A ave não podia voar, mas tinha pernas muito grossas quais utilizava para imobilizar as suas presas e depois matá-las com o seu poderoso bico de quarenta e cinco centímetros. Ela tinha dois metros e trinta centímetros de altura e mais de duzentos quilos, seria impossível enfrentá-la.
— Ai! Meu Deus, é um Kelenken — foi a vez de Cesar de gritar. — Corre! — ele segurou firme na mão de Talita e correram o máximo que puderam para dentro da floresta.
— Como você sabe que criatura é esta? — indagou Talita.
A corrida a impedia de falar naturalmente.
— Depois a gente fala sobre isso, mulher — gritou Cesar.
O Kelenken perseguiu o casal, as árvores atrapalhava a sua locomoção, pois, era boa em caçar em locais abertos e os obstáculos atrasaram o Kelenken.
Os jovens passaram por uma trilha por dentro da floresta qual desconheciam até encontrarem uma árvore qual podiam escalar. Talita, não era tão ágil como Cesar, mesmo a parecer fisicamente preparada, mas não havia como ela subir na árvore sem que fosse pega pelo animal.
— Cesar — disse Talita a chamar atenção dele que escalava pelo tronco como um lagartixa.
— Talita, vamos — desesperou-se Cesar.
— Não vai dar tempo — respondeu ela.
O Kelenken os encontrou, a criatura grunhia para Talita e se preparou para atacá-la.
— Não! — berrou Cesar assim que o Kelenken avançou. Cesar pulou do tronco, deu uma cambalhota no chão e abraçou Talita pela frente a ficar de costas para o animal.
Ele se sacrificaria para salvá-la, o Kelenken pegaria ele ao invés dela e daria tempo de ela fugir. O golpe letal do animal iria feri-lo, Cesar tinha tamanho e peso o suficiente para a ave fazer a sua refeição sem precisar dela.
Por alguns segundos ele esperou pelo pior e de olhos fechados, mas nada aconteceu, tudo o que se ouvia era uma respiração pesada.
Cesar abriu os olhos devagar e entendeu que a criatura não os atacou, depois soltou Talita e se virou para saber o que aconteceu.
A garota estava com o braço esquerdo estendido para a face do animal que ficou imóvel como se estivesse sido hipnotizado.
— Talita, como você...
— Privilégios de uma Escolhida — disse Talita antes que Cesar terminasse a sua pergunta. — Não se admire, ainda estou aprendendo.
— E agora, o que vamos fazer?
— Vou deixá-lo assim, imóvel, o meu poder sobre ele vai continuar sustentado enquanto eu manter contato visual e concentração. A gente se afasta bem devagar para eu não me desconcentrar até ficarmos bem distantes, depois a gente corre de novo. Está bem? Ele vai ficar um pouco desnorteado, isso vai nos dar vantagem.
— Certo — confirmou Cesar.
Eles começaram a andar de costas bem devagar, deram seis passos para trás, no sétimo, ouviram um som de galhos sendo quebrados, algo se rastejava naquela direção.
Olharam para trás lentamente e nada podia fazê-los querer correr para o Kelenken do que uma gigantesca serpente a se erguer, tinha vinte metros e pesava mais de uma tonelada. Era uma Titanoboa.
— Só pode ser brincadeira — comentou Cesar.
A Titanoboa caiu de boca no Kelenken imobilizado, tudo o que a ave pôde fazer foi soltar um grunhido como se fosse uma galinha assustada.
Talita e Cesar se jogaram no chão, cada um para um lado da cobra, depois se levantaram e se olharam, não podiam ficar para assistir o espetáculo. Correram como se o mundo fosse se acabar naquele instante.
— Essa cobra não tem fim? — indagou Talita.
— É uma Titanoboa, meu amor, só corre — respondeu Cesar.
Mas para o seu prejuízo, a gigantesca serpente, ainda a terminar de engolir a ave, se voltou para os aventureiros. Ela tinha um faro muito potente e estava faminta por mais.
— Cesar, problemas — disse Talita.
Mesmo distante, a cobra poderia os alcançar, apesar de lenta, era grande e se movimentava sem dificuldade. Tudo o que tinham que fazer era correr até despistá-la.
De repente, Talita pisou em falso e escorregou por uma ribanceira, Cesar tentou segurá-la, mas acabou caindo junto. O bom daquilo era que a serpente parou de segui-los, mas acabaram caindo em um rio bastante agitado.
A correnteza os separou, Talita ficou distante de Cesar e isso o preocupou. Ele não percebeu no momento, mas a sua bolsa começou a inchar e a comida escapar pela a******a. Os cogumelos especiais foram levados pelas águas.
— d***a! — praguejou Cesar, nem sabia com o que se preocuparia mais.
Cesar não parou de gritar pelo nome de Talita uma só vez, se ele estivesse sozinho, não se sentiria tão vulnerável como estava a se sentir agora.
O rio os levou por exatos oito minutos até pararem numa margem menos agitada. Talita havia saído primeiro, depois o Cesar. Em seguida se abraçaram.
— Vamos ter que nos amarrar um ao outro agora — sugeriu Talita com graça para ficarem menos tensos.
— Este lugar é um inferno tropical — falou Cesar. — Já quero ir embora.
Talita sorriu.
— Ainda nem começou.
— O quê? Como você consegue sorrir? Não, filha, estou sem tempo para isto.
— Vamos continuar seguindo, resmungão. Precisamos prosseguir com o plano.
— Na moral, Talita, estou impressionado com a sua disposição — Talita deu um sorriso sem graça de ele percebeu. — O que foi?
— Eu é quem estou impressionada com a sua coragem — a sua voz soou melosa como se ela estivesse a contar uma história dramática. — Você salvou a minha vida, nunca me senti tão grata — Talita estava prestes a chorar, mas Cesar a abraçou.
— Não fala bobagens, Talita, você que nos salvou, se não fosse por você, poderíamos estar mortos.
— Ou você poderia estar morto, Cesar, eu teria fugido se não tivesse a benção de uma Escolhida. Você não tem noção do quanto isso é significativo.
Agora, Cesar quem brincou para cortar o clima triste.
— Significa que o Kelenken ia me comer, mas eu ia travar o meu osso bem no meio da garganta dele, nós dois iríamos morrer.
— Para, menino bobo — Talita limpou as lágrimas com as mãos que m*l saíram dos olhos. — Precisamos nos situarmos, o mapa ainda está inteiro?
Cesar abriu a sua bolsa para vasculhar.
— Não, só sobraram alguns objetos, os papéis e a comida foram embora.
Talita abriu a sua bolsa.
— Aqui também — ela tinha uma pequena bolsa de couro amarrada na cintura e a segurou para Cesar vê-la. — Pelo menos, a permissão para retornarmos está aqui intacta.
— Vamos sempre protegê-la. Agora, como faremos para chegarmos nesta cidade deste lugar desgraçado?
Talita não resistia e gargalhava com os comentários do rapaz.
— O jeito vai ser você subir numa árvore e procurar.
— Pelo quê? O caminho qual a gente pode morrer mais rápido?
— Não, garoto, — ela riu. — Veja se consegue identificar uma muralha de pedra, não tem como você não perceber, ela é muito grande e você enxerga muito bem agora que eu sei.
— Hum! Paparazzi — falou Cesar debochadamente, ele se prontificou para subir numa das árvores qual ele julgou ser mais fácil de escalar. — Espero que não tenha nenhum animal aqui em cima, senão eu não vou me responsabilizar pelos meus atos. O Ibama que me perdoe — demorou um pouco, mas ele enxergou, bem longe havia uma muralha construída numa chapada, e desceu. — É por aqui mesmo. — Cesar apontou para uma direção de frente para a margem do rio qual eles acabaram de sair.
— Vamos lá. — Talita foi na frente. Destemida como sempre.
***
Cesar e Talita caminhavam pela trilha desprovida de vegetação naquela floresta, não estavam mais tão tranquilos como quando chegaram, de qualquer modo, foram avisados sobre os perigos que poderiam enfrentar e depois da demonstração de perigo qual quase custou as suas vidas, ficaram mais atentos.
Os seus bastões estavam segurados na cintura por uma espécie de bainha e as suas bolsas não estavam tão pesadas como antes.
— Cesar, você conhece os animais daqui? — perguntou Talita baixinho.
Ela não conseguiria andar por tanto tampo ao lado de um pessoa em silêncio, gostava de conversar para esvair a tensão.
— Não todos, é que eu amo animais, a Naty me deu um livro falando sobre eles — respondeu o rapaz.
— Estou impressionada como você aprende tão rápido.
— Só pelas coisas que me interesso.
Talita olhou para cima, ainda dava para ver o sol fosco no céu ocultado pela poeira. Na verdade, aquela região inteira é que estava oculta para os de fora.
— Há quanto tempo será que os Immunus não vêem o sol e a lua? — Talita pensou alto.
— Desde sempre? — sugeriu Cesar.
— Sim — Talita sorriu —, mas a cidade dos Immunus nem sempre existiu, um antigo Sumo-Sacerdote protegia apenas o Templo dos Trealtas com a magia do Coração do Noldá como sempre foi, por mil anos, então o sucessor não se contentou e expandiu para uma cidadela que acolheria os Immunus, a ideia foi do antigo que pediu para o sucessor realizar o projeto, e nessa ideia de expandir a p******o, a floresta inteira foi separada de todo o resto do mundo e se mantém há trezentos anos, o atual Sumo-Sacerdote garente esta manutenção.
— Agora, será mantido por você — Cesar sorriu para Talita com orgulho.
— Não me olhe assim, eu ainda não fiz nada de especial — Talita tinha convicção de que era uma Escolhida, mas não tinha certeza se faria o seu papel de Suma-Sacerdotisa tão bem. — Eu só queria entender por que você também conseguiu ver e ouvir a Luz? Isso é uma característica de um Escolhido, mas você é um Allogaj sem dúvida.
— Ah! Por isso as meninas pensaram que eu era o Escolhido.
— Por isso e por ser homem, enfim, o que aconteceu com você não aconteceu com mais nenhum feiticeiro das luzes.
O papo foi cortado, pois, a trilha acabou, hora de encarar a floresta de novo onde os animais viviam e sobreviviam. Era como entrar num covil de cobras.
— É... — Cesar respirou fundo. — Vamos tentar não morrer, parece que tudo depende de nós agora.
— Cesar, você não quer tentar fazer magia? — sugeriu a garota.
— Verdade — Cesar não tinha pensado naquilo, a magia estava tão longe que ele praticamente esqueceu que era feiticeiro — ele tirou o bastão da bainha e conjurou a luz. — Lumo.
A Pedra de Vírnam não respondeu. Cesar tentou pela segunda vez, com mais veemência e uma luz se projetou, foi sustentada por alguns segundos até ficarem satisfeitos com a ideia de que teriam luz quando anoitecesse.
O Allogaj entendia o quão longínqua estava a cidade para eles, tinham água no cantil, mas precisavam de comida para repôr as sua energias e precisavam pensar em como sobreviver uma noite ali.
Caminhavam em passos longos e cautelosos, não sabiam o que poderiam enfrentar, mas uma coisa boa surgiu em meio ao desespero.
Uma árvore bem alta de caule grosso e galhos firmes se destacava em meio a tantas outras, era uma mangueira e estava enfeitada por causa das suas grandes mangas maduras.
— Cesar, olha — avisou Talita.
— Ô, glória! Manga. Vamos m***r a fome.
Atravessaram o matagal e se aproximaram da árvore, mas não faziam ideia de que havia outra criatura que também queria m***r a sua fome.
Cesar percebeu e puxou Talita para ficarem atrás da árvore para se esconderem, um Estauricossauro se alimentava de um filhote morto de preguiça-gigante.
— E agora? — sussurrou Talita.
Cesar pediu com o dedo indicador na frente da boca para ela fazer silêncio, ele apontou para cima e posicionou as mãos no joelho para que a garota pisasse e se agarrasse ao galho mais próximo. Talita entendeu e assim fizeram.
Um Estauricossauro era um dos velociraptors mais antigos, ele media um metro de altura e dois metros de diâmetro, eram ótimos caçadores e viviam em bando, mas não era incomum apenas um caçar e se alimentar sozinho.
Talita tinha força para se agarrar no galho, subiu como uma primata e se protegeu mais para dentro da árvore, ali ela estava a salvo.
Era a vez do Cesar, ele não alcançava o galho e nem queria que Talita o ajudasse, então entregou a ela a sua bolsa e o seu bastão e se distanciou para tomar impulso, pois, correria e saltaria para o galho.
Ele mediu distância e velocidade para que conseguisse chegar até ao galho na primeira tentativa, mas antes que pudesse dar um passo, o Estauricossauro apareceu no lado da árvore qual eles estavam, parou bem embaixo do galho e Cesar quase tropeçou e caiu.
— Não! — Talita segurou o grito a pôr as mãos na boca, mas o animal a olhou rapidamente, depois se voltou para Cesar como se estivesse entendido tudo.
O velociraptor se aproximou bem devagar de Cesar e o garoto andou para trás, era menor que ele em altura, mas era mais perigoso por causa das presas e das garras, Cesar não tinha o seu bastão, não tinha um a**a, precisava se virar com o que encontrasse, e encontrou um galho caído, poderia usá-lo para afastar o animal.
— Sai, bicho f**o — disse Cesar a tentar espantá-lo com o galho, mas o animal sibilou para ele. — Péssima ideia — disse consigo próprio.
— Cesar — gritou Talita, ela queria ajudar, mas ele a impediu.
— Fique aí, esses daqui são muito espertos, deixa que eu resolvo — Cesar gritava para que Talita ouvisse, não era prudente, pois, outros animais poderiam ouvi-lo.
O velociraptor correu para atacar o Cesar mas o rapaz foi ágio e o acertou bem na fuça. A criatura cambaleou e caiu no mato, mas levantou-se rapidamente a choramingar, ele não correu, apenas bramiu como se estivesse a chamar por outros.
Cesar correu, não largou o galho, porém, não conseguiu chegar perto da árvore, mais três velociraptors apareceram e o cercaram. Cesar apontava o galho para os animais como forma de p******o. Eles sibilavam e mostravam as presas, a pressão de sua mordida poderia rasgar a carne facilmente.
— Sai! Sai! — Cesar não tinha como fugir, o quarto velociraptor se aproximou para dar o bote pelas costas e ele não veria.
— Já chega — disse Talita, estava prestes a descer da árvore quando os animais se assustaram e ficaram irrequietos.
Como se fosse uma emboscada, outra criatura, porém, gigante, de pelagem cinza escura surgiu do matagal e socou o velociraptor que havia sido atingido por Cesar o pressionando contra o chão e o matando na mesma hora.
A criatura tinha seis metro de altura, ela pegou o velociraptor e o arremessou para longe. Cesar pensou que os outros iriam correr para se salvarem, mas eles sibilaram para o gigante e o atacaram.
A criatura gigante era uma preguiça, provavelmente pai da que foi morta e era mais rápida do que imaginavam.
Esta seria a chance de Cesar correr para a árvore, ele correu, contudo, mais uma preguiça surgiu, foi o que o atrapalhou dessa vez.
A preguiça-gigante apareceu atrás da árvore e correu em direção ao parceiro que estava sendo atacado pelos velociraptors, Cesar estava no caminho, então voltou para a outra extremidade e se jogou na mato.
A outra preguiça urrava e apertava os Estauricossauros para tentar esmagá-los com as patas.
A primeira preguiça-gigante se desequilibrou e caiu bem onde Cesar estava jogado, ele rolou para o lado e um dos velociraptors quase caiu em cima dele, ficou do seu lado a se debater por causa dos ossos quebrados.
A outra preguiça, desajeitada, se aproximou novamente, Cesar se afastou e ela pisou no velociraptor como se ele fosse uma banana.
Havia mais uma oportunidade de fugir, enquanto as preguiças matavam os predadores, Cesar corria para a árvore como se fosse o lugar mais seguro para ele.
— Cesar, não — gritou Talita.
A preguiça, que parecia ser a fêmea, o seguiu e o pegou antes que tocasse no caule, ela o suspendeu até ao rosto e o apertou, eram criaturas inteligentes e pacíficas, mas estavam revoltadas pelo filhote.
O animal gigante analisou o Cesar antes que fizesse qualquer coisa, ele permaneceu imóvel e tentou não demonstrar que estava sentindo dor, nem mostrou os dentes.
Por fim, a preguiça olhou para Talita, depois se voltou para Cesar. Eles nem perceberam que as suas roupas eram da mesma cor que a pelagem delas.
O animal gigante, então, colocou Cesar ao lado de Talita tranquilamente e se voltou para o seu filhote. O outro, que estava ferido, mas passava bem, também se aproximou para lamentar a morte da cria, pelo menos, mataram os velociraptors.
— Você está bem? — perguntou Talita ao abraçar o seu parceiro.
— Não se preocupe, não me machuquei.
— Da próxima vez, deixe eu ajudar, você pode entender de animais, mas eu sei controlá-los.
— Da próxima vez? — perguntou Cesar preocupado, mas falou com graça para fazê-la rir.
Funcionou.
As preguiças foram embora depois de um tempo e o casal colheu mangas para comerem.
As frutas eram muito grandes, cada um comeu uma e dividiram outra, estavam satisfeitos, depois descansaram. Para a sua surpresa, as preguiças voltaram, estavam mais calmas e subiram na árvore para também comer mangas, a árvore tremeu mas continuava firme, como se fosse feita para elas.
Permaneceram ali, em comunhão com os animais. Não havia mais perigo no momento.
— Cesar, precisamos ir, não podemos ficar aqui o dia todo — avisou Talita.
— Será que tem como a gente levar algumas mangas? — ele próprio refletiu sobre a ideia. — Aliás, não, muito peso.
— A não ser que... — Talita olhou para as preguiças.
Foi assim que seguiram caminho, Talita controlou os animais que encheram as mãos de mangas e cada uma carregou um humano no ombro porque ela andavam sobre as patas traseiras como bípedes.
— Melhor transporte — brincou Cesar em cima da preguiça fêmea a olhar para Talita.
— É o que temos — respondeu Talita na preguiça macho.
— Por quanto tempo consegue mantê-los focados?
— Não sei, nunca testei os meus limites.
— Espero que isto seja ilimitado.
— Pior que não é. Eu sinto.
— Então não se esgote.
— Fique tranquilo, eu apenas coloquei confiança neles sobre nós e os fiz andar no caminho certo, se se desviarem, eu faço com que voltem e continuem.
— Faça elas pararem de comer as nossas mangas, esta daqui toda hora come uma. Esfomeada.
— Deixa de ser egoísta, Cesar, tem bastante — Talita não se controlava com ele, sempre ele a fazia rir, mesmo em momentos inapropriados.
— Não quero saber — Cesar se voltou para o ouvido da preguiça. — Pare de comer, morta de fome.
A preguiça fêmea produziu um som como se estivesse a resmungar.
— Ouviu, ela não gostou da reclamação — brincou Talita.
— Deus é mais! — exclamou o rapaz.
Seguiram na trajetória com muitos risos e muita conversa, mas como esperavam, os minutos de paz chegariam a mais um fim.
Precisavam atravessar um extenso rio da cor do barro e de correnteza branda para continuarem o percurso, as preguiças se recusaram a entrar, mas Talita usou todo o seu poder para controlá-las.
As preguiças tiveram que passar pelo rio sobre as duas patas, pois, o rio era fundo, eram ótimas nadadoras, mas Talita não sabia dessa informação e as controlou da sua maneira. Ficaram segurados nos ombros dos animais hipnotizados.
— Será que tem algum animal aqui? — questionou Cesar.
— Vamos torcer para que não — respondeu Talita. — Geralmente, as lagoas são como berços para vida aquática... — Talita não pôde terminar a sílaba porque assustou-se de tal maneira que o ar entrou nos seus pulmões a causar fricção na garganta.
Um crocodilo imperador saltou da água e mordeu o ombro esquerdo da preguiça as derrubando na água, Talita estava no outro ombro. O crocodilo imperador passou bem perto de Cesar que também estava no ombro direito da preguiça qual montava.
— Talita — gritou Cesar.
A sua preguiça-gigante despertou do domínio da Escolhida e ficou atordoada sem saber por que estava naquele rio.
Tudo aconteceu tão rápido e tão lento ao mesmo tempo, estar no meio de criaturas gigantes era confuso. De repente, outro crocodilo imperador apareceu, porém, atrás da preguiça de Cesar, sem hesitar, ele escorregou pelo ombro e o predador avançou com a cabeça de lado para abocanhar o pescoço da criatura. O rapaz acabou caindo nas costas do primeiro crocodilo.
Os crocodilos imperadores mediam doze metros de altura e a pressão da sua mordida era de três toneladas. As preguiças não tiveram chances para sobreviver.
Talita continuou agarrada à preguiça que pintava o rio com seu sangue. Cesar tentou se levantar nas costas do animal que voltou para dar outra mordida, a sua mandíbula era enorme e poderosa, ele estraçalhou e engoliu o braço da preguiça sem muito esforço.
A garota ficou muito triste aos ver as preguiças serem devoradas pelos répteis de água doce.
— Ah, não! — lamentou.
— Talita sai daí — berrou Cesar.
O crocodilo imperador já estava com a bocarra aberta, Talita soltou a preguiça, só deu tempo de fazer aquilo para o réptil arrancar o outro braço.
Cesar saltou daquele animal pré-histórico na água para perto dela, assim que imergiu, nadaram para que chegassem juntos até à margem. Saíram pesados pelo esforço de terem nadado com tanta roupa e adereços.
— Vamos logo embora daqui antes que apareça outro animal — comentou Cesar.