Em Uberlândia, às cinco horas da manhã, Valéria, de vestido de cetim e de sobretudo, ambos pretos, reclamava que o ar-condicionado do hospital estava a fazer muito frio, a enfermeira se recusou a diminuir o grau e com muito ódio, Valéria fez o objeto dar um curto circuito e parar de funcionar. A p***e da enfermeira nem soube o que aconteceu.
Na sala de espera o médico disse que era para Valéria voltar para casa, pois, ela não iria dar à luz agora, que iria demorar um pouco, a grávida apenas sentiu uma contração muito forte, não teria um bebê prematuro.
Apesar de ela sentir contração com um bebê que ainda não estava pronto para nascer, ela estava mais saudável que qualquer outra gestante comum.
Valéria estava acompanhada por Alejandro, Sarah e Pétala qual estava com cara de sono, mas insistiu em ir junto. Antes de atravessar a porta do hospital, se depararam com Colette a sair de dentro do seu carro às pressas para ver a sua filha.
— Valéria, o que houve? Alarme falso?
— Foi alarme falso, o médico mandou eu voltar para casa — respondeu a gestante.
— Filha, você está de quantos meses, afinal?
— Eu sei lá, nunca contei essa m***a — Valéria deu de ombros, ela e Alejandro estavam em Dorbis quando tiveram o primeiro coito. — Mas o médico disse que estou de seis meses, não parece que é só isso.
— E já está sentindo contrações? Eu acho melhor você ir ficar lá em casa, moramos perto de um hospital muito melhor — insistia a futura avó. — Fora que você vai ter mais segurança, mais comodidade, mais assistência.
— Colette, não precisa.
— Por favor, minha filha, eu vou me sentir mais tranquila.
— Você sabe que Gade não vai gostar nada disso...
— Ele não está mais bravo com você, reconheceu que te provocou e não deveria ter dito aquelas coisas porque você está grávida. Ele não conhece o emocional de uma mulher grávida.
— Ele reconheceu ou você fez ele reconhecer?
— Isso não faz diferença, minha filha.
Valéria respirou fundo.
— E o Alejandro e a Sarah?
— Como assim? Lá tem quartos de hóspedes. Venha, por favor, ou eu vou ir te visitar todos os dias. Gade prefere que você venha, acredite.
— Então, está bem, preparem um quarto para Sarah, Alejandro vai dormir comigo, querendo ele ou não.
— Ele não vai se opor, eu garanto.
— Não será necessário arrumar um quarto para mim — disse Sarah. — Vá, Valéria, e que o Alejandro vá com você. Eu vou ficar na casa sozinha mesmo, não faz medo.
— Também, alguém tem que tomar conta da loja — avisou Pétala. — Anne e eu não damos conta.
— Como sempre — Valéria se voltou para a sua mãe. — Tudo bem, hoje à noite você vai lá em casa me buscar, estarei pronta às sete.
Colette comemorou alegremente e deu um leve abraço na filha.
— Estou tão empolgada com este bebê, minha filha. Me diz aí, é menino ou menina? Você nunca me contou.
Valéria deu um sorriso de canto de boca a fazer suspense para a mãe. Fez o ultra-som há poucos dias.
— É menino.
Colette comemorou ainda mais, Valéria sentiu vergonha alheia e pediu para ela parar de saltitar como uma criança.
— É menino, minha filha, menino — ela pôs as mãos na boca. — Estou tão feliz.
Valéria também estava feliz, nunca tinha se sentido daquele jeito antes, nunca passou pela sua cabeça que seria mãe algum dia.
Ela queria ter aquele bebê, ela se importava muito com o fruto do seu ventre, não se importava muito com o marido, ela gostava bastante dele, mas não o amava.
Valéria era a única que sabia dirigir, mas pela situação dela tiveram que chamar um táxi para o hospital. Colette implorou para levá-los embora no carro dela e não recusaram.
Alejandro foi na frente com Colette que tentava conversar com ele a todo custo, ela passou a tomar aulas de espanhol e queria fazer bom uso da aprendizagem, aprendeu a falar inglês e português fluentemente, pois, tinha nacionalidade francesa.
As meninas foram nos bancos de trás, Valéria ficou no lado direito, Sarah no lado esquerdo e Pétala no meio. Quando chegaram em determinada rua, Pétala reconheceu uma transeunte e segurou um susto.
— Valéria — ela falou entre os dentes —, olha aquela mulher lá na frente de saia preta e blusa social.
— Sim, o que tem ela? — respondeu Valéria.
— É a mãe de Asqueva.
— O quê? — sussurrou a Allogaj. — Tem certeza?
— Eu nunca me esqueço de um rosto.
Pétala tinha invadido a casa de Asqueva meses atrás quando ela ainda estava viva e manipulava Valéria.
A mulher que Pétala vira era exatamente a mesma que fez a mãe de Asqueva para forjar a sua mentira e se infiltrar por entre os humanos comuns sem que levantasse suspeitas.
— Mãe, para o carro — gritou Valéria.
— Ai! Valéria, que susto. O que foi? — disse Colette parando o carro bem devagar e a encostar onde dava para estacionar.
— Rápido! Eu preciso ver uma coisa, urgente — Valéria, tirou o cinto de segurança e saiu do automóvel.
— Vai aonde, minha filha. Alejandro, vá com ela — pediu Colette.
— Ah! — exclamou Valéria com o dedo indicador erguido. — Ninguém mova um músculo, eu já volto.
Valéria tinha o seu bastão mágico em miniatura na mão e o usaria sem medo. Ela deixou a todas preocupadas ao atravessar a pista com os carros a passar e a frear imediatamente. Um dos motoristas a xingou de maluca.
Ela seguiu a mulher como se fosse uma criminosa pronta para assaltá-la e para ela, a mulher nem fazia ideia da perseguição.
A rua não estava tão movimentada, àquele horário da manhã as únicas pessoas nas ruas eram as que faziam exercícios, ou as que estavam indo trabalhar, ou estudar, e pelas vestes e bolsa, Valéria deduziu que a mulher estava indo ao trabalho.
Ao chegar mais perto, a dobrar a esquina, Valéria sentiu uma energia emanar da mulher que parou de andar e se voltou para trás.
A mulher arregalou os olhos ao ver aquela jovem pálida, quase anêmica, cheia de tatuagens, olhos azuis esbugalhados e totalmente vestida de preto a encará-la.
— Eu senti a sua energia, garota — disse a mulher. — Você é feiticeira das trevas, não é?
Valéria fez o seu bastão mágico aumentar para o tamanho original no meio da rua. Sorte ninguém ter testemunhado, mas a garota não se importava com aquilo. A mulher deu um passo para trás assustada.
— Se tentar qualquer coisa eu faço você perder os movimentos do corpo em um piscar de olhos — ameaçou Valéria.
— Pelos Trealtas, o que você quer? Eu não estou envolvida em nada com o mundo dos mágicos, só quero viver a minha vida como uma pessoa comum...
— Cala essa boca, eu quero que você ande até encontrarmos um lugar adequado para conversarmos. Não vou fazer nada enquanto você não me obedecer.
— Tudo bem, eu vou — disse a mulher já nervosa.
— E não tente nada, se você não me conhece, não sabe do que sou capaz.
Ambas andaram pelas ruas conhecidas até encontrarem uma viela entre dois prédios, vazia de pessoas.
— Onde você conheceu Asqueva? — perguntou Valéria ao virar a mulher abruptamente para ela.
— Ai! Meus deuses. Eu sabia que aquela menina iria me trazer problemas depois. Escuta, eu não a conheço, eu nem sei de que lugar aquela menina é oriunda, eu não sei nada sobre a vida dela. Ela sentiu que eu era feiticeira e conversamos sobre coisas em comum, mas acredito que ela me manipulou e me pediu para eu permitir que ela fizesse uma cópia minha com o feitiço Duobligi Vin, eu permiti e até hoje não sei para quê ela usou a minha imagem. Eu já te peço desculpas, não sei mesmo o que houve entre vocês e a minha cópia. Eu fui muito trouxa.
Para Valéria aquela mulher parecia estar dizendo a verdade, e a se tratar de Asqueva, o que ela disse fazia todo o sentido. A grávida suspirou.
— Você permitiu que ela sustentasse a sua cópia por tanto tempo. Para isso, teria que estar perto dela e fazer isso várias vezes — argumentou Valéria.
— Sim, eu moro perto do casarão que ela invadiu para morar por um tempo. Eu entrei lá uma vez, não tinha nada demais, só um livro mágico qual ela havia escrito o próprio nome na capa.
— Um livro mágico? Grandes coisas, não funciona com feiticeiros.
— Aquele era muito poderoso, eu senti.
— Você não deve estar acostumada com poder. O que sente de mim agora?
— Muito poder também. O que você é?
— Uma Allogaj.
— Uma o quê? — a pergunta daquela mulher fez Valéria sentir uma enorme decepção, só queria ver alguém com cara de espanto novamente quando descobria que ela era pura magia.
— Ah! — resmungou a grávida e deu às costas para ir embora. — Adeus.
— Espera — pediu a mulher. — Não conta para ela que fui eu quem te falei essas coisas, não tenho poder para enfrentar feiticeiras prodígios.
— Não se preocupe — gritou Valéria a continuar a caminhar. — Posso te garantir que ela está morta.
E foi embora.
***
Faltavam quatro dias para o resgate de Zadahtric.
Cesar acordou no seu quarto no Castelo do Reino das Libélulas bem cedo, aproveitou que havia alguns livros na estante e começou a lê-los.
Depois cansou de ficar no quarto, a ansiedade o consumia, então desceu para passear pela cidade, tomar um ar, pegar uma brisa, tinha passe livre pelo Reino.
Andou para fora do Castelo e foi até à pedra seixo, na superfície da ribeirinha, onde poderia abrir portais. Ao olhar para a pequena cidade, usou o seu bastão e transportou-se para lá.
O comércio estava aberto e movimentado, havia muitas carroças com frutas e legumes, temperos e cereais, muitas barracas com artesanato, muitas mercadorias à venda.
A medida que andava, as pessoas o reverenciavam de maneira peculiar até ele próprio lembrar que as suas vestes eram típicas de um sacerdote.
Em alguns minutos a passear, com a estranha sensação de que estava a ser seguido, a sua barriga roncou, pensou que estava muito cedo para sentir fome, mas na verdade estava s*******o de tempo.
Cesar ouviu uma risada atrás dele e se virou imediatamente. Deparou-se com uma garota branca de enorme e belo par de olhos, era a Fabiana e ela o ofereceu uma guloseima.
— Pegue, eu ouvi o seu estômago roncar — disse a garota.
— Fabi, o que está fazendo aqui? — Cesar pegou a guloseima, era açucarada e deu uma bela mordida, o ponto da massa estava perfeito.
— Eu passei a vir aqui desde que você foi para a Cidade dos Immunus — respondeu Fabi enquanto caminhavam. — Respirar um ar diferente, sabe? Tainara e Gisele brigam demais, Naty tenta separar, mas ela é tão calminha que não dão trela, Belisa tem a voz mais firme, porém, fala tão bonito que você fica sem entender. Ah! Parece que quado você não está, tudo fica r**m, agora que você chegou, tudo voltou ao normal.
— Ó, meu Deus! — Cesar ficou encabulado, nunca soube reagir a elogios e granulações. — Me diga, o que tens feito por aqui? — perguntou para mudar de assunto.
— Geralmente, comprar comida — Fabiana riu. — Esse pessoal faz uns doces maravilhosos, no Castelo tem os seus, mas tem um sabor tão artificial. Acho que preparam com magia.
— Nossa! Pensei que só eu tinha percebido isso — Cesar havia terminar de comer a sua guloseima. — Hum! Realmente, este doce é muito bom — ele disse de boca cheia.
— Não é? Já quero receita. A rainha disse que a cidade não tinha nada demais, realmente é pacata, mas as pessoas aqui são tão cheias de riquezas.
— Então, não queira conhecer a Cidade dos Immunus. É tão pacata que a única função que te dá emoção é a do caçador, mas é tão perigosa que muitos morrem. Mulheres nem podem participar, a coitada da Infanta do lugar faz tudo, toma conta de uma pousada, de uma padaria, dos serviços do Templo dos Trealtas e sabe lá Deus o que mais. Ela precisa fazer alguma coisa para não criar raízes de tão parada que fica naquele lugar.
Fabiana gargalhou.
— Nossa! Então aqui é mais agitado, com certeza.
— Eu gosto deste lugar, me sinto em casa quando vejo tantas pessoas negras, mas prefiro Sipritiah. Em Syanastiah as pessoas têm um comportamento mais... Europeu. Sei que não estamos na Terra, mas este mundo é praticamente igual. A diferença é o período e a magia.
— Fascinante. Agora, você acredita que não me sinto em casa quando estou no Reino de Ic, apesar de a maioria da população ser branca? Provavelmente, por também a maioria ser feiticeira das trevas.
— E provavelmente agora as trevas deve está dominando geral.
Antes que Fabiana comentasse alguma coisa sobre o assunto, uma senhora n***a andou em direcção a Cesar, estava aflita e era segurada por dois jovens rapazes. Ela esforçava-se muito para caminhar, por trás da aflição dos seus olhos, uma luz de esperança brilhou.
— Meu senhor, por favor, ajude-me, eu não sei mais o que fazer — clamou a senhora. — Já recorri a tudo que estava ao meu alcance e nada solucionou o meu problema, mas eu creio que os Trealtas mandaram um sacerdote para o meu auxílio.
— O quê? Não, eu não sou... — Cesar tentou se explicar, ele usava roupas de sacerdote, mas nem chegava perto de se tornar um.
Ele sabia que o confundiriam a qualquer momento e seria melhor que ele nem usar mais aquela indumentária.
— Por favor — a mulher o interrompeu. — Eu imploro, meu senhor, eu não posso continuar a viver assim, se a minha filha se for daquele jeito e não vou resistir, eu vou junto.
— Eu também — disse um dos jovens que a segurava.
— E eu também — disse o outro.
— Somos tão pacíficos — continuou a senhora —, não conhecemos a guerra, somos simples, não conhecemos o exagero, somos tranquilos, não conhecemos a perturbação. O m*l chega para todos, mas o bem prevalece, e eu sei que o meu senhor possui o bem que precisamos.
Cesar olhou estupefato para Fabiana que encarava aquela família no mesmo estado.
— Rasec, e agora? Será que você n******e fazer alguma coisa?
Cesar, então, olhou para a senhora com serenidade.
— O que tem a sua filha?
A mulher começou a prantear.
— Não sabemos, ninguém sabe, ela é a minha filha mais velha, decidiu explorar o mundo e o primeiro lugar que ela quis visitar por causa da fama foi as Terras Encantadas do Reino de Ic, então madaram-na de volta em poucos dias totalmente perturbada — a senhora soluçou. — Ela é tão inteligente, tão extrovertida, tão espontânea, agora não consigo mais ver a minha filha, está tão perturbada que não consegue nem comer, nem dormir, nem levantar da cama.
Dessa vez, Cesar e Fabiana se olharam intrigados.
— Mostre-nos a sua filha — pediu Cesar.
A senhora foi na frente, ela tinha pressa, havia feito de tudo para recuperar a sua filha do que quer que tinha e não obteve solução para o seu problema.
Cesar confiaria na Luz que ele sabia que tinha convicção que possuía e, principalmente, no seu poder mágico de Allogaj.
A passear por cidades e vilas e lugarejos daquele mundo, uma coisa ele pôde ter certeza, que no Reino de Ic habitavam as pessoas mais poderosas, e que Umnari era um continente muito possante em termo de magia.
Ao chegarem numa determinada casa, viram que algumas pessoas estavam do lado de fora a aguardarem pela dona e os seus dois filhos.
Cesar percebeu alguns murmúrios ao seu respeito assim que chegou, entendeu que alguém havia dito àquela senhora aflita que um sacerdote transitava pela cidade.
Assim que entraram, foram diretamente para um quarto onde havia uma mulher deitada numa cama, era bem magra, n***a de cabelos longos e lisos, olhos fundos e expressão vazia.
Ela, imóvel na cama, estava rodeada por sete homens com os seus bastões mágicos, conjuravam o feitiço Lumo. Disseram quem era a única maneira que encontraram para deixá-la mais calma.
A senhora se pôs a chorar.
— Veja, meu senhor, o estado da minha filha, não encontramos aqui nada que pudesse ajudar.
Cesar se aproximou mais da mulher que tinha os olhos fixos no teto.
— Qual o nome dela?
— Menasi — respondeu a senhora. — Minha doce Menasi.
Cesar fez o seu bastão mágico dobrar de tamanho e isso gerou murmúrios por entre o pessoal que assistia.
"Ele é feiticeiro", comentou uns. "n******e ser sacerdote", comentou outros. "Será um enganador?", indagou mais outros.
A mãe nem se importou em saber o que Cesar era, apenas queria usar todos os recursos que estivesse ao seu favor para ter a sua filha recuperada.
Cesar tentou explicar antes que não era sacerdote, sacerdotes tinham poderes especiais dados pelos Trealtas, mas eles jamais seriam chamados de feiticeiros, não eram feiticeiros, não faziam magia.
O único que possuía magia era o Sumo-Sacerdote, mas como o mundo já sabia que um novo foi escolhido, e era mulher, quem viesse depois seria anátema.
Ao se aproximar da garota, ao olhar nos seus olhos estáticos e desprovidos de emoções, Cesar, agachado, sussurrou o nome dela:
"Menasi?"
A mulher então reagiu, olhou para Cesar, depois arregalou os olhos e começou a gemer.
— Ah, não! Ah, não! — lamentou a senhora, mãe de Menasi.
Quatro homens, dois nos braços e dois nas pernas, apressaram-se para segurá-la. Menasi começou a se debater na cama e a gritar como se estivesse possuída por um espírito maligno.
Cesar se levantou e se afastou da cama, a sua respiração ficou pesada, não sabia como lidar. A mulher urrava como se estivesse sendo torturada interiormente e foi daí que teve uma ideia.
Ele respirou fundo, se concentrou e usou o seu dom, projetou a sua visão para ver o mundo astral, tudo estava claro e azulado, de todos os corpos emanava uma aura branca, mas no teto, onde Menasi olhava fixamente, haviam três Espíritos Atormentantes que sobrevoavam em círculo.
Os Espíritos Atormentantes eram criaturas que surgiram a partir da prática da necromancia, pois, a prática abria um portal para o submundo e permitia que esses escapassem pelas brechas.
Eles não atacavam feiticeiros das trevas, mas atacavam os das luzes, ou os Immunus, se atraiam pela demonstração de medo e perturbavam as vítimas as atormentando com aquilo que mais temiam.
Apenas um poderia deixar a pessoa atordoada, Cesar não podia imaginar o que aquela mulher estava a enfrentar com três espíritos. Tudo o que ele fez foi levantar o seu bastão, apontar para as criaturas e conjurar a luz.
— Ekstrema Lumo — gritou.
Ele não sabia se funcionaria, mas sentiu que a Luz Intensa poderia mandar para longe tudo o que tivesse ligação com as trevas. E funcionou.
A luz foi tão intensa que iluminou todo o ambiente, da mesma maneira que aconteceu da primeira vez na casa das feiticeiras prodígios ao lado da dele, mas ao invés de as lâmpadas brilharem, todas as outras Pedras de Vírnam dos bastões mágicos, cada uma de uma pessoa, brilharam em sincronia.
Aquelas Luzes cortaram a ligação daquela mulher com os Espíritos Atormentantes, eles se tornaram visíveis e fugiram da casa para fora, mas como eram criaturas do escuro, a luz do sol fê-las se desintegrarem.
Imediatamente, Menasi se acalmou e finalmente dormiu. Os olhos de Cesar voltaram aos normal.
— Oh! Meus Trealtas — a senhora, mãe da Menasi, correu para abraçar a sua filha que respirava tranquilamente, porém, Cesar ofegava de euforia.
Cesar conversava com Fabiana do lado de fora da casa, a maioria das pessoas que assistia a mulher atormentada foi embora, todas anunciaram sobre o jovem Rasec, o feiticeiro sacerdote que apareceu no Reino das Libélulas.
Esse título causaria muita intriga na região, como sabiam, sacerdotes tinham poderem, mas não podiam fazer magia.
Fabiana e ele foram tão bem tratados, lhes ofereceram alimento e tesouros, mas jamais aceitariam nada, não fazia parte dos seus propósitos servirem em troca de alguma coisa, fora que nem ficariam ali por mais tempo.
Depois de trinta minutos a senhora saiu da casa a chamá-los, Menasi havia acordado e queria falar com eles.
Quando entraram, todos e todas saíram para deixá-los a sós. Menasi estava sentada na cama, tinha uma aparência muito melhor do que antes, havia comido, bebido água e descansado.
— Olá! Menasi, você está bem? — perguntou Fabiana.
— Estou ótima — respondeu a mulher a respirar fundo. — Eu não sei como agradecer, entrei numa situação qual pensei que morreria nela.
— Não precisa agradecer — disse Cesar. — Fizemos de bom grado.
— Preciso, sim. Obrigada, senhorita. Obrigada, sacerdote.
— Eu não sou... — Cesar queria negar aquele título, como negou várias vezes, mas não tinha jeito, enquanto usasse aquelas roupas, seria chamado de sacerdotes onde quer que fosse. — Me diga uma coisa, a sua mãe nos falou que você foi entregue naquele estado pelo Reino de Ic. Pode nos contar o que houve para você ter ficado assim?
— Sim, meus senhores. Quando cheguei ao famoso Reino, imediatamente fui chamada para participar de uma projeto da rainha no Castelo, eu aceitei, afinal, o meu intuito em ir para lá era conhecer o lugar, porém, eu não sabia que estava sendo cobaia de um projeto antifurto, me disseram para eu e mais três mulheres tentarmos pegar uma adaga prateada em cima de um receptáculo no fundo de um quarto retangular — Cesar e Fabiana entreolharam-se e Menasi continuou. — As outras eram bem mais rápidas do que eu e uma delas pegou a adaga primeiro, daí o receptáculo se afundou no chão e vários Espíritos Atormentantes saíram a nos perseguir. Depois disso, só lembro do tormento.
— Meu Deus! — exclamou Fabiana. — Que povo c***l. Cobaias humanas, onde este Reino vai parar?
— Acredito que isso é o mínimo do que podem fazer — falou Cesar, ele se voltou para Menasi. — Moça, sabe nos dizer que adaga prateada era essa?
— Sim, eu reconheci, era a adaga feita das presas da Grande Serpente, a Primeva da Cura.
Fabiana e Cesar se encararam mais um vez.
Os dois voltaram para o Castelo às pressas, pediram ao Castelão Teogáodo que chamasse a rainha para fazerem uma reunião urgente.
Assim que ela chegou, eles relataram o que viram e ouviram quando foram visitar a Cidade da Ribeirinha.
— Pelos deuses! O que Kanahlic está tramando desta vez? — comentou Metrimna. — Isso é curioso, ela está protegendo a adaga que fere e cura. Por quê? Não é um objeto tão especial.b
— Se me permite dizer, Majestade — falou Belisa —, esta adaga é a única feita a partir da parte do corpo de uma Criatura Primeva, ou seja, ela é única e quem a fez foi o antigo Mago Real do Castelo, o mago Lidarred. Talvez, ela esconda segredos profundos.
— Isto faz sentido, Lis — disse Metrimna. — Vocês precisam descobrir o motivo de ela ter a protegido desta maneira, nenhuma das suas tramoias pode ser ignorada.
— A senhora tem toda a razão, Majestade — concluiu Belisa.
— Gente, só uma observação — falou Fabiana. — Os Espíritos Atormentantes não são visíveis? Por que aqueles estavam invisíveis?
A rainha expressou um susto.
— Fabi, minha querida, isto é verdade. Somente uma magia muito poderosa e obscura poderia torná-los invisíveis. O Reino de Ic está expandindo a sua obscuridade.
— O que esperar de uma população cuja maioria é feiticeira das trevas? — disse Tainara. — Magia n***a, não é?
A rainha a olhou amavelmente.
— Não, minha querida, magia n***a, neste mundo, é um termo usado pelas feiticeiras negras de uma região de Sipritiah — corrigiu Metrimna. — Magia usada para o m*l é magia obscura.
— Ah! Me desculpe, pensei que fosse tudo a mesma coisa.
— Mas não é, as Magias Negras são mulheres que fazem magia com uma perspectiva diferente das demais populações brancas. Um dia poderão conhecê-las e compreendê-las melhor, ou não.
A rainha, se retirou dali e o pessoal olhou para Tainara com reprovação. Quando ela falava alguma coisa sempre era inconveniente.
As horas se passaram e o pessoal já estava impaciente pela chegada de Nabyla, não iriam embora sem ela, fora que ela estava disposta a fazer o resgate de Zadahtric, a sua desmagnificação estava mais perto do que podiam imaginar.
Eram sete horas da noite quando ela chegou, o Castelão anunciou a sua entrada, finalmente, a Transcendentis apareceu, sempre na sua forma desdobrada.
Ela flutuou pela sala do trono que estava, praticamente, vazia. Apenas encontravam-se a Rainha Metrimna, o seu mais novo fiel escudeiro e elfo Friózi, o pessoal prodígio e o Castelão.
— Rasec, você voltou — a primeira pessoa qual Nabyla abraçou foi o Cesar, e com muita alegria, em seguida, a rainha, depois o restante das pessoas, exceto o Castelão. — E então? Diga-me que você conseguiu.
— Consegui, sim — confirmou Cesar.
— Ah! Que maravilha — Nabyla comemorou. — Onde está? m*l posso esperar para voltar ao normal.
A rainha se aproximou de Nabyla e abriu uma caixinha qual continha a pequena esfera com uma porção do Coração de Noldá.
Os olhos de Nabyla brilharam. Com cuidado ela pegou o objeto, admirava como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo, e era, de fato.
Primeiro, Nabyla abriu um compartimento do seu medalhão dado pelo Grande Feneco e em seguida surpreendeu a todos ao atirá-lo para o chão a esfera que se espatifou e se desintegrou como fumaça.
O fluido dourado, ao invés de se esparramar, flutuou. Se moveu exatamente como um bando de passarinhos a dançarem no ar, porém, não tão rápido.
Nabyla manipulou o fluido com as mãos e o direcionou ao compartimento no medalhão, assim que o fechou, ela girou um regulador e a partir do coração, ela foi voltando à sua forma original até pousar no piso do Castelo.
Agora sentia a gravidade e se desequilibrou um pouco, mas ficou de pé sem problemas, olhou sorridente para o pessoal e disse:
— Vamos resgatar uma rainha.