Capítulo 10

3055 Palavras
Cinco dias para o resgate de Zadahtric. Layranet estava no centro da câmara dos Vinte e Quatro Anciões a esperar que eles terminassem o seu colóquio telepático. Ela olhou para trás, para a saída, e percebeu que o sol estava a nascer, o crepúsculo denunciava a chegada. — Layranet — disse a Anciã Oín —, nós chegamos à conclusão de que tudo o que você nos contou sobre o Reino de Ic é relevante para ser levado em consideração, principalmente por ter nos informado de que a rainha Kanahlic está persuadindo a sua população a se converter à magia das trevas, isso pode causar um impacto muito grande para o reino e respectivamente afetar o mundo. É notável que a rainha feiticeira das trevas esteja a ocupar o seu cargo por tanto tempo, sorte dela essa tal Allogaj Audaxy ter estado do seu lado. Neste mundo tanta coisa é admitida pela massa, mas alguém das trevas ser rei ou rainha sempre gerou reprovação. — Contudo — disse o Ancião Otesá —, infelizmente não poderemos ajudar a destroná-la, não tomamos partido, temos diretrizes que não podem ser burladas. Sobretudo, ainda insistimos em dizer que a teoria sobre os Treumilas poder vir do Abaixo de Zero para esta dimensão por causa da rainha das trevas no trono é mito, você própria disse que não tem provas quanto a isto. Enfim, tudo o que faremos é permitir que portais sejam abertos no Castelo, apenas para saída, e no dia da Sentença da Princesa Ramahdic. Casos como o do seu Reino vemos com frequência por aqui, o seu g***o de insurgentes e você não serão tratados de maneira especial. Tudo agora depende de vocês. — Mas e a Allogaj? — questionou Layra. — Como vamos enfrentá-la? — A Allogaj está na nossa lista de pessoas peculiares para serem interrogadas — respondeu Ozáuz. — E enquanto ela não estiver em nosso mundo usando da sua magia para burlar as nossas regras, não teremos motivos para prendê-la. E no momento, temos outras prioridades. Se serve de conselho, alguns Potensis podem enfrentá-la, tente pedir ajuda, nós não podemos fazer mais nada. Reunião encerrada. Layra saiu do Obelisco frustrada, quando finalmente conseguiu ter a sua reunião com os Vinte e Quatro Anciões, não conseguiu obter ajuda alguma, apenas contaria com a vantagem de poder sair do Castelo por um portal e de também terem a ajuda de outro Allogaj qual pouquíssimas pessoas sabiam da existência. O pior de tudo era que eles concederam a Kanahlic o poder para controlar uma criatura mágica para defendê-la, assim como os Guardiões dos Portais Intercontinentais e Interplanetários têm as púcas. A cada dia que se passava parecia que o Destino minguava ainda mais a esperança de viverem num Reino sadio. A porta-voz foi para a extensa área para se reunir com as outras prodígios para relatar sobre o fiasco que foi a tentativa de pedir ajuda àquelas Senhores. Antes que pudesse chegar mais perto, todas foram pegas de surpresa ao ouvirem um barulho estridente que estremeceu todo o mundo. Um raio branco saiu da ponta do Obelisco para o céu e uma onda de luz se espalhou tão rápido quanto um relâmpago. A magia Vox Universalem foi desbloqueada, e Layra sorriu. *** Cesar arrumava as suas coisas para ir embora, já tinha uma porção do Coração de Noldá, era tudo o que ele precisava, aquilo era o motivo de ele estar naquele lugar. Alguém bateu na porta a dizer que se tratava dos serviços do templo e ele mandou que entrasse, era a Sebbeka e ela trazia uma bandeja com o café da manhã para o hóspede. — Oi! Sebbeka, não é!? — Ué? Já está indo embora? — questionou Sebbeka ao observar a situação. — Sim, e eu preciso me apressar — respondeu Cesar. — O tempo está correndo e tudo está dependendo de mim agora. — É muito bom entender a sua língua, só não estou entendendo sobre o que você está falando. — É uma história muito longa, sinto muito, quem sabe, tenhamos outra oportunidade para conversarmos. — Não vai nem mesmo comer? Cesar pegou um pão e mastigou um pedaço. — Muito obrigado — falou de boca cheia. — Está muito bom. Você quem fez? — Sim, eu amo assar pães. — Você faz tudo aqui? — De tudo um pouco. Este lugar é tão parado que não tem muito o que se fazer, queria ser uma caçadora, mas é perigoso e não me deixam participar porque sou mulher, e também por ser a Infanta que governa esta cidade. — Nossa! Você é da realeza? — Cesar fez uma reverência. — Mil perdões, Alteza. — Não será necessária esta formalidade toda e você é, notavelmente, um cavalheiro. — Está sendo gentil, Alteza, eu fui bastante irreverente com a senhora. — Não tinha como você saber sobre mim, não somos de explicar muito as coisas por aqui e sem a Vox Universalem não dava para haver comunicação. Cesar imaginou que aquela jovem mulher tinha acessos a algumas informações e aproveitou para fazer-lhe uma pergunta. — Alteza, há condições de eu ter notícias sobre a nova Suma-Sacerdotisa do Templo? — Sim, ela foi para a Montanha do Ritual, provavelmente quando voltar, você não estará mais aqui. Hoje ela tomará posse do Cajado Údmoz o que lhe fará ocupar o cargo integralmente. — Já? Ela acabou de chegar. — Verdade, mas foi decisão dos Trealtas, nunca questionamos. O rapaz respirou fundo. Ele queria muito se despedir da sua ex-namorada e não podia fazer nada. — Obrigado, Alteza, preciso ir agora. Obrigado por tudo. Sebbeka deixou a bandeja do café da manhã para Cesar na cama e o seguiu até para o lado de fora da torre, depois foram para a entrada do templo, para o pátio do monumento. — Como vai fazer para voltar? — perguntou a Infanta. — O Sumo-Sacerdote não está aqui, ele é o único que trás para cá e leva pessoas em segurança. De longe, viram o dragão Tianlong voando para a direção deles, o seu pouso levantou a poeira do chão e cobriram os olhos para não entrar areia. — Eu o levarei — disse o dragão, — Vossa Alteza. Cesar sorriu. Viu que o dragão usava uma sela nas costas feita especialmente para que alguém pudesse montá-lo. — Tianlong — saudou Cesar. — Eu fiz o que você mandou, foi incrível. Obrigado! — Não há o que agradecer. Agora, suba, você tem uma missão a cumprir. Antes de ir, Cesar se virou para Sebbeka e despediu-se, mas ela o abraçou, ele pediu que ela falasse com Talita sobre a sua partida e que sentiria muitas saudades dela. O recado seria dado. Cesar subiu nas costas escamosas do dragão tão emocionado que contaria sobre aquilo para todos e todas quais conhecia que foi a coisa mais empolgante que ele já fez. O dragão levantou voo e se foram. Ver tudo se cima daquele jeito era muito fascinante. Eles atravessaram a Cúpula e Cesar maravilhou-se ao ver o azul do céu que há dias não via. Quando o dragão pousou no gramado, numa distância considerável da Cúpula, abriu a bocarra e soltou uma rajada de fogo a pegar o rapaz de surpresa. — Desculpe-me — pediu Tianlong. — Força do instinto. O Allogaj riu de nervoso, pelo menos a paciência daquele dragão o deixava mais tranquilo, parecia ser tão dócil. — Pensei que era um aviso para eu sair logo das suas costas — disse Cesar a desmontar da criatura. — Foi um prazer ajudá-lo, caro Allogaj, e as roupas dos sacerdotes lhes caíram bem — observou o dragão. — Até o próximo encontro, amigo. — Até mais, Tianlong. O dragão, então, voltou para a cidade qual protegia há centenas de anos. Sem demora, Cesar transportou-se para o portal Intercontinental de Kelengordi, mostrou o pequeno rolo de papel dourado qual registrava a sua permissão para os guardiões e foi para a tenda do portal Intercontinental de Syanastiah. — Olha só quem está de volta — falou o Imediato Merkírio. — Rasec, onde está a outra garota? Espero que... — Não, não, não — apressou-se Cesar em responder —, ela está ótima, ficou com um pessoal que tem mais a ver com sua classe. — Ah! Que bom que ela se encontrou. Você está bem? — Sim — Cesar não sabia se Merkírio se importou mesmo com ele ou só estava a ser gentil, ou só queria saber da sua vida, mas ele ficou curioso ao observar que o elfo que guardava o portal não estava ali com ele. — Aqui não deveria ter um elfo? — Friózi? — disse o Imediato. — Eu o despedi depois de tanto ele implorar, ele sempre foi um elfo diferente, enfim, agora ele está com Metrimna, a Rainha Híbrida, eu o libertei do contrato que ele fez com a Organização Mundial de Magia para segui-la — Merkírio falou com muito orgulho como se fosse a ato mais nobre que fez na vida. — Que bom que Friózi se encontrou — remedou Cesar as palavras do Imediato. — Outro elfo está a caminho, uma pena que a Organização não confia muito em humanos. Lamentável, os Anciões já foram humanos um dia, como podem não confiar em nós? — Olha, eu preciso ir agora, a Rainha Metrimna me espera — Cesar não queria prolongar aquela conversa de maneira alguma. — Sim, vá e diga que eu mandei minhas saudações — o Imediato Merkírio acompanhou o rapaz até a saída. A seguinte cena fez o Imediato intrigar-se com as próprias concepções. A medida que andavam, as púcas aproximavam-se e reverenciavam o Cesar. O garoto ficou apreensivo, pois, sabia que as púcas eram criaturas vis, mas qualquer criatura reconheceria o Coração de Noldá mesmo sem vê-lo. — O que está havendo com essas bestas — questionou-se Merkírio a bater o dedo no bracelete que as controlava. Cesar apressou-se e passou pela ponte para ir para a floresta de pinheiros, não queria justificar nada para aquele homem que ficou observando ele ir embora com as mãos nos quadris. O Allogaj abrir um portal e partiu. Cesar passou por cinco Fronteiras de reinos até chegar à Caverna da Cachoeira, ali dentro já havia guardas de prontidão, homens negros e parrudos, tão belos que beiravam à perfeição, principalmente por as suas roupas de folhas gigantes cozidas comporem um visual estonteante. Os trajes de Cesar os fizeram ficarem mais tranquilos, geralmente, aquelas roupas eram usadas pelos Sacerdotes de Kelengordi. — Identifique-se, jovem rapaz — pediu um dos guardas, tinha a voz mais grave que Cesar já ouviu, mas imediatamente outro chegou ao seu ouvido e sussurrou que aquele jovem rapaz era o Rasec cuja própria Rainha falou que tinha passe livre para entrar no Reino e de bastão mágico. — Oh, perdoe-me honrado Rasec — o guarda o reverenciou e fez menção para que ele passasse livremente para fora da Caverna. Cesar então andou pela extensa ponte que levava para os limites do Castelo do Reino das Libélulas. Como já imaginou, algumas libélulas gigantes que estavam sendo montadas por elfos guerreiros não foram capazes de serem controladas por causa do Coração. Elas se aproximaram de Cesar para reverenciá-lo e os elfos não conseguiram compreender por que aquilo acontecia, apenas admiraram o rapaz que continuou a caminhar como se nada estivesse a acontecer. Ao chegar na sala real, foi recebido com abraços calorosos pelas suas colegas que estavam totalmente adaptadas àquele lugar. Naty, Fabiana, Belisa e Gisele fizeram várias perguntas ao mesmo tempo e ele não conseguia responder a nenhuma delas, apenas rir e apreciar o momento, até ficar sério com a pegunta de Tainara que fez todas se calarem: — Onde está a Alita? — perguntou a garota capciosamente. Cesar respirou fundo para respondê-la. — Alita, minhas amigas, aceitou o seu Chamado, neste momento, provavelmente está na Montanha do Ritual preste a se tornar integralmente a Suma-Sacerdotisa deste mundo — Cesar puxou uma salva de palmas e as amigas aplaudiram com muita força. — Vamos sempre aplaudir a evolução de qualquer uma de nós. Somos uma equipe e sempre vamos torcer pelo nosso melhor, pela nossa evolução — argumentou Naty. — Menos para a Inara — comentou Gisele sobre Tainara. — Vai começar, Gika? — irritou-se Tainara com aquele comentário. — Rasec, esta garota me perseguiu desde que você partiu. Isso começou a gerar uma discussão conjunta e Cesar não sabia se ficaria preocupado ou se ria com tantas vozes femininas a falar ao mesmo tempo. O silêncio reinou quando a própria Rainha Metrimna chegou acompanhada, como sempre, do Castelão que comprimiu os lábios ao ver o rapaz, e também do elfo Friózi. — Rasec, meu querido amigo, que maravilha que nos compreendemos agora — Metrimna se aproximou com os braços abertos, os seus cabelos verdes-musgo combinavam tão bem com o seu tom de pele escuro. Eles se abraçaram informalmente. — Olha, adorei as suas roupas, lhe caiu bem a indumentária dos Sacerdotes de Kelengordi. — Obrigado, Majestade. — Finalmente, Cesar faria a pergunta que estava esperando fazer desde que chegou: — Onde está a Transcendentis Nabyla? — Rasec, Nabyla é uma mulher muito requisitada neste mundo. Existem tantos casos que somente ela pode resolver e ela não consegue dizer um "não" para quem precisa de ajuda. Infelizmente, terão que aguardá-la por mais um dia. Cesar fez uma careta, a rainha pensou que foi porque teriam que aguardar por Nabyla outra vez, mas foi por ele ter pensado que poderia ter ficado no Templo dos Trealtas por mais tempo até ver Talita antes de partir. — Naty? — Cesar se voltou para a sua líder, queria saber o que ela pensava sobre aquilo. — Está tudo bem — assegurou a líder. — Precisamos dela, então vamos esperá-la. Os nossos dias estão se encurtando, mas vai dar tudo certo. — Muito bem — continuou a rainha —, e o Coração? Cesar remexeu em sua bolsa de couro e retirou uma esfera que continha um líquido dourado que se movia sem parar, porém, de maneira lenta. — Aqui está! Parece que esta pequena porção atrai os animais, mágicos e comuns. A rainha pegou o objeto com muito apreço e admiração. — Sim, esta é a essência bruta daquilo que tornou este mundo vivo e do que gerou a vida nele. Toda a natureza o reconhece, exceto nós, não temos isso em nosso cerne. — Pensei que eu tinha a mesma essência — questionou Cesar. — Em termos de qualidade, isto aqui em minhas mãos é puro fluido, e vou guardá-lo em segurança na minha Câmara Subaquática, as suas propriedades são cobiçadas por todo o mundo, mas ninguém quer se arriscar em ir buscá-la. Afinal, como foi a sua aventura? Aliás, espere-me que volto já, quero saber de todos os detalhes. A rainha se retirou para a Câmara e Cesar se voltou para as meninas a sorrir. — Como eu estava dizendo... — continuou Tainara. — Ah, não! — resmungou Naty, pois, as discussões voltaram. *** Quando a rainha voltou, Cesar contou sobre tudo o aconteceu com ele desde que chegou na grande expansão que dava para a Cúpula da Cidade dos Immunus. Ele deu graças por Talita ter a capacidade de controlar animais, senão ele poderia ter morrido em minutos. À tarde houve um maravilhoso banquete e à noite houve festa. Enquanto as meninas se divertiam com o show de magia, Cesar conversava em particular com Naty e com a rainha. Metrimna estava decidida a comprar aquela briga dos feiticeiros das luzes contra os feiticeiros das trevas do Reino de Ic. — Há mais de duzentos anos que os feiticeiros das trevas apagaram da história as suas ideologias de supremacia, daí, uma rainha que nem nasceu das trevas, uma convertida, uma Tenecae se levanta para ocupar um trono que nunca foi maculado e ainda quer converter a sua população também. Eu acredito que as questões sociais estão sendo mais levadas em conta do que as monárquicas — disse Metrimna. — Sim, Majestade — afirmou Naty. — Kanahlic sempre apoiou a supremacia das trevas, por isto que entendemos que esta guerra é de luzes contra trevas. — E eu sou aluno da Basílica da Estrela Ic. — Disse Cesar. — Todas as disciplinas enaltecem as trevas e diminuem as luzes. — Kanahlic parece ser tão democrática, diz lutar pela igualdade, pelo povo, pelo bem maior, mas oculta a sua corrupção, e precisa ser destronada — falou Metrimna antes de o Castelão Teogáodo entrar e cochichar em seu ouvido. — Dêem-me licença, meus jovens, eu preciso resolver um assunto. Os jovens a reverenciaram e ela se retirou. — Você vai virar sacerdote agora? — falou Naty a brincar. — Não, mas fala a verdade, eu fiquei impecável nesta roupa — disse Cesar no mesmo clima. — Sim, está perfeito. É bom que esconde mais o seu corpo e as meninas ficam menos afoitas para o seu lado. Cesar riu. — Eu juro que não provoco. — Eu sei, meu amigo, mas você é lindo, atraente, fora que tem um coração enorme e repleto de qualidades. Não precisa se expor. — Que isso! Não sou melhor que ninguém. — Mas é o suficiente para sabermos que você vale muito. — Olha quem fala? Você é tão inteligente que as meninas tem você como um ícone, inclusive eu. Para começar, quantas línguas você sabe falar? — No meu mundo só existem o Dorbo, que é a língua dorbiana e o Antigo-Dorbo, pouquíssimas pessoas tem este conhecimento. — E da Terra? — Existem tantas línguas no seu mundo que não se pode ter um número exato. Eu aprendi as línguas latinas, como o português, italiano, espanhol, francês, romeno, galego, além do latim. Também sei árabe e grego. É isto. — Ah! Meu pai. Eu sou da Terra e só sei o português, um pouco de inglês, bem básico, e um pouco de latim também, me interessei bastante em conhecer a língua que derivou a minha. Enfim, você é uma mulher excepcional, Naty. Cesar percebeu que Naty ficou bastante encabulada, mas um jamais conseguiu enxergar o outro de maneira que não fosse amistosa. Se tornaram muito amigos e se respeitavam bastante. Em seguida, falaram sobre Talita, sobre o quanto ela era especial e quando poderiam vê-la outra vez.
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