Capitulo 14

560 Palavras
Chegamos lá e a porta estava aberta. Minha vontade era apenas sair correndo e fugir daquele lugar, mas eu não podia, eu sequer iria conseguir..  Na frente da porta estava o Senhor Alberto e um garoto ao lado dele. - Que estranho - Pensei. Eles não traziam apenas crianças pequenas para cá? O garoto parecia ter minha idade, tinha algo estranho naquilo. O garoto parecia estranhamente sonolento, eu não sei se isso tem algo a ver com o remédio mas é possível. O garoto estava com a cabeça baixa, um olhar vazio. Eu quase não podia conter meu ódio, mais uma pessoa aqui dentro, desse inferno. Depois que tudo isso acabou, o garoto sumiu, provavelmente estavam "Programando" ele ou algo do tipo. Depois disso nós não fizemos muita coisa, fomos dormir logo depois. Eu comecei a perceber que aquilo tudo estava me afetando muito. Eu não conseguia dormir direito, sempre vinha na minha cabeça a todo momento, que minha vida era uma mentira, que eu estava em constante perigo, eu já não aguentava mais tudo isso. Naquela noite eu me acordei, eu havia tido um pesadelo onde eu falava com o tal do Albert. O meu sonho me mostrou coisas horríveis de como ele poderia ter morrido. Eu não estava muito bem com tudo isso. eu levantei e sai do quarto, se eu fosse pego eu estaria encrencado, mas eu precisava de um tempo. Eu sai e comecei a andar pelos corredores. Eu fiquei um bom tempo, passei na frente da biblioteca, passei perto dos banheiros, passei pelos outros quartos e fiquei andando muito. Até acontecer algo um tanto quanto estranho. O garoto novo estava andando por ai também. Eu passei por ele, eu não queria falar nada com ele, não sei se ele é uma pessoa boa ou não. Eu ouvi a voz do garoto atrás de mim.  - Ei! - Ele me chamou. Eu parei e olhei para trás. - Ah, oi. - Falei. - Você não deveria estar aqui. - Falou Ele. - Muito menos você. - Falei. - Você vai contar a eles? - Perguntou ele. - Não, você vai? - Perguntei. - Não. - Ele respondeu. - Bom, qual seu nome? - Comecei a andar e ele veio logo atrás. - Micael, e o seu? - Ele perguntou. - Félix. - Falei. Nós continuamos andando em silencio. Depois de um tempo, voltamos a conversar.  - Então, por que veio para cá? - Perguntei. - Se não for uma pergunta muito pessoal. Ele demorou um pouco para responder mas começou a falar. - Eu fui abandonado quando era criança, desde então, eu vivi nas ruas, até aquele homem me encontrar e me trazer para aqui. - Falou ele. - Ah entendi. - Falei. Um garoto de rua, enganado, achando que alguém o ajudou, mas ele é só uma peça no plano daquele cara. Nós começamos a andar puxando assunto de vez em quando. Nós vimos uns dos banquinhos que tem espalhado por ali e nos sentamos. - Por que você está acordado essa hora? - Perguntou o garoto. Eu fiquei calado por um tempo, mas eu resolvi responder. - Você já sentiu que sua vida inteira foi uma mentira? - Perguntei. - Você sabe de tudo não é? - Ele perguntou rindo. Eu perdi todo sono que eu tinha naquele momento, eu não esperava por isso.
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