Eu peguei aquele caderno, e no escuro mesmo, comecei a dar uma folheada.
Aquela definitivamente era minha letra.
- Isso aqui definitivamente é meu. - Falei me virando para eles.
- Tem alguma assinatura? - Perguntou Emilly. - Com algum tipo de nome ou alguma coisa?
Eu comecei a procurar logo depois dela ter sugerido isso, e lá, eu encontrei um nome.
- Matheus... - Falei. - Meu nome é Matheus.
Aquilo parece ter sido um gatilho para eu ter minhas memórias de volta, pelo visto, o remédio estava indo bem, mas nem tanto.
Eu me lembrava de tudo.
- Matheus.... Eu também me lembro desse nome! - Falou Emilly.
- Eu também! - Falou Alex.
- E eu me lembro de tudo. - Falei.
Eles se viraram rápido para mim.
- Como assim lembra de tudo? Então realmente.. - Falou Emilly.
Eu acenei com a cabeça que sim.
- Bom, provavelmente eles não mudaram muita coisa em nós, apenas queriam que esquecêssemos da nossa aventura na biblioteca, e sim, ela aconteceu. - Falei.
Enquanto eu falava, suas feições mudavam, provavelmente estavam lembrando também.
- E provavelmente trocaram meu nome por que sabiam que isso seria um gatilho forte o suficiente para eu me lembrar de tudo, eles não queriam arriscar. - Falei.
- Eu estou lembrando também... - Falou Alex.
A Emilly parecia um pouco cabisbaixa, além do mais, a forma que fomos pegos, o que aconteceu naquela sala e nossas memórias sendo controladas, não é algo que deixa alguém feliz.
- Agora eu me lembro também, eu tenho certeza que seu nome nunca foi Félix. - Falou Fred.
- Eles mudaram a memória de todos então? - Perguntei.
- Provavelmente sim. - Falou Alex. - Deve ser esse o motivo de não podermos sequer chegar perto de qualquer ala deles, é trabalho demais mudar a mente de todos toda vez que alguém descobrir algo.
- Nós lembramos, mas ninguém pode saber disso, então, eu ainda sou Félix, ok? - Falei.
Eu estava meio quieto, também era demais para mim, eu tentava passar firmeza mas passavam muitas coisas na minha cabeça.
Eles projetaram para mim, toda uma infância falsa, e agora eu não sei se a que eu tinha antes de ser controlado é real.
Pode facilmente ter sido só uma mentira.
- Precisamos procurar mais coisas, ver se tem algo de útil aqui. - Falei me levantando.
Nós demos uma olhada a mais, mas não estávamos encontrando nada de útil ou interessante, até a Emilly começar a falar.
- Gente... Eu encontrei uma coisa.. - Ela falou, ela parecia um pouco assustada. - Tem uns Jorn-
Ela não pôde terminar, começamos a ouvir algo batendo, um barulho muito alto.
- A porta, tem alguém tentando entrar! - Falei.
Nós corremos.
Eu desci primeiro do buraco.
Eu estava indo muito rápido e não prestei atenção onde pisava.
Eu pisei de m*l jeito na escada e cai.
Meu pé estava doendo muito, mas eu me levantei e me sentei na cama como se nada tivesse acontecido.
Depois de mim desceu a Emilly, ela percebeu que eu estava com muita dor, mas ela precisava sair logo para descerem.
A porta continuava batendo e a pessoa tentava muito abrir.
Logo depois desceram o Fred e o Alex.
Eles tamparam o buraco e esconderam a escada embaixo da cama, e tiramos a cadeira da mesa.
Quem estava lá era um garoto, o Arthur, ele é um pouco mais velho que nós, daqui a pouco ele faz 18 anos.
- Por que a porta estava presa? - Perguntou ele.
- Nós não sabemos o que aconteceu, ela ficou emperrada do nada, só conseguimos abrir agora! - Falou Emilly.
O Garoto estava muito desconfiado, aquilo não parecia ter enganado ele.
Eu fui tentar me levantar, para ajudar a Emilly, mas meu pé doeu muito e eu caí de joelhos no chão.
O garoto automaticamente olhou para mim, ele parecia bem preocupado.
- O que aconteceu com o Félix? - Perguntou o Arthur.
Ele começou a chegar perto para me ajudar.
- Ah, ele torceu o pé, mas ele não quer ir para a enfermaria.. - Falou Emilly.
- Vocês são péssimos amigos! Por que já não levaram ele? - Falou o Arthur que parecia irritado.
O Arthur me levantou, colocou meu braço em volta do pescoço dele para eu poder me apoiar e ele começou a me levar para a enfermaria.
Enquanto saíamos da sala, eu dei uma piscadinha para eles, com a cara de "Eu dou um jeito nisso"
Depois de um tempo em silencio, o Arthur começou a falar.
- E então, como você torceu o pé? - Ele perguntou.
Eu ainda estava com muita dor e estava muito ofegante, mas eu respondi.
- Eu estava correndo, por que estava atrasado para uma coisa, então eu pisei de m*l jeito e machuquei meu pé. - Falei. - Antes não estava doendo tanto, mas agora eu não consigo andar direito.
- Entendi. - Ele falou e continuou quieto por um tempo.
Chegamos na enfermaria e ele começou a conversar com a enfermeira, explicando a situação.
Ele saiu da sala falando que se eu precisasse era só eu chamar.
Por incrível que pareça, todos se tratavam aqui assim, todos eram muito amigos.
A Enfermeira me deu um remédio para dor, que me deixou sonolento e eu acabei dormindo.
Quando eu me acordei, meu pé não estava doendo tanto, já estava escuro e meu pé estava enfaixado.
Meus amigos estavam do meu lado.
- Ah.. Oi gente. - Falei.
- Oi, você está melhor? - Perguntou a Emilly, ela parecia bem preocupada.
- Eu estou bem, foi só um pé torcido. - Falei.
Eu me sentei na maca, minha cabeça estava rodando muito por que eu ainda estava com sono do remédio.
Mas eu comecei a normalizar e tentei me levantar.
Eu ainda estava mancando mas meu pé estava bem melhor.
- Já está bem não é? - Falou o Alex sorrindo.
- Claro que sim, eu nunca estive m*l, foi apenas uma recaída. - Falei sorrindo.
Nós todos sorrimos.
- Bom, agora vamos para o jantar, só estávamos esperando você! - Falou Emilly vindo para meu lado.
- Vamos, por que senão daqui a pouco a Senhorita Williams vem caçar a gente. - Falei sorrindo.
Rimos e fomos para a sala de jantar.