Fomos para o jantar depois daquilo.
Comemos normalmente e estávamos voltando para o quarto.
- Emilly, o que foi que você disse que havia encontrado lá em cima mesmo? - Perguntei.
Eu ainda estava mancando, mas meu pé estava bem melhor.
- Eu encontrei um jornal antigo, do ano de 1939, mas eu não consegui ler a tempo. - Falou a Emilly.
Chegamos na frente da porta do quarto.
A escada estava abaixo de um buraco no teto.
Meu coração parou por um tempo.
Todos estávamos chocados com aquilo.
- Tem alguém lá em cima.... - Falei cochichando.
- Será que é alguma freira? - Perguntou Alex.
- Precisamos descobrir. - Falei.
Eu entrei no quarto, eu ainda estava com o pé muito machucado para subir a escada, mas me forcei e consegui subir.
Eu fiquei surpreso com quem eu encontrei lá.
O Arthur estava dando uma olhada em algumas coisas aqui em cima, procurando algo de útil.
- A-Arthur? O que você está fazendo aqui? - Falei.
- Você realmente acha que eu não vi vocês fazendo tudo aquilo pela janela? - Falou ele.
Nós não haviamos pensado nisso, dava para ver tudo pela janela, isso tudo poderia ter dado muito errado.
- Eu..... - Eu não sabia o que falar, eu estava surpreso demais para dizer qualquer coisa
- Olha, eu descobri tudo também, eu sei o que acontece aqui. - Ele falou.
Aquilo foi demais para mim, eu me sentei no chão.
Quantas pessoas foram descobrindo isso mas foram manipuladas a esquecer durante todos os anos?
A Emilly, o Alex e o Fred subiram, já que eu não tinha dado nenhum aviso para dizer que eu estava bem.
Eles ficaram muito chocados também.
- Ele sabe. - Falei.
O queixo da Emilly caiu.
O Alex parecia estar surpreso e o Fred também.
- Eu descobri faz um tempo, mas ou menos há uns dois anos atrás. - Falou ele.
- Espera......E você não tentou fugir??? - Perguntei.
- Fugir? É quase impossivel fugir daqui. - Falou ele, que parecia que estava bem cabisbaixo. - Mas eu não posso dizer que eu não pensei nisso.
- E você nunca contou para ninguém? - Perguntou Alex.
- Contei, mas então, eu assisti meus amigos, que ficaram desesperados com a notícia serem pegos e controlados. - Falou ele que a cada momento parecia mais triste. - Eu já vi meus amigos terem diversas personalidades diferentes, eu enlouqueci por um bom tempo aqui, mas eu não podia demonstrar para ninguém, nunca.
Esse depoimento nos deixou triste, mas nos deu mais vontade de escapar ainda, nós não queríamos que isso acontecesse com nós.
- A gente vai escapar daqui. - Falei sériamente.
- Vocês tem algum plano já? - Perguntou ele, que parecia ter se animado minimamente.
- Não exatamente. - Falei. - Mas encontramos uma coisa.
Eu desci as escadas com meu pé doendo bastante, levantei meu colchão e peguei os dois cadernos.
Eu fui tentar subir a escada novamente e quase caí.
Eu estava sem apoio para subir e meu pé começou a doer bastante de novo.
Eu pedi Ajuda para a Emilly, ela pegou os cadernos e eu consegui me apoiar para me levantar.
Eu peguei os cadernos da mão dela e mostrei para ele.
- Nós encontramos esses cadernos aqui, é de um garoto que morou aqui desde 1920. - Falei. - Ele sabia também.
- Há quanto tempo que isso acontece? - Falou ele, ele parecia transtornado. - Eles fazem isso desde muito tempo, nós precisamos parar com isso.
Ele parecia muito animado agora, talvez seja o sentimento de esperança depois de um bom tempo.
- Bom, nós iremos. - Falei.
Eu olhei para eles e dei um sorriso de canto.
- Aliás, Emilly, o que foi que você tinha encontrado mesmo? - Perguntou Fred.
- Ah. - Ela falou e começou a procurar por ali, enquanto conversávamos.
- Então.. Qual o plano de vocês? - Perguntou ele.
- Descobrimos esse lugar por conta desses diários, o garoto dono desses diários com seus amigos abriram esse buraco, a ideia deles era escapar por aqui por cima, eles traçaram um caminho até a porta de trás do "Orfanato" - Eu fiz aspas com a mão. - Eles conseguiram as chaves da porta de trás, mas no dia da fuga eles foram pegos e ele foi morto.
- Ele foi....O que? - Ele perguntou, ele parecia bem assustado. - Morto?....
Eu acenei com a cabeça que sim.
- N-Não é possivel! Nós não somos um experimento? Nós somos necessários não é? - Perguntou ele.
- Pelo que ele explica no diário, antes de morrer, é que ele já sabia demais e que a qualquer momento que o tempo do remédio passasse ele saberia de tudo novamente e eles não queriam isso, então, eles o mataram direto. - Falei;
- Ah! Achei gente! - Falou ela.
Ela veio trazendo alguns jornais muito velhos para nós.
Ela entregou um para cada um, e o Arthur começou a ler.
"1939
3 Crianças desaparecidos.
Pelos depoimentos dos pais e vizinhos, um homem estranho foi visto nas redondezas da vizinhança."
Depois disso, eu comecei a ler outro.
" 1943
7 Crianças estão desaparecidas.
Mais casos de desaparecimento de crianças na Vizinhança Sunshine, especula-se que os desaparecimentos são sequestros feitos pela mesma pessoa.
Um homem suspeito que sempre é visto nas redondezas da vizinhança. "
Logo depois de mim, a Emilly começou a ler.
" Crianças desaparecidas, retrato falado do suspeito.
Ele tem os cabelos grisalhos, usa um monóculo e uma roupa formal."
Abaixo disso, tinha um desenho do suspeito.
- N-Não pode ser.... - Falou a Emilly.
- O Que aconteceu Emilly? - Perguntei.
Ela mostrou o retrato falado dele.
- Ele parece muito o..... - Falou Alex.
- Senhor Alberto. - Falei.
- Então, talvez isso queira dizer que......Nós não fomos abandonados? - Perguntou Fred.
- Se nós ligarmos os fatos, a resposta é um sim. - Falou Arthur.
- Nós não fomos abandonados, fomos sequestrados, agora está explicado o motivo de estarmos aqui.... - Falei.