Depois de passarmos um tempo discutindo sobre o que tinhamos lido, fomos chamados para o jantar, ninguém estava com apetite, apenas estavamos pensando como iriamos pegar o outro caderno.
Depois do jantar fomos direto para o quarto, por enquanto não tinha ninguém indo para lá, era nosso tempo livre antes de dormir.
O Lado de fora estava extremamente escuro.
Acendemos a luz do quarto e nos sentamos no chão novamente.
Ficamos nos encarando por um bom tempo, até alguém começar a falar.
- Como vamos entrar lá? A parede parece ser fácil de quebrar, mas como vamos fazer isso sem fazer barulho? - Perguntou Alex.
Essa era uma ótima pergunta, mesmo se conseguirmos quebrar a parede, isso faria muito barulho.
- Precisamos de alguma distração, uma distração barulhenta. - Falei.
- Eu tive uma ideia.. - Falou Fred.
Ele olhou para nós e começou a explicar seu plano.
Sua ideia era usar seu sonambulismo como distração, sair andando esbarrando em tudo possível, isso faria muito barulho.
- Não é uma má ideia, mas agora, como vamos quebrar a parede? - Perguntei.
- No porão deve ter algumas ferramentas. - Falou Emilly. - Alguma coisa pesada para bater já seria o suficiente.
- O único problema, ninguém pode ver que não estamos no quarto na hora. - Falou Alex.
- A Gente da um jeito, a gente sempre deu não é? - Falou Emilly, dando um sorriso.
- E tem um ultimo problema ainda, o buraco vai ficar aberto, alguma chance de suspeitarem que tem algo a ver com esse diário? - Perguntou Alex.
- Eu duvido bastante, se eles soubessem da existência desses diários, eles não estariam aqui dentro mais, provavelmente eles não existiriam. - Falei.
- Certo, então faremos isso essa noite? Não podemos perder muito tempo. - Falou Fred.
Nós concordamos, iriamos fazer aquilo agora.
Quando todos estavam dormindo o Fred começou sua parte do plano.
Ele desceu de sua cama e saiu do quarto, andando fingindo estar desnorteado, não demorou muito para ouvirmos vários vasos caindo no chão e quebrando, barulhos de coisas pesadas caindo.
Essa era nossa hora.
Colocamos o travesseiro embaixo do nosso lençol, para ao menos tentar fingir que estavamos dormindo.
Então, eu fui para o porão enquanto Emilly e Alex foram conferir se estavamos certos sobre o buraco.
Eu cheguei no porão e comecei a procurar, estava escuro e eu não conseguia enxergar muita coisa, mas eu encontrei um martelo, parece ser o suficiente.
Eu demorei um pouco mas finalmente cheguei na parede e lá estavam Emilly e Alex.
- Por que você demorou tanto? - Cochichou Alex.
- Estava escuro, demorou para achar, mas está aqui. - Falei.
Conseguimos ouvir os barulhos e agora ouvíamos passos rápidos também.
- Não temos muito tempo! - Falou Emilly.
Eu comecei a bater com o martelo na parte onde era oca, fui aumentando a força, e por trás do papel de parede a madeira começou a afundar.
O papel de parede começou a rasgar, rasgamos um pouco com a mão também, e vimos que realmente algum tipo de quarto secreto lá, mas estava muito escuro, não dava para enxergar muita coisa.
Os barulhos pararam, mas ouvíamos gritos da Senhor Williams e vozes de outras feiras, precisávamos acelerar mais.
Quando o buraco estava quase o suficiente para uma pessoa passar, eu me joguei na parede, o que fez ela terminar de quebrar dando o tamanho suficiente para alguém passar engatinhando, e agora, eu estava dentro daquele quartinho secreto.
Eu não estava enxergando nada, mas o chão era velho, a cada engatinhada a madeira embaixo de mim fazia muito barulho.
O Chão estava horrivelmente sujo e empoeirado, eu comecei a tatear o chão a procura de algo.
Depois de um tempo tateando o chão, com aquela madeira fazendo muito barulho, eu encostei minha mão em um caderno de capa dura, e agora eu sabia que havia encontrado aquele diário.
Eu fui em direção ao buraco com o caderno na mão.
Ainda estavamos ouvindo os gritos da Senhora Williams e as outras freiras, o Fred estava conseguindo engana-las bem.
- Eu peguei, mas o que fazemos com o buraco?? - Perguntei.
O Alex olhou ao redor e viu, um grande vaso, do lado do buraco, com uma bonita flor.
- Eu odeio sequer pensar em destruir aquela flor, mas não temos opção. - Falou Alex. - Vamos fingir que alguém derrubou o vaso e isso fez a parede quebrar.
- Boa ideia! - Falei.
Nós puxamos o vaso e o posicionamos com muita dificuldade no chão, caído, e fomos correndo para o nosso quarto.
Conseguimos chegar lá sem ninguém nos ver, eu escondi o caderno embaixo do colchão e nos deitamos.
Não demorou muito para a Senhora Williams aparecer segurando forte no braço do Fred, que agora não fingia mais estar dormindo.
Ele subiu em sua cama e a Senhora Williams fechou a porta.
Quando tudo parecia ter acalmado, saímos todos de nossas camas e começamos a conversar.
- E então? deu certo? - Perguntou Fred. - Eu espero que tenha dado, se elas não percebessem que eu "estava" sonâmbulo, eu teria pego uma detenção na certa.
- Conseguimos! - Falei cochichando.
Puxei os dois cadernos de debaixo do meu colchão.
- Vamos esperar até amanhã para ler, eles estão desconfiados demais por hoje. - Falou Emilly. Alex acenou com a cabeça concordando.
- Vocês realmente querem ler? A gente pode descobrir algo que a gente não quer.. - Falou Fred.
- A Gente não fez isso atoa, precisamos continuar, se os funcionários daqui, chegaram a m***r um garoto, eu não quero ficar aqui, pode ser perigoso para todos nós. - Falei.
- O Ponto é esse, ele morreu por que sabia demais! - Falou Fred.
- Fred agora é tarde, nós precisamos ler isso, eu não quero mais ficar nesse lugar e a gente precisa descobrir o que acontece aqui. - Falei.
- Tudo bem, foi muito esforço para conseguir isso mesmo.. - Falou Fred.
Escondemos os cadernos e fomos dormir.