Eu gostaria de pensar positivo sobre aquilo, mas não dava.
Na minha cabeça, ainda tinha uma pequena chance de tudo isso ser uma historia inventada por um garoto entediado no ano de 1920.
Depois que achamos isso, era óbvio que não era uma historia que havia sido inventada. Ela era real.
Eu e a Emilly preferiamos continuar lendo o diário, enquanto o Alex e o Fred queriam buscar a escada para abrir aquele lugar.
- A gente não pode simplesmente sair abrindo tudo, a gente já sabe o que em lá, o que mais vocês querem lá em cima? - Perguntei.
- A gente precisa dar uma olhada, vai que em algum momento eles deixaram algo útil lá? - Falou Alex.
- Tipo o que? Comida?! Esse buraco foi feito em 1920, o que de útil pode ter ai? Nó máximo uma faca, que foi provavelmente o que eles usaram para abrir esse buraco. - Falou Emilly.
- Vocês pensam dentro da caixa demais, vocês acham que eles iam usar o que para escapar? Uma faquinha e comidas? Eles com certeza estavam com algo de útil! - Falou Fred.
- Gente, agora quem estão se precipitando demais são vocês, antes de fazer qualquer coisa a gente precisa terminar de ler esse diário! - Falei.
- Vocês fazem o que vocês quiserem então. - Falou Alex indo para a cama dele.
Emilly revirou os olhos, o Alex sempre fez aquilo.
- Continuando, vamos organizar o que sabemos por agora. - Falei.
A Emilly ficou atenta e o Fred se juntou a nós.
- O que sabemos por enquanto é, temos dois cadernos, do mesmo garoto, encontramos esse primeiro. - Levantei o que eu encontrei no porão. - E esse outro, que buscamos juntos naquele buraco.
No primeiro caderno, o do porão, descobrimos que o tal do Albert Miller estava tentando escapar daqui, nós não sabíamos o motivo até hoje, e também descobrimos que ele conseguiu a chave da porta de trás, onde ele pretendia escapar, mas ele foi morto antes.
- Também sabemos que tem uma grande chance da Senhora Williams ser uma das garotas que tentou escapar, mas traiu eles. - Apontou Emilly.
- Bem apontado. - Falei.
- Continuando, conseguimos esse caderno e descobrimos que, esse lugar não é um orfanato de verdade, e que todos nós fazemos parte de um experimento. - Falei com minha voz falhando um pouco, minha ficha não tinha caído completamente. - E que outras crianças como nós já morreram nesse experimento. Agora, temos muita coisa para descobrir antes de sair vasculhando tudo.
- Que tipos de coisas você diz? - Perguntou Fred.
- Sabe, olha para esse orfanato, ele é enorme, nós não sabemos como o lado de fora é, ou as pessoas sabem que esse lugar é um experimento, e todos concordam com isso, ou esse lugar realmente parece apenas um orfanato normal. - Falei. - E se a resposta for a primeira, escapar não adianta de nada, se nós não continuarmos fugindo, iriamos voltar para cá pouco tempo depois de fugirmos.
- Mas... tem os direitos humanos, se soubessem o que acontece aqui, eu duvido que deixariam esse lugar aberto, não é? - Falou Fred.
- Eu realmente espero que sim Fred. - Falei. - Outra coisa, para fazer esse tal desse experimento acabar, iriamos precisar de o máximo de informação possível, senão, ninguém acreditaria em nós! - Falei.
- O que você sugere? - Perguntou Fred.
- Biblioteca, área dos funcionários, precisamos saber o que significa o tal do C-12 que lembramos. - Falei.
- Você sabe que isso é extremamente perigoso não é? - Perguntou Emilly.
- Viver aqui é perigoso Emilly. - Falei.
Ela concordou, ela sabia que aquilo era verdade.
- Não podemos fazer isso hoje, mas precisamos de um plano mais elaborado, talvez tenhamos sido pegos uma vez por essa pequena aventura na biblioteca, então precisamos pensar mais. - Falou Alex, saindo de sua cama e voltando para nossa roda.
- Já voltou? Achei que seu drama ia durar mais Alex. - Falou Emilly.
Eu ri enquanto vi a cara dele fechar para ela.
Nós gargalhamos juntos, pelo visto isso estava voltando a acontecer com frequência depois de um tempo.
- Eu estava pensando... Será que vocês realmente querem escapar daqui? - Perguntou Alex.
Nós olhamos para ele, estranhando a pergunta, por que ele perguntaria esse tipo de coisa? Não era óbvia a resposta?
- Sim Alex! Isso que eles fazem aqui é desumano! - Falou Fred.
- Alex, por que você está perguntando isso? - Perguntou Emilly.
- Eu só.....Estou com medo. - Falou Alex.
Eu e a Emilly ficamos surpresos, o Alex nunca falou nada do tipo, apesar de que esses dias ele estava bem estranho...
- Amigo, é normal...Nós vamos sair daqui bem! Todos nós. - Falei para eles, sorrindo, eu queria passar firmeza para eles.
- A questão não é essa Félix, o problema é, e se eles matarem a gente enquanto estivermos tentando escapar? Talvez nós podemos morrer aqui, mas é uma porcentagem disso acontecer e uma porcentagem de acontecer, e se morrermos, nós provavelmente nem sentiriamos nada..., eu não sei se é bom sairmos daqui.. - Falou ele.
- Olha eu sei que você está confuso com tudo isso, mas o que você está falando não faz o mínimo sentido. - Falei. - Você prefere ficar em um lugar, depois de descobrir que eles fizeram sua vida inteira ser uma completa mentira? Alex, eles não se importam com a gente, provavelmente, quando esse remédio finalmente der certo, eles apenas vão nos largar! A gente não pode ficar aqui! -
- Ah me desculpa senhor escapador, você não pode me culpar por simplesmente querer viver minha vida! - Falou Alex.
- Você tem que entender que sua vida deixa de ser sua, quando ela é literalmente controlada por outra pessoa! - Falei.
O silencio se estabeleceu naquele quarto.
- Agora é minha hora de falar, você faz o que quiser, se você quiser continuar aqui como um fantoche, uma coisa que é apenas usada para testes, você fica, mas eu não vou ficar. - Falei.
Me levantei, peguei os dois diários e saí de dentro do quarto.