Capitulo 16 Feroz

685 Palavras
A fdp não recua. Ela não sabe o que é baixar a p***a do olhar, e isso tá me deixando no limite do controle, com o p*u latejando e a mão coçando pra meter um tapa na cara e um puxão de cabelo que desmonte essa pose. Ela inclina a cabeça, aquele sorriso de veneno russo guardado entre os dentes, e solta a rajada como quem descarrega um pente inteiro de AK-47 na cara do inimigo: — Não gosto de traficantes. — A voz da Kyra vem firme, o sotaque cortando o ar como uma navalha de gelo siberiano, f**a pra c*****o de ouvir. Me encara de cima a baixo, sem pudor nenhum, com a petulância de quem nasceu em berço de ouro, mas foi batizada no sangue de gente morta. O olhar dela desce devagar, pesado, abusado pra c*****o, me medindo como se eu fosse um pedaço de carne no açougue. Ela faz questão de analisar cada centímetro, descendo pelo peito suado, passando pelo abdômen que ainda lateja dos socos de v***a que ela me deu, até travar onde o bicho pega. O olhar dela para no meu p*u, marcado no tecido da calça tática. Nem disfarça. O olhar dela pesa, provoca, é um convite vulgar pra uma guerra que a gente vai resolver entre quatro paredes, com ela gemendo alto e eu amassando essa raba de luxo nos meus lençóis encardidos. — Mafiosos são melhores. — Completa ela, a ponta da língua roçando no canto da boca, um desafio explícito que faz meu sangue ferver e minha mente projetar ela de quatro, implorando por clemência. Eu rio baixo, seco, a fumaça do cigarro escapando pelo canto da boca como se fosse fumaça de canhão. Não é riso de quem achou graça; é riso de predador que aceita a aposta e já sabe que vai cobrar o prêmio com juros e sangue. Dou um passo à frente. Mais um. Encurto o espaço até a sombra dela sumir na minha, até o calor do corpo dela bater no meu peito, sentindo o bico do peito dela marcar na minha pele. — Sabe por que fala isso, russa? — Minha voz arranha, grave, roçando entre a ameaça de um tapa e a promessa de um estrago nervoso. — Porque você ainda não experimentou um homem de verdade. Alguém que não precisa de terno de grife de três mil dólar pra te fazer ajoelhar e entender que sobrenome nenhum te protege da minha vontade. Aqui no morro, a gente resolve é na tora. Minha mão esquerda fica no bolso, a direita pousa na beira da mesa, firme, fechando o cerco. Ela me encara de volta, sem desviar um milímetro, a cara da arrogância. Queixo erguido, respiração sob controle, mas eu sinto o cheiro dela: perfume caro de quem frequenta cassino em Mônaco misturado com o cheiro acre de pólvora e o suor de quem acabou de lutar pela vida comigo. Chego mais perto, tão perto que o sopro da minha fala bate no ouvido dela, fazendo os pelos da nuca dela arrepiar como se fosse a ponta de um fuzil gelado: — E quando sentir o gosto do morro... quando eu te socar com vontade e você sentir o meu ferro rasgando essa tua marra de princesa... vai descobrir que não tem máfia, não tem coroa, não tem p***a de sobrenome nenhum que te salve da vontade de querer virar minha marmita de luxo. A Kyra solta um riso curto, debochado, mas eu pego o detalhe: a boca dela dá uma tremida milimétrica. Mínimo. Quase nada. Só quem vive do caos e da malandragem nota o medo transvestido de t***o. Ela levanta a minha camisa preta que ainda segura na mão, encosta contra o peito como se fosse um troféu de guerra, mas eu sei que ela queria era estar encostando em outra coisa. — Grande discurso, Feroz. Mas eu não sou uma dessas vadias da tua boca que se derrete porque tu fala grosso e mostra o fuzil. Eu não abaixo a cabeça pra ninguém, muito menos pra um dono de favela que se acha deus.
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