capitulo 15

1303 Palavras
— Casa sólida pra um soberano de favela — ela provoca, limpando um resto de sangue seco do lábio com o polegar, um gesto lento que atrai meu olhar direto praquela boca carnuda que eu quero morder. O olhar dela é carregado de uma malícia russa que ferve meu juízo e faz minha mão coçar pra meter ela de quatro em cima dessa mesa. — Rei que quer durar não mora em vitrine pra ser alvo de amador. Mora em posição estratégica — aponto pro mapa na parede, a voz saindo grossa, vibrando no peito dela. — Daqui eu vejo o Rio respirar e ouço o inimigo pensar alto antes de ele sequer encostar no gatilho. E daqui, russa, eu vejo exatamente onde eu vou te amassar se tu continuar com essa marra. Ela provoca com esse sorriso de lado, e eu deixo a corda esticar só pra ver onde ela quer chegar. Faço sinal com a cabeça e subo a escada de ferro pro andar de cima, sentindo o olhar dela nas minhas costas. Cada degrau devolve o peso do meu corpo, um aviso de que aqui o chão não treme pra qualquer um. Meu quarto não é quarto, é trincheira final. Cama larga, lençóis de fios escuros, cheiro de tabaco, couro e o rastro de pólvora que parece ter virado meu perfume natural de guerra. Janela alta com visão de 360 graus: a cidade inteira deitada sob o meu comando, esperando o meu próximo movimento. No canto, um armário de aço, sem frescura, só ordem e munição. Abro o armário, puxo uma das minhas camisas pretas. Algodão grosso, larga pra ela, com o meu cheiro de homem, de rua e de poder impregnado nas fibras. Não é presente de namorado, é logística de sobrevivência pra quem acabou de sair de uma carnificina com a roupa em frangalhos e a dignidade por um fio. Jogo nela sem cerimônia nenhuma, vendo o pano bater no peito dela e deslizar. — Veste essa p***a — falo seco, a voz grave ecoando no concreto, vibrando no ar parado. Ela segura a peça no ar, gira o pano na mão e levanta uma sobrancelha perfeitamente desenhada, um arco de puro desafio que me dá vontade de dobrar ela no meio. O olhar dela brilha de um jeito vulgar, um convite silencioso pro abate que faz o meu sangue ferver de novo, meu p*u chegando no limite. Ela não tem um pingo de vergonha ou medo, e isso me deixa perigosamente instigado, querendo ver até onde vai essa coragem de máfia. — Só isso, Heitor? — pergunta, a voz firme, o sotaque cortando o ar como um tiro de precisão. — Camisa sem nada por baixo? Quer que eu desfile no teu bunker como se fosse teu troféu de guerra particular pra tu bater punheta olhando enquanto decide se me mata ou se me come? Dou um sorriso torto, sinto a tensão s****l estalar entre nós como um fio de alta tensão desencapado no meio da chuva. Eu a meço de cima a baixo, sem esconder o desejo vulgar que está queimando na minha pele, parando o olhar exatamente onde a calça dela tá rasgada. — Se eu quisesse troféu pra exibir, gringa, já tinha te deixado nua e amarrada na frente dos meus crias lá embaixo pra todo mundo ver o que acontece com quem invade meu espaço sem ser convidado — puxo o cigarro do bolso, trago fundo e solto a fumaça devagar, bem na direção do rosto dela, vendo ela não piscar. — A camisa é pra tu não morrer de frio enquanto eu decido se te mando pro inferno ou se te mantenho na minha cama me servindo. Amanhã eu mando buscarem roupa que preste pra ti, se tu ainda tiver inteira e se não tiver me dado motivo pra te apagar. Ela dá um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, encosta a camisa contra o corpo, mas não veste. Os olhos castanhos dela estão travados nos meus, sem piscar, sem recuar, como se estivesse tentando ler o diâmetro da minha fúria e o tamanho do meu t***o. — Eu não sou bonequinha de vestir, Feroz. Não preciso da tua roupa e nem da tua aprovação pra mostrar que eu sou a dona da minha própria vida e do meu próprio sangue. Eu uso o que eu quiser, e se eu quiser ficar nua na tua frente, vai ser porque eu decidi, não porque tu mandou. Chego mais perto, encurtando a distância até sentir o calor que emana dela, o cheiro de suor, briga e aquele perfume francês caro que não faz sentido nenhum nesse inferno, mas que me deixa louco. Falo baixo, colado no ouvido dela, num tom vulgar que não pede licença e nem desculpa, sentindo o bico do peito dela roçar no meu peito: — Usa ou não usa, eu não dou a mínima. Por mim, tu fica nua agora mesmo e eu resolvo esse impasse na força, do jeito que o morro ensina. Mas grava uma coisa nessa tua cabecinha de máfia: enquanto tu respirar sob o meu teto, comer da minha mesa e usar o meu nome pra não virar peneira lá fora, quem dita o ritmo da música sou eu. Se eu mandar tu deitar, tu deita. Se eu mandar tu abrir as pernas, tu abre. Se eu mandar tu matar, tu mata. Entendido, ou quer que eu desenhe na tua pele com a ponta da minha faca? A Kyra não recua um milímetro. Ela solta uma risadinha curta, seca, cheia de um veneno que eu adoraria chupar direto da fonte. Ela me encara com um desprezo que esconde um fogo que ela não consegue apagar, a respiração dela batendo no meu pescoço, quente pra c*****o. — O ritmo da música muda rapidinho quando eu decido assumir o controle do som, Heitor. Tu acha que manda no morro, que é o dono da verdade, mas ainda não aprendeu como se lida com uma Volkov que não tem mais nada a perder a não ser o juízo e a paciência com traficante de bosta. O silêncio fica denso pra c*****o. Só os nossos olhares se batendo, faísca contra faísca, faca contra navalha, os dois querendo ver quem sangra primeiro. Eu sinto a pulsação dela no pescoço, rápida, descompassada, o corpo dela pedindo o meu toque enquanto a boca diz que não. A tensão gruda na pele como pólvora preta antes da explosão final. Eu poderia acabar com esse jogo agora, jogar ela no sofá e mostrar quem é o Feroz, mas a caça é mais gostosa quando a presa morde de volta e tenta fugir. Eu quebro o silêncio com a voz lenta, cortante, carregada de uma promessa que não tem volta, a mão descendo pela lateral do corpo dela até apertar a cintura com força: — Só não entra no meu quarto no meio da noite achando que vai me dar ordens... a menos que tu esteja pronta pra sair de lá bem diferente de como entrou: marcada, dominada, toda g****a e sabendo exatamente quem é o dono da p***a toda. E acredite, russa... eu não sou carinhoso. Ela inclina a cabeça, ousada, com um sorriso de canto que é pura munição de .50. Ela guarda a minha frase no coldre da mente como quem guarda uma bala na agulha pra me acertar no coração mais tarde. E nesse exato momento, eu tenho a certeza absoluta: essa russa não é uma convidada, ela é uma armadilha russa armada pra me destruir de dentro pra fora. E o pior é que eu estou louco pra cair nela, sentir o impacto, sentir o gosto do sangue dela e ver esse Rio de Janeiro inteiro queimar enquanto eu a possuo com toda a vulgaridade que o meu cargo exige.
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