Foi quando ouvi o ronco de uma moto atrás de mim. Olhei por cima do ombro. Juninho. Meu coração deu um pulo que não tinha nada a ver com medo. Ele encostou a moto do meu lado, tirando o capacete devagar. O cabelo bagunçado, o olhar sério demais pra alguém que sempre tenta parecer relaxado. — E aí, Lisa. — Ou juninho. Tô feliz que você está bem. Tentei manter o tom neutro, mas meu estômago já estava todo revirado. Eu conhecia aquele olhar. Ele não tinha parado ali por acaso. Ele desligou a moto, apoiou o pé no chão. — Posso trocar um papo contigo? Engoli seco. — Pode. Mas tem que ser agora?.- falei olhando em volta. Ele ficou me encarando por alguns segundos antes de falar qualquer coisa. O silêncio entre a gente não era desconfortável… era carregado. — Não precisa ficar com me

