JUNINHO NARRANDO Eu nunca tive medo de muita coisa. Tiro? Já ouvi desde moleque. Correria? Cresci no meio. Encarar homem armado? Faz parte do pacote. Mas naquele momento, parado na frente da Lisa, esperando a resposta dela, eu senti um medo que nenhuma invasão nunca me causou. Porque ali não era sobre sobreviver. Era sobre sentimento. — Lisa… — eu comecei de novo, a voz mais baixa do que eu queria. Ela me olhava com aquele jeito firme, mas os olhos denunciavam que o coração dela também tava acelerado. — Eu preciso saber se você sente alguma coisa quando eu tô perto — repeti, engolindo o orgulho. O silêncio que veio depois pareceu maior do que o morro inteiro. Ela respirou fundo. — Eu sinto. — falou. Simples assim. Mas aquelas duas palavras bateram em mim mais forte do que qual

