Episódio 4

1476 Palavras
Entre risos e lágrimas, chegamos ao apartamento do Edgard. Ele me serve uma taça de vinho, uma safra de 1980 dos vinhedos da minha família. Então, caminha até um dos seus grandes armários, pega vários vestidos de festa e os joga teatralmente no sofá. — Estes são da minha coleção mais recente. Tenho certeza de que você vai arrasar com eles como ninguém. Diz ele com um sorriso maroto. Depois de experimentá-los um por um — cada um mais deslumbrante que o anterior —, escolho um vestido preto justo com lantejoulas prateadas. É simplesmente espetacular. Edgard completa o visual com saltos agulha combinando, um colar de diamantes e brincos. Então, ele me senta em frente ao espelho, prende o meu cabelo num elegante ra*bo de cavalo alto e começa a me maquiar com uma delicadeza quase artística. — Não quero chamar muita atenção. Murmuro, olhando para o meu reflexo. M*al reconheço a mulher no espelho. Em que ponto deixei de ser a mulher mais cobiçada da elite e me tornei a serva dos Torres? Nunca... nunca mais colocarei os outros antes de mim. — Como? Ele responde com uma surpresa exagerada. — Onde está a minha melhor amiga, aquela que adorava ser o centro das atenções e jurava que o mundo girava em torno dela? — Eu sei... Eu costumava ser tão egocêntrica. Mas não sou mais essa pessoa. Confesso, baixando o olhar. — Isso não é uma crítica, Zafira. É a verdade. Toda a elite te admirava, girava em torno de você. Seu pai, seus irmãos... Não acredito que uma família como os Torres conseguiu te machucar tanto. Mas não se preocupe. Ele diz com firmeza. — Vou te ajudar a recuperar a antiga Zafira. — Obrigada, Edgard. Obrigada por ser meu melhor amigo. — Minha linda Zafira, você merece ser feliz. Você é forte, incrivelmente lindo e, acima de tudo, uma boa pessoa. Você merece alguém que realmente te valorize. — Eu sei. Respondo com um sorriso fraco. — Então mude essa expressão. Hoje à noite, você e eu vamos sair para uma festa, como nos velhos tempos. Diz ele, puxando um cartão preto com mais de dez mil dólares. — Você é um gênio! É por isso que eu te amo. Beijo-o na bochecha, cheio de carinho. — Lembre-se, querida, eu gosto de homens. Você não é meu tipo... embora esteja espetacular esta noite. — Graças a Deus você é gay. Eu não saberia o que faria sem você. Ponto de vista de Luciano Não acredito que dei ouvidos ao Tomás. Eu não deveria ter vindo a esta festa. Me sinto como um sapo saindo de um poço. Todos ali me parecem familiares, mas ninguém parece me reconhecer. Estou de volta à cidade há poucas horas, depois de mais de dez anos. E, como sempre, me deixei levar pelas loucuras do Tomás, meu melhor amigo. Mas confesso que não foi uma má ideia, afinal. Desde que aquela mulher chegou, não consigo parar de olhar para ela. Ela é tão linda, tão imponente, tão magnética... Ela encanta a todos com a sua elegância e o seu sorriso. Gostaria de saber quem ela é. Talvez o Tomás saiba. — Vejo que você não consegue tirar os olhos dela. Diz ele atrás de mim, me entregando um copo de uísque. — Agora você não se arrepende tanto de ter vindo, não é? — Você sabe quem ela é? Pergunto sem tirar os olhos dela. — Ela está tão feliz, tão radiante... — Claro. É Zafira Ferragotti. — A herdeira do Grupo Ferragutti? Exclamo, completamente surpreso, como se não a tivesse reconhecido antes... — A mesma. Mas sinto muito em dizer, ela é casada. — Não me diga... Respondo, visivelmente decepcionado. — Vamos lá, tem outras mulheres bonitas hoje à noite. Divirta-se. Olha... Ele aponta para um canto da sala. Lá está ela. É impossível não reconhecê-la: Sora. E a sua eterna comitiva do ensino médio. — Sora... Digo entre dentes, com uma mistura de ressentimento e nostalgia. — Você acha que ela vai te reconhecer? De jeito nenhum. Você mudou muito. E além disso... você tem que admitir, ela ficou ainda mais atraente. — Não discuto isso, mas não esqueci que ela me tornou o seu alvo favorito durante anos só porque eu era gordinho, usava óculos e aparelho. — Eu lembro, mano. Mas olhe para você agora... você é como o patinho feio que virou cisne. Vamos, anime-se. — Esqueça. Só estou interessado numa mulher esta noite. Digo, vendo que Zafira está sozinha. Pego duas taças de vinho e vou até ela. Sei que ela é casada, mas... o que tenho a perder? No máximo, levo um tapa na cara, ou talvez algo mais. ZAFIRA Ainda não consigo acreditar que me deixei levar pelo Edgard... de novo. Ele sempre faz a mesma coisa. Eu achava que a "festinha" dele era algo anti*mo, só de amigos. Nunca imaginei que fosse um reencontro com os colegas de escola. Conheço a maioria das pessoas aqui, incluindo a Sora e a sua comitiva de harpias. Aquelas mulheres que, durante todo o ensino médio, só faziam intimidar todo mundo. O pior é que o Edgard me deixou sozinha para ir ao banheiro, e as mulheres ridículas parecem ter me reconhecido... porque vêm direto na minha direção, taça de champanhe na mão e com mais álcool do que juízo. — Mas olha quem temos aqui... a magnífica Zafira Ferragutti! Exclama Sora, cinicamente. A nossa escola costumava ser exclusiva para famílias multimilionárias. Tem mais dinheiro aqui do que no país inteiro. — Oi, Sora... Respondo com um sorriso sem graça. — Você está com uma cara ótima... considerando que se casou com um mendigo. Diz ela, em tom de brincadeira. O meu casamento com Mateus foi notícia nacional, pelo menos entre os círculos da elite. Ele nunca soube que se casaria com uma herdeira, mas a notícia claramente vazou para meus antigos colegas. — Ainda bem que você ainda é uma Ferragutti. Senão... você não teria lugar aqui. Acrescenta Tori, uma das harpias. A mais idi*ota de todas. — Eu nunca vou deixar de ser uma Ferragutti, Tori. E se me dá licença... preciso encontrar o Edgard. Foi um prazer te ver. Acrescento ironicamente. Elas eram a última coisa que eu queria encontrar esta noite. — Espere, Zafira! Não seja tão rude. Um brinde ao nosso reencontro. Diz Sora, pegando um copo de um garçom que passava e me oferecendo. — Ok. Desisto, relutante. Levanto o meu copo e faço um brinde a elas. Mas, naquele momento, sinto os meus dedos tremerem e quase deixo o copo cair no chão. O motivo: a aparência do homem mais bonito que já vi. Meu Deus. Aquele homem é magnético. Nem Sora, nem as suas amigas — nem eu — conseguimos parar de encará-lo. E a pior parte... ou a melhor parte... é que sinto como se ele estivesse me olhando. Os nossos olhares se cruzam por alguns segundos, e uma corrente elétrica me percorre. Há algo nele que me parece familiar. Deve ter sido um colega nosso, é por isso que está aqui. Mas não consigo me lembrar dele. Juro que me lembro de todos... — Olá, meninas? Vocês não estão me convidando para brindar com vocês? Ele pergunta sarcasticamente, pegando um copo do mesmo garçon que passa por perto. — Claro que sim! Exclama Sora, inclinando-se um pouco perto demais dele, invadindo o seu espaço pessoal. Mas ele não parece se importar. Continuo olhando para ele... aqueles olhos... aquela cor de cabelo... — Tenho certeza de que você não sabe quem eu sou, Sora. Diz ele com um sorriso perfeito. Zombeteiro. Hipnótico. E ele sabe que estou olhando para ele como se eu fosse uma aparição divina. Ele sabe disso. E ele adora isso. — Claro que sei quem você é. Ela responde, confiante, embora o seu rosto a traia. — Então me diga... quem sou eu? Ele insiste, divertido. Tenho dificuldade em desviar os olhos do seu sorriso. É o sorriso mais charmoso e atrevido que já vi em anos. E então noto... aquela pinta em forma de lágrima, bem abaixo do olho dele. Não. Não pode ser. Meu Deus! É ele! — Não acredito... Você é gordinho, Lui! Exclamo, aproximando-me dele enquanto ele me envolve num abraço apertado, como nos velhos tempos. — Até que enfim você finalmente me reconheceu, Zafira. Achei que não reconheceria. Embora eu admita que também não te reconheci no começo. — Como eu poderia te reconhecer?! Olha como você é lindo! Você está um gato, meu amigo! — E você... você está mais lindo do que nunca. Ele responde com uma voz tão se*xy que me arrepia. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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