Relaxa, Zafira. Você acabou de se divorciar. Está um pouco bêbada. Não pode simplesmente se jogar nos braços do primeiro homem que cruzar o seu caminho. Embora... este não seja um homem qualquer.
— Você é... gordo, Lui? Pergunta Sora, completamente chocada. — O que você fez? Cirurgia plástica?
— Nada disso. Eu simplesmente cresci... Deixei a minha adolescência para trás e comecei a malhar. Só isso. Ele responde, ainda sorrindo aquele sorriso que agora sei que vai me assombrar a noite toda.
— Não, não, ainda não consigo acreditar. Exclamo, atônita. — Você está incrível.
Tento fazer soar como um comentário inocente, como o de uma amiga surpresa... mas sei que não estou conseguindo. É óbvio que me sinto atraído por ela, mais do que gostaria de admitir.
— Obrigado, Zafira. Agora, se me permite. Diz Luciano com um sorriso travesso. — Minha amiga e eu temos muito o que conversar.
Sora e a sua comitiva não escondem a irritação. Eles vão embora com os copos balançando, deixando para trás um rastro de perfume caro e olhares envenenados.
— Você viu a cara do Sora? Pergunto assim que elas se afastam. — Eu também não conseguia acreditar.
— Nunca imaginaram que o 'Lui Gordinho' acabaria nessa festa. Ele responde, divertido.
— Quando você chegou ao país? Tento mudar de assunto. Dói-me pensar que a adolescência dele não foi fácil.
— Há algumas horas. O Tomás insistiu até eu cansar.
— Claro, Tomás! Eu me lembro bem. Vocês ainda são tão inseparáveis quanto eram no ensino médio?
— Sim. Ele é o único com quem nunca perdi contato. Você, por outro lado... desapareceu da noite para o dia.
— Eu sei... me desculpe. É que... eu me casei. Digo com um sorriso amargo. Estou prestes a contar a ele que me divorciei, mas ele não me deixa continuar.
Uma música começa a tocar. É da nossa época de escola, e me leva de volta a outro lugar, a outra época.
— Você se lembra dos passos? Ele pergunta, estendendo a mão.
— Você acha que eu esqueceria? Respondo, animada.
Aceito a sua mão sem hesitar e nos juntamos à pista de dança com os outros. Dançamos, rimos, relembramos. E não sei quando aconteceu... se foi a surpresa de vê-lo, as duas horas de conversa sem parar, os drinques a mais ou as feridas abertas que Mateus deixou para trás. Só sei que acabei no hotel dele, na cama dele, deixando-o me beijar... deixando-o me amar como nunca antes.
Meu Deus... Fazia meses, talvez anos, que eu não me sentia desejada. Mateus m*al me tocava. Relacionamentos se tornaram uma formalidade, algo que desaparecia completamente no final. Luciano, por outro lado, me levava a lugares que eu nem sabia que existiam. Orgas*mos intensos, de fazer a terra tremer. O que experimentei esta noite foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo. Adormeci nos seus braços, exausta e feliz, querendo não pensar no que viria ao amanhecer.
Acordei com a luz do sol entrando pela janela. A ressaca pulsava como um tambor nas minhas têmporas. Demorei alguns segundos para me lembrar de onde estava. O meu corpo inteiro dói, mas eram as feridas boas, as deixadas pelo desejo satisfeito. Virei-me lentamente... e lá estava ele.
Luciano.
Nu. Adormecido. Perfeito.
Os seus ombros largos, suas costas fortes, seu peito subindo e descendo ao ritmo da sua respiração. O seu me*mbro, ainda ereto, me fez morder o lábio. Deus, eu o quero de novo. Mas eu não posso... eu não deveria. Isso não pode acontecer de novo. Não agora.
Não posso me deixar cair. Não com tudo o que tenho que fazer. Estou machucada, traída, quebrada... e a única coisa que me sustenta é a sede de vingança. Mateus, sua mãe, sua irmã... eles vão se arrepender de terem me humilhado. Não sou mulher para se*xo casual. Não consigo me separar do desejo, ainda não. E sei que, assim que eu acordar, Luciano não dará importância ao que aconteceu.
Naquele momento, noto a luz do celular dele piscando; provavelmente alguém está ligando ou mandando mensagem. Aproximo-me sorrateiramente da tela para ver se é algo importante e o acordo, mas leio uma mensagem que parte o meu coração:
Olá, meu amor, espero que tenha chegado bem. Me ligue assim que ler esta mensagem. EU TE AMO.
Levanto-me silenciosamente. Me visto discretamente, pego a minha bolsa e saio do quarto sem olhar para trás. Me forço a não derramar uma única lágrima. Todos os homens são iguais... ele provavelmente é casado ou tem outra pessoa, e me sinto uma idi*ota caindo nos seus braços. Por sorte, ele está dormindo como uma pedra. Ele não me vê sair.
Do lado de fora do hotel, imagino que devo estar com uma aparência péssima. Tiro o celular da bolsa e vejo as quinze chamadas perdidas do Edgard. Há também algumas do Mateus. Nem me dou ao trabalho de abri-las.
Ligo para o número do Edgard enquanto caminho com determinação:
— Preciso que você venha me encontrar. É hora de ir para casa... e declarar guerra aos Torres.
Eles vão descobrir quem eu sou.
E eu juro que eles não terão paz.
Ponto de vista de Luciano
Abro os olhos com dificuldade. Está martelando na minha cabeça. O álcool. A noite. As emoções.
Estendo o braço... e o encontro vazio.
Zafira não está aqui.
Sento-me de repente. Droga.
Tomás me avisou. Ele me disse que ela era casada, que eu não deveria me envolver. Mas eu não consegui evitar. Deixei-me levar. Achei que significava alguma coisa. Que aquela noite, aquela conexão, aquela devoção... eram reais.
Mas ela foi embora.
Ela foi embora sem dizer nada. Como se o que aconteceu entre nós não tivesse valor.
— Droga, Zafira Ferragutti...
Não vou me deter nessa dúvida. Não vou deixar assim.
Pego o meu celular, procuro o contato do Tomás e ligo. Assim que ele atende, falo sem dar um segundo de pausa:
— Preciso que você me dê o número da Zafira. Agora!
Zafira
Depois de esperar por Edgard por mais de meia hora, escondido a uma distância segura do hotel, para que Luciano não me visse. Ele finalmente aparece, dirigindo a sua Lamborghini. Sim, eu gosto dele agora, e sim, vou ter que pegá-la emprestada para dar umas voltas. É óbvio.
— Já era hora, Edgard. Luciano quase saiu do hotel e me encontrou. Digo enquanto entro no carro e me acomodo no banco. Ainda estou emocionalmente devastada pelo que acabou de acontecer.
— E qual é a minha culpa se você fugiu depois da melhor noite da sua vida? Você é uma idi*ota, Zafira. Ele responde enquanto liga o motor.
— Como você sabe? Pergunto, surpresa, olhando para ele com o canto do olho.
— Eu te conheço bem o suficiente, Zafira. Nunca te vi tão feliz. Por mais que você tente esconder, isso transparece no seu rosto. Nem quando você se casou com aquela barata você ficou assim.
— Eu... eu não sei o que dizer. Hesito, virando o rosto para a janela. Não quero falar, não quero pensar... mas tudo continua queimando dentro de mim.
— Só me diga uma coisa: Luciano é mais gostoso do que comer frango com as mãos? Tire as minhas dúvidas! Ele é tão bem dotado quanto eu imaginava? Ele pergunta com um sorriso travesso. — Ele te fez gritar de prazer ou algo assim?
— Edgard! Grito para ele, completamente vermelha de vergonha.
— Pela sua cara, posso jurar que é um sonoro sim. Você tem muita sorte, minha amiga. Primeira noite como mulher solteira e você já tem um amante. E que amante...
— Eu não quero um amante. Agora não. Agora, tudo o que me importa é a minha vingança. Preciso que os Torres paguem por cada humilhação.
— E Luciano? Ele pergunta sério, me encarando. — Você vai simplesmente deixá-lo ir?
— Não tenho escolha. Tenho certeza de que fui apenas mais uma noite para ele.
— Por que você tem tanta certeza?
— Edgard, por favor... termine o interrogatório. Não tenho tempo para isso. Meu avô está morrendo e receio não chegar a tempo.
— Você tem razão. Quer que eu te leve direto para a sua casa?
— Não. Vamos primeiro ao seu apartamento. Não posso aparecer na frente da minha família, depois de três anos, com essa aparência...
— Você está linda, Zafira. A sua satisfação se*xual transparece em cada poro. Você está radiante. Ele brinca com uma risada que me deixa louca.
— Chega, Edgard! Vamos. Não posso perder mais tempo.
Chegamos ao apartamento. Tomo um banho demorado, tentando apagar as lembranças da noite passada. É inútil. Luciano está grudado na minha cabeça como uma música que não sai. Ele me fez esquecer a dor da traição do Mateus, mas também me encheu de decepção. A mensagem daquela namorada, amante, esposa, ou quem sabe o quê, destruiu as minhas esperanças em mil pedaços.
Saio do banheiro enrolada num robe que Edgard deixou pendurado. Feminino demais, aliás. Uma seleção impecável de roupas me espera na cama. Edgard está lá, me observando com um sorriso divertido.
— Esse robe definitivamente fica melhor em você do que em mim. Pode ficar com ele, considere-o um presente. Diz ele com o seu humor habitual. — Vou pedir o almoço. Enquanto isso, experimente o que quiser. Você precisa estar esplêndida... a menos que essa não seja a imagem que você queira projetar para sua família.
— Quero que me vejam forte. Quero que saibam que estou de volta. Que posso assumir as empresas... e me vingar daquela m*aldita família.
— Essa é minha amiga. Diz ele enquanto se aproxima e beija minha bochecha carinhosamente. — Vou deixar você sozinha para se arrumar.
Depois que Edgard sai, experimento várias combinações. Sim, estou indecisa, e daí? Por fim, escolho uma camiseta branca, uma jaqueta curta rosa e uma minissaia combinando. Combino com uma bolsa dourada desenhada por ele, saltos baixos e óculos de sol grandes que dão o toque certo de frescor.
Olho-me no espelho e sorrio. A roupa é um equilíbrio perfeito entre elegância e casualidade. É como se o tempo tivesse parado. Como se eu não fosse a empregada de Mateua Torres há três anos.
A imagem no espelho me traz de volta a mim mesma: Zafira Ferragotti, a herdeira.
Eu.
Estou de volta.
E desta vez, não vou perder.