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Lorenzo.
O chocolate não perdoa erros.
Se a temperatura estiver errada, queima.
Se o tempo for muito longo, fica amargo.
Se não for controlado, torna-se inútil.
O mesmo acontece com os homens.
Passo a manhã na fábrica da Stracci, caminhando entre máquinas, aço e vapor doce. O cheiro de cacau me acalma o suficiente para me impedir de arrancar a cabeça de alguém. Supervisiono as linhas de produção, assino papéis, dou ordens curtas. Todos sabem quando não devem falar comigo.
Depois do meio-dia, tudo isso deixa de importar.
O outro assunto me aguarda.
A reunião é num galpão vazio, longe da cidade. Não há mesas elegantes nem uísque caro. Apenas concreto, poeira e uma lâmpada pendurada que pisca como se estivesse cansada de iluminar homens que não deveriam existir.
O albanês chega dez minutos atrasado.
Não é um erro. É uma declaração.
Ele é enorme. Mais alto do que eu. Ombros largos, pescoço grosso, cabelo ruivo preso para trás. A suas mãos parecem feitas para matar sem armas. Ele está acompanhado de dois homens, mas eles param a alguns metros de distância. Ele sabe que não preciso deles por perto para me sentir seguro.
Estou sozinho.
— Stracci. Diz ele, com um sotaque italiano carregado. Áspero, quase agressivo.
Não me levanto para cumprimentá-lo.
— Sente-se. Digo.
Ele sorri levemente, como se tivesse acabado de confirmar algo que eu já suspeitava, e senta-se à minha frente. Inclina-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. O seu olhar não pisca.
— Você geralmente não chama pessoas sem dizer o motivo. Diz ele. — Isso significa que o que você quer é caro.
— Ou urgente.
A sua sobrancelha se ergue.
— Fale.
Não enrolo. Não com homens como ele.
— Os russos, e não estou falando da Bratva. Um silêncio pesado paira entre nós. O albanês não finge surpresa. Isso me diz mais do que preciso saber.
— Eles estão se movimentando. Continuo. — Estão perto, e não estão atrás dos meus negócios. É outra coisa.
— Outra coisa? Ele inclina a cabeça e me encara. — Atacaram algo seu.
Não o corrijo.
— Quero nomes. Digo. — Conheço alguns deles. Me encarreguei de matar os capangas, mas não consegui arrancar um único nome sequer. Preciso que você descubra o que aconteceu. Sei que você tem os contatos para isso.
— E o que você vai fazer quando descobrir? Ele pergunta, com um sorriso lento nos lábios.
— Quero a cabeça de quem liderou a operação.
O albanês recosta-se na cadeira.
— Isso vai causar um alvoroço.
— Que se engasguem com isso.
Ele me observa em silêncio por alguns segundos. Ele me avalia. Eu faço o mesmo. Dois predadores calculando quem morderá primeiro... e se vale a pena.
— Trabalhei com muitos russos em todos os meus anos neste ramo, e a minha conclusão é que esses caras, em particular, são obcecados por você. Ele finalmente diz. — Se eles não mexeram com os seus negócios, não é uma combinação comum. É pessoal.
— Eu sei.
— Então me diga. Ele inclina a cabeça. — O que você fez com eles?
Aperto os dentes.
— Isso é passado. Rosno. — Além disso, é o meu negócio. Você não precisa dos detalhes para o que estou querendo.
Isso parece diverti-lo.
— Vai lhe custar caro. Ele diz. — Muito caro.
— Dinheiro não é problema.
— Não estou falando de dinheiro.
Inclino-me para a frente, diminuindo a distância entre nós.
— Pagarei bem. Insisto. — Em dinheiro vivo. Posso lhe dar armamento de nível militar e acesso a rotas que você não tem.
Ele balança a cabeça lentamente.
— Não estou interessado em armas.
Isso me surpreende.
— Então me diga o que você quer.
Ele não tem pressa. Gosta de ter a vantagem.
— Contatos. Diz ele finalmente. — Pessoas inteligentes. Cientistas, químicos... Ele acena com a mão, desdenhosamente. — Ouvi dizer que você vende a melhor maconha da Costa Leste. Tenho certeza de que você tem bons funcionários do seu lado.
Os meus olhos se endurecem.
— Meu negócio está fora de questão. Murmuro. — Se você está querendo criar o seu próprio...
— Relaxe. Ele me interrompe. — Não quero competir com o seu negócio de drogas. Ele faz uma pausa deliberada. — O meu negócio é... pesquisa com seres humanos.
O ar fica mais frio.
— Isso parece problemático. Estreito os olhos.
— Tudo que é interessante é problemático.
Observo-o atentamente.
— Se você mexer com o meu povo, eu te mato.
O seu sorriso se alarga.
— Se eu quisesse mexer com o seu povo, não estaríamos tendo esta conversa.
Silêncio novamente. Longo. Tenso.
— Quero geneticistas. Ele continua. — Mentes brilhantes. Sem moral. Eu te dou todas as informações sobre os russos se você conseguir para mim.
— Por quê?
Ele dá de ombros.
— Se você não falar sobre os russos, eu não falarei sobre os meus planos.
Eu o encaro, avaliando-o.
Não confio nele. Mas não preciso.
— Parece justo. Respondo.
Ele se levanta primeiro. Estende a mão e eu a aperto.
Seu aperto é firme. Ele não está tentando dominar. Nem está cedendo. É um impasse perigoso.
— Trarei o que você procura. Diz ele. — Mas quando tudo explodir… não diga que eu não avisei.
— Quando tudo explodir. Respondo. — Quero estar do lado certo da situação.
Ele sorri.
— Você sempre está, Stracci.
Ele sai sem olhar para trás.
E eu sei que acabei de fechar um negócio que vai mudar muita coisa.
Ou pelo menos espero que sim.
Quando volto para a mansão, já é noite. Tranco-me no meu escritório e reviso as imagens das câmeras de segurança da cidade. Rostos. Carros. Ruas. Procuro por padrões. Vestígios. Qualquer coisa.
Não há nada.
A lembrança de Virginia sangrando me fere como uma faca. Quero encontrá-los. Quero que seja um processo lento e tortuoso.
Meu telefone vibra.
É Nara…
Suspiro, passo a mão pelos cabelos e fecho os olhos. Deixo o telefone tocar e envio uma mensagem curta:
Estou ocupada. Ligo mais tarde.
Volto ao trabalho, sem parar para pensar um segundo sequer naquela mulher.
Então a porta se abre sem aviso.
Virginia.
Tudo em mim muda.
— Você parece cansado. Diz ela, entrando. — Problemas na fábrica?
Assinto.
— É uma marca antiga que voltou... e agora está se tornando a concorrente. Murmuro.
Ela se aproxima por trás e coloca as mãos nos meus ombros. Começa a massageá-los, lenta e precisamente. Seus dedos sabem exatamente onde pressionar.
Fecho os olhos.
— Você deveria descansar. Ela sussurra.
Os seus lábios roçam o meu pescoço e a tensão se dissipa.
A sua boca se abaixa, a sua respiração me incendeia. Não preciso vê-la para saber o que está fazendo. O meu corpo reage imediatamente, traiçoeiramente. — Virginia... Gemi.
Ela não parou.
— Simplesmente se entregue...
Ela se posicionou na minha frente, ajoelhando-se entre as minhas pernas. Desabotoou as minhas calças e as deslizou até os meus tornozelos.
Joguei a cabeça para trás quando os seus lábios roçaram a ponta do meu p*au, cravando as minhas unhas nos braços da cadeira.
O mundo reduziu-se ao seu ritmo, à sua boca, ao jeito como ela me possui, como se eu pertencesse a ela e ela a mim. Como se não tivesse medo de nada.
Agarrei os seus cabelos com firmeza e a forcei a me olhar.
— Você é perfeita... Ofeguei. — Perfeita para mim.
— Você gosta? Ela lambeu os lábios.
— Eu adoro, adoro tudo o que você faz comigo...
Ela sorriu m*aliciosamente e abocanhou o meu p*au inteiro, com tanta intensidade que chegou a engasgar e os seus olhos se encheram de lágrimas. Mas ela não para, Virginia nunca para.
Ela é a tentação em pessoa, e eu sou apenas um homem incapaz de resistir à sua perfeição. Principalmente com ela sempre tão perto, ao meu alcance...
Sou um homem que sempre esteve no controle, tudo passa por mim, tudo acontece se eu mandar.
Mas ela... ela me desarmou com tanta facilidade que chega a ser insultante.
Mordo o lábio enquanto a sua língua explora cada centímetro do meu corpo. Meu corpo treme completamente, sinto meu orga*smo se aproximando lentamente.
E percebo que o seu perfume, sua pele, sua personalidade, todo o seu ser... me fazem esquecer tudo. Os negócios, os russos, a culpa, o fato de que isso deveria ser errado e proibido.
Nada importa.
Tento avisá-la, mas é tarde demais. G*ozo na sua garganta com um gemido de prazer, segurando a sua cabeça com força.
Quando termino, ela m*al se move para se afastar, um pequeno vestígio meu permanecendo no canto dos seus lábios. Ela leva o dedo à boca para limpá-la e lambe o dedo. Há um brilho m*alicioso naqueles olhos azuis.
— Você é meu… Ela senta no meu colo. — Entendeu, Lorenzo? Completamente meu.
Isso me atinge com mais força do que qualquer ameaça.
Eu a levanto e a sento na minha mesa. Alguns papéis caem no chão, mas não me importo. Eu a abraço como se ela fosse a única coisa real neste mundo doentio.
Não é apenas desejo. É fome. É necessidade. É fúria reprimida.
Nos movemos juntos, em silêncio, como se tivéssemos feito isso a vida toda. A sua pele, seu calor, o jeito como ela se arqueia contra mim… tudo me domina.
Quando tudo acaba, eu a abraço forte. Forte demais.
E pela primeira vez em anos, percebo que não se trata apenas de uma conexão física. Há algo profundo, silencioso, perigoso e totalmente proibido girando no meu peito.