Episódio 10

1833 Palavras
°•~~~~🔥~~~~•° Virginia. O chocolate se quebra em pedaços irregulares, amargos e profundos, e derrete com a manteiga até formar uma massa única, espessa e brilhante, impossível de se olhar sem pensar demais. O açúcar é adicionado sem culpa. Aqui não há moderação. É batido com os ovos até a mistura ficar densa, pegajosa, como se exigisse contato constante para não se separar. A canela cai primeiro. Quente. Persistente. Um aroma que não grita, mas permanece. Depois, a especiaria, medida com mãos trêmulas, o suficiente para queimar, não para avisar. A farinha m*al intervém. Apenas o suficiente para manter a forma de algo que quer transbordar. A mistura é despejada na forma sem ser completamente alisada, deixando imperfeições, bordas irregulares, áreas mais escuras que outras. Nada aqui busca a perfeição. O forno faz o seu trabalho. O calor penetra, intensifica, escurece. A superfície racha, mas o centro permanece úmido, quente, intensamente vivo. Quando os brownies saem do forno, o aroma preenche o ambiente como um corpo que se recusa a partir. São cortados em porções generosas, manchando a faca, deixando rastros. A primeira mordida é de chocolate. A segunda, de canela. Então vem o calor, lento, inevitável, se instalando na língua... e descendo sem pedir permissão. Não é uma sobremesa para depois. É uma sobremesa para agora. Para mãos que nunca descansam. Para bocas que não sabem esperar. Para noites em que o calor nunca se dissipa. As semanas seguintes derretem como açúcar na boca. Não há horários. Nem lógica. Apenas Lorenzo e eu nos encontrando em corredores, escadas, cozinhas, varandas. Em cantos onde não deveríamos estar. Onde sabemos que podemos ser vistos. E, no entanto, não nos importamos. A mão dele na minha cintura quando ninguém está olhando. A sua voz grave, italiana, me prometendo coisas que ele não diz em voz alta. O meu riso abafado contra o seu pescoço. Meu corpo memorizando o dele. A mansão não é mais uma casa. É um segredo m*al guardado. Fazemos amor em qualquer lugar, qualquer lugar que nos permita aproveitar a companhia um do outro sem nos preocuparmos com mais nada. É como se o tempo, nesses minutos que compartilhamos, não existisse. E tenho que admitir... está ficando cada vez melhor. Estou sentada em frente ao espelho do meu quarto, o meu celular apoiado numa caixa de joias, enquanto minhas amigas me observam pelas telas. — Não, esse não. Diz Clara. — Te deixa com um ar muito certinho. — Certinho? Eu rio. — Definitivamente não é o que eu quero. Pego outro vestido. Preto. Curto. Justo. — Esse. Diz Sofia. — Esse grita pecado. — Gosto do jeito que você pensa. Respondo, me virando para ver o meu perfil. — Virginia. Interrompe Lúcia, estreitando os olhos. — Por que você está tão feliz? — Como assim? Ergo uma sobrancelha. — Estou sempre feliz. — Não, mas você está… Lara faz uma pausa. — Radiante… Renovada… Paro. Olho para mim mesma. O sorriso no meu rosto é impossível de esconder. — Conheci um italiano. Digo, dando de ombros. — Italiano como? Pergunta Clara, já pressentindo a fofoca. — Muito bonito. Respondo. — Muito… intenso. — Isso não explica o sorriso. Diz Sofía. — O se*xo explica. Coloco a mão no peito, fingindo estar escandalizada. — Nunca. Minto. Elas riem. — Vamos, conta pra gente! Insiste Lucia. — A gente te conhece bem; parece que você não dorme há semanas. Mordo o lábio. Não posso mentir para as minhas amigas. — Bem... Respiro fundo. — Digamos que... nunca tra*nsei tanto na minha vida. O grito coletivo quase me ensurdece. — VIRGINIA! — Detalhes! — Sem imagens mentais, por favor! Dou risada, mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, ouço três batidas na porta. Três. Sempre três. É o toque dele, o jeito dele de me avisar que está livre e louco para me ver. O meu coração dispara. — Meninas, preciso ir. Aceno com a mão. — Vocês podem me ajudar a escolher uma roupa depois. — Nem pense em desligar! Clara protesta. Mas é tarde demais. Desligo o telefone e fecho o laptop assim que a porta se abre. Lorenzo entra sem bater, como se o meu quarto fosse dele. Como se eu fosse dele. Ele se aproxima por trás e me abraça pela cintura. A sua boca encontra o meu pescoço e eu rio, incapaz de me conter. — Temos que ir ao restaurante. Digo, sem muita convicção. — Você disse que tínhamos uma reserva... — Mais tarde. Ele responde contra a minha pele. — Conheço o dono, podemos ir quando quisermos. Viro-me para olhá-lo. — Todo mundo te conhece? — Nos lugares certos. Ele diz, sorrindo. E, claro, não vamos ao restaurante. Vamos para a cama. Para os lençóis amassados. Para aquele lugar onde o tempo deixa de existir. Onde o seu corpo me cobre e o mundo desaparece. — Desta vez... Arfo contra a sua pele. — Quero sentir você inteiro dentro de mim. Ele para, está em cima de mim, o seu corpo quente e enorme respirando pesadamente. — Tem certeza? Ele afasta uma mecha de cabelo suado do meu rosto. — Eu poderia te machucar... Eu aceno com a cabeça, mordendo o lábio. — Tente... Eu beijo os seus ombros. — Eu peço para você parar se eu me sentir m*al... Ele não parece totalmente convencido, mas cede. Começa a me acariciar lenta e tortuosamente, as pontas dos dedos roçando levemente aquele ponto que me faz estremecer. Já estou completamente molhada; um único olhar daqueles olhos escuros é suficiente. Mas ele está disposto a me exaurir de prazer antes de me dar o que eu tanto desejo. A sua língua acompanha o movimento dos dedos. Arqueio as costas e as minhas coxas pressionam contra a sua cabeça. Ele me saboreia com fervor enquanto os seus dedos me penetram, decidindo sugar cada gota do meu líquido. A minha garganta começa a queimar com os meus gemidos incontroláveis. Sinto o meu corpo inteiro tremer enquanto o meu orga*smo está prestes a explodir. Mas ele para. Solto um gemido baixo, quase um soluço, até vê-lo se mas*turbar e cuspir no pê*nis. Ele se inclina sobre mim e eu me abro ainda mais para ele. Ele apoia o cotovelo na lateral da minha cabeça para me dar suporte, enquanto com a outra mão guia a ponta em direção à minha entrada. — Peça para eu parar se achar que está demais. Ele sussurra no meu ouvido. E mesmo que eu assinta com a cabeça, sei que estou mentindo. Eu jamais conseguiria pedir para esse homem parar. Ele entra em mim tão lentamente que me irrita. Alcanço a sua bu*nda, tentando empurrá-lo ainda mais fundo. — Virginia... Ele grunhe. — Só faça. Levanto a cabeça levemente para beijar os seus lábios, forçando a minha língua entre eles. Isso é o suficiente para fazê-lo perder o controle. Ele penetra em mim num movimento rápido, me fazendo ver estrelas. Dói terrivelmente, mas me recuso a reclamar, me recuso a deixá-lo parar. Cravo as minhas unhas nas suas costas e desvio o olhar enquanto uma careta de dor cruza o meu rosto. — Olhe para mim. Ele geme, segurando o meu queixo com a mão. Os meus olhos encontram os dele e, de repente, toda a dor e o desconforto desaparecem. O meu corpo inteiro queima como se eu estivesse com febre ao ver o seu prazer, ao vê-lo me penetrar repetidamente, ao vê-lo soltar grunhidos de pura satisfação. E então o seu enorme pen*is toca um nervo profundo dentro de mim que me faz gritar de desejo. — Você é... tão apertada... Ele ofega. — Eu não vou... resistir... — Lorenzo. Mordo o seu pescoço. — Quando foi que eu pedi para você resistir? Ele sorri m*aliciosamente e, então, os seus movimentos se tornam mais bruscos e selvagens. O quarto se enche com os nossos gemidos, os meus soluços de prazer e a nossa pele se chocando com tanta força que começa a corar. Ele move a mão para minha região ínti*ma, começando a fazer movimentos circulares. Isso me leva ao orga*smo, uma onda de calor e desespero me engole enquanto alcanço o clímax. E ele grita atrás de mim, desabando sobre mim. Quando terminamos, estamos tão exaustos que ficamos ali deitados, entrelaçados, até que ele se afasta e me abraça. Ele me dá um beijo na testa e, de alguma forma... adormecemos. Acordo com a luz do sol filtrando pelas cortinas e o seu braço pesado em volta da minha cintura. Lorenzo está acordado, me observando como se estivesse desvendando um mistério. — Você está bem? Sinto a preocupação na sua voz. — Está doendo alguma coisa? Espreguiço-me lentamente. Há uma leve sensação de queimação na minha virilha, onde antes cada centímetro dele me preenchia completamente. Mas nada disso importa quando um sentimento toma conta. — Estou feliz. Ele ergue uma sobrancelha. — Feliz? — Satisfeita. Corrijo. — Se preferir essa palavra. Um sorriso lento se espalha pelo seu rosto. — Você é muito doce... Ele murmura. Eu rio. — Eu? Doce? Sorrio brincalhona. — Você está com febre? Ele revira os olhos. — Doce. Ele beija as minhas bochechas. — Deliciosa... Ele beija a minha testa e o meu nariz. — E minha... Ele beija os meus lábios. — Você devia fazer uma barra de chocolate com o meu nome, então. Brinco. — É? Boa ideia... Ele sorri de lado, se ajeitando para sentar em cima de mim. — Deveria ter um rótulo dizendo 'Propriedade de Lorenzo Stracci'. — E desde quando eu sou sua propriedade? Levo a minha mão ao seu pescoço, cravando as minhas unhas na sua garganta. Ele grunhe. — Eu não assinei nenhum contrato. — Não precisa de contrato, querido. Cada parte de você, cada respiração, cada pequeno gemido que escapa desses lábios pecaminosos... isso é a prova de que você me pertence... Ele move os quadris levemente, fazendo-me sentir a sua ereção. — Você é minha desde o momento em que pus os olhos no seu corpo. Reviro os olhos, tentando esconder o quanto amo o fato de ele ser tão possessivo. — Vou fazer uma barra de chocolate inspirada em você, com um toque especial. Ele começa a beijar o meu pescoço, a suas mãos acariciando os meus se*ios. — E terá um pequeno aviso dizendo: 'Consuma com moderação, o seu sabor pode ser muito viciante.' Dou risada, mas meu riso logo se transforma num gemido quando os seus lábios encontram o meu ma*milo. Envolvo as minhas pernas na sua cintura e mordo o lábio, fechando os olhos. Talvez não seja apenas o chocolate que está derretendo... ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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