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Virginia.
O chocolate se quebra em pedaços irregulares, amargos e profundos, e derrete com a manteiga até formar uma massa única, espessa e brilhante, impossível de se olhar sem pensar demais.
O açúcar é adicionado sem culpa. Aqui não há moderação. É batido com os ovos até a mistura ficar densa, pegajosa, como se exigisse contato constante para não se separar.
A canela cai primeiro. Quente. Persistente.
Um aroma que não grita, mas permanece.
Depois, a especiaria, medida com mãos trêmulas, o suficiente para queimar, não para avisar.
A farinha m*al intervém.
Apenas o suficiente para manter a forma de algo que quer transbordar.
A mistura é despejada na forma sem ser completamente alisada, deixando imperfeições, bordas irregulares, áreas mais escuras que outras.
Nada aqui busca a perfeição.
O forno faz o seu trabalho. O calor penetra, intensifica, escurece. A superfície racha, mas o centro permanece úmido, quente, intensamente vivo.
Quando os brownies saem do forno, o aroma preenche o ambiente como um corpo que se recusa a partir.
São cortados em porções generosas, manchando a faca, deixando rastros.
A primeira mordida é de chocolate.
A segunda, de canela.
Então vem o calor, lento, inevitável, se instalando na língua... e descendo sem pedir permissão.
Não é uma sobremesa para depois. É uma sobremesa para agora.
Para mãos que nunca descansam.
Para bocas que não sabem esperar.
Para noites em que o calor nunca se dissipa.
As semanas seguintes derretem como açúcar na boca.
Não há horários. Nem lógica. Apenas Lorenzo e eu nos encontrando em corredores, escadas, cozinhas, varandas. Em cantos onde não deveríamos estar. Onde sabemos que podemos ser vistos. E, no entanto, não nos importamos.
A mão dele na minha cintura quando ninguém está olhando. A sua voz grave, italiana, me prometendo coisas que ele não diz em voz alta. O meu riso abafado contra o seu pescoço. Meu corpo memorizando o dele.
A mansão não é mais uma casa. É um segredo m*al guardado.
Fazemos amor em qualquer lugar, qualquer lugar que nos permita aproveitar a companhia um do outro sem nos preocuparmos com mais nada. É como se o tempo, nesses minutos que compartilhamos, não existisse.
E tenho que admitir... está ficando cada vez melhor.
Estou sentada em frente ao espelho do meu quarto, o meu celular apoiado numa caixa de joias, enquanto minhas amigas me observam pelas telas.
— Não, esse não. Diz Clara. — Te deixa com um ar muito certinho.
— Certinho? Eu rio. — Definitivamente não é o que eu quero.
Pego outro vestido. Preto. Curto. Justo.
— Esse. Diz Sofia. — Esse grita pecado.
— Gosto do jeito que você pensa. Respondo, me virando para ver o meu perfil.
— Virginia. Interrompe Lúcia, estreitando os olhos. — Por que você está tão feliz?
— Como assim? Ergo uma sobrancelha. — Estou sempre feliz.
— Não, mas você está… Lara faz uma pausa. — Radiante… Renovada…
Paro. Olho para mim mesma. O sorriso no meu rosto é impossível de esconder.
— Conheci um italiano. Digo, dando de ombros.
— Italiano como? Pergunta Clara, já pressentindo a fofoca.
— Muito bonito. Respondo. — Muito… intenso.
— Isso não explica o sorriso. Diz Sofía. — O se*xo explica.
Coloco a mão no peito, fingindo estar escandalizada.
— Nunca. Minto.
Elas riem.
— Vamos, conta pra gente! Insiste Lucia. — A gente te conhece bem; parece que você não dorme há semanas.
Mordo o lábio. Não posso mentir para as minhas amigas.
— Bem... Respiro fundo. — Digamos que... nunca tra*nsei tanto na minha vida.
O grito coletivo quase me ensurdece.
— VIRGINIA!
— Detalhes!
— Sem imagens mentais, por favor!
Dou risada, mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, ouço três batidas na porta.
Três. Sempre três.
É o toque dele, o jeito dele de me avisar que está livre e louco para me ver.
O meu coração dispara.
— Meninas, preciso ir. Aceno com a mão. — Vocês podem me ajudar a escolher uma roupa depois.
— Nem pense em desligar! Clara protesta.
Mas é tarde demais.
Desligo o telefone e fecho o laptop assim que a porta se abre.
Lorenzo entra sem bater, como se o meu quarto fosse dele. Como se eu fosse dele.
Ele se aproxima por trás e me abraça pela cintura. A sua boca encontra o meu pescoço e eu rio, incapaz de me conter.
— Temos que ir ao restaurante. Digo, sem muita convicção. — Você disse que tínhamos uma reserva...
— Mais tarde. Ele responde contra a minha pele. — Conheço o dono, podemos ir quando quisermos.
Viro-me para olhá-lo.
— Todo mundo te conhece?
— Nos lugares certos. Ele diz, sorrindo.
E, claro, não vamos ao restaurante.
Vamos para a cama. Para os lençóis amassados. Para aquele lugar onde o tempo deixa de existir. Onde o seu corpo me cobre e o mundo desaparece.
— Desta vez... Arfo contra a sua pele. — Quero sentir você inteiro dentro de mim.
Ele para, está em cima de mim, o seu corpo quente e enorme respirando pesadamente.
— Tem certeza? Ele afasta uma mecha de cabelo suado do meu rosto. — Eu poderia te machucar...
Eu aceno com a cabeça, mordendo o lábio.
— Tente... Eu beijo os seus ombros. — Eu peço para você parar se eu me sentir m*al...
Ele não parece totalmente convencido, mas cede. Começa a me acariciar lenta e tortuosamente, as pontas dos dedos roçando levemente aquele ponto que me faz estremecer. Já estou completamente molhada; um único olhar daqueles olhos escuros é suficiente. Mas ele está disposto a me exaurir de prazer antes de me dar o que eu tanto desejo.
A sua língua acompanha o movimento dos dedos. Arqueio as costas e as minhas coxas pressionam contra a sua cabeça.
Ele me saboreia com fervor enquanto os seus dedos me penetram, decidindo sugar cada gota do meu líquido.
A minha garganta começa a queimar com os meus gemidos incontroláveis. Sinto o meu corpo inteiro tremer enquanto o meu orga*smo está prestes a explodir. Mas ele para.
Solto um gemido baixo, quase um soluço, até vê-lo se mas*turbar e cuspir no pê*nis.
Ele se inclina sobre mim e eu me abro ainda mais para ele. Ele apoia o cotovelo na lateral da minha cabeça para me dar suporte, enquanto com a outra mão guia a ponta em direção à minha entrada.
— Peça para eu parar se achar que está demais. Ele sussurra no meu ouvido.
E mesmo que eu assinta com a cabeça, sei que estou mentindo. Eu jamais conseguiria pedir para esse homem parar.
Ele entra em mim tão lentamente que me irrita. Alcanço a sua bu*nda, tentando empurrá-lo ainda mais fundo.
— Virginia... Ele grunhe.
— Só faça. Levanto a cabeça levemente para beijar os seus lábios, forçando a minha língua entre eles.
Isso é o suficiente para fazê-lo perder o controle.
Ele penetra em mim num movimento rápido, me fazendo ver estrelas.
Dói terrivelmente, mas me recuso a reclamar, me recuso a deixá-lo parar. Cravo as minhas unhas nas suas costas e desvio o olhar enquanto uma careta de dor cruza o meu rosto.
— Olhe para mim. Ele geme, segurando o meu queixo com a mão.
Os meus olhos encontram os dele e, de repente, toda a dor e o desconforto desaparecem.
O meu corpo inteiro queima como se eu estivesse com febre ao ver o seu prazer, ao vê-lo me penetrar repetidamente, ao vê-lo soltar grunhidos de pura satisfação.
E então o seu enorme pen*is toca um nervo profundo dentro de mim que me faz gritar de desejo.
— Você é... tão apertada... Ele ofega. — Eu não vou... resistir...
— Lorenzo. Mordo o seu pescoço. — Quando foi que eu pedi para você resistir?
Ele sorri m*aliciosamente e, então, os seus movimentos se tornam mais bruscos e selvagens.
O quarto se enche com os nossos gemidos, os meus soluços de prazer e a nossa pele se chocando com tanta força que começa a corar.
Ele move a mão para minha região ínti*ma, começando a fazer movimentos circulares. Isso me leva ao orga*smo, uma onda de calor e desespero me engole enquanto alcanço o clímax. E ele grita atrás de mim, desabando sobre mim.
Quando terminamos, estamos tão exaustos que ficamos ali deitados, entrelaçados, até que ele se afasta e me abraça. Ele me dá um beijo na testa e, de alguma forma... adormecemos.
Acordo com a luz do sol filtrando pelas cortinas e o seu braço pesado em volta da minha cintura. Lorenzo está acordado, me observando como se estivesse desvendando um mistério.
— Você está bem? Sinto a preocupação na sua voz. — Está doendo alguma coisa?
Espreguiço-me lentamente.
Há uma leve sensação de queimação na minha virilha, onde antes cada centímetro dele me preenchia completamente. Mas nada disso importa quando um sentimento toma conta.
— Estou feliz.
Ele ergue uma sobrancelha.
— Feliz?
— Satisfeita. Corrijo. — Se preferir essa palavra.
Um sorriso lento se espalha pelo seu rosto.
— Você é muito doce... Ele murmura.
Eu rio.
— Eu? Doce? Sorrio brincalhona. — Você está com febre?
Ele revira os olhos.
— Doce. Ele beija as minhas bochechas. — Deliciosa... Ele beija a minha testa e o meu nariz. — E minha... Ele beija os meus lábios.
— Você devia fazer uma barra de chocolate com o meu nome, então. Brinco.
— É? Boa ideia... Ele sorri de lado, se ajeitando para sentar em cima de mim. — Deveria ter um rótulo dizendo 'Propriedade de Lorenzo Stracci'.
— E desde quando eu sou sua propriedade? Levo a minha mão ao seu pescoço, cravando as minhas unhas na sua garganta. Ele grunhe. — Eu não assinei nenhum contrato.
— Não precisa de contrato, querido. Cada parte de você, cada respiração, cada pequeno gemido que escapa desses lábios pecaminosos... isso é a prova de que você me pertence... Ele move os quadris levemente, fazendo-me sentir a sua ereção. — Você é minha desde o momento em que pus os olhos no seu corpo.
Reviro os olhos, tentando esconder o quanto amo o fato de ele ser tão possessivo.
— Vou fazer uma barra de chocolate inspirada em você, com um toque especial. Ele começa a beijar o meu pescoço, a suas mãos acariciando os meus se*ios. — E terá um pequeno aviso dizendo: 'Consuma com moderação, o seu sabor pode ser muito viciante.'
Dou risada, mas meu riso logo se transforma num gemido quando os seus lábios encontram o meu ma*milo. Envolvo as minhas pernas na sua cintura e mordo o lábio, fechando os olhos.
Talvez não seja apenas o chocolate que está derretendo...