Capítulo 06

3357 Palavras
>> Cristina Hansen >> Não demorou muito para que a minha irmã voltasse para a cozinha, com um sorriso de orelha a orelha enquanto segurava um buquê de margaridas - o meu preferido - fazendo com que eu seguisse ela com o olhar enquanto a minha caminhava em direção ao balcão da cozinha que já estava com uma jarra de vidro cheia de água em cima. Não demorou muito para que uma sexta presença fosse notada na cozinha. O homem n***o entrou na cozinha, ganhando a atenção de todos para si. Johnny continua igual ao que eu me lembrava, alto, cheio de músculos - um pouco mais do que antigamente - e no seu rosto continha o mesmo sorriso branquelo que costumava fazer todos os meus dias um pouco mais alegre. Eu engoli em seco quando o olhar dele me encontrou, fazendo com que o seu sorriso morresse aos poucos e um olhar curioso aparecesse no seu rosto assim que ele se deu conta da mão do Noah que repousava junto a minha no encosto de braços da cadeira. — Você não morre mais, acabamos de falar de você — Minha mãe disse sorridente enquanto ele segurava o seu rosto e beijava a lateral da sua cabeça. Minha irmã voltou a se sentar e não demorou muito para que ele se sentasse também. — Bem, eu espero! — Ele comentou rindo, de um jeito simpático. Fazendo com que eu revirasse os olhos entediada assim que ele voltou a sua atenção para mim. — Você sabe que eu jamais falaria m*l de você — Minha mãe disse com o seu jeito babão de sempre e eu revirei os olhos outra vez, tendo a minha atenção tomada pelo Noah que me olhava de soslaio com uma expressão de quem não estava nada satisfeito com o que estava acontecendo ali — Esse é o Noah, noivo da Cris. — Ah! É mesmo?! Não sabia que tinha noivado. — Ele disse em um tom surpreso e abriu um sorriso, estendendo a mão para o Noah que a pegou quase de imediato — Eu sou o Johnny, Johnny Patrick, mas ela já deve ter te falado sobre mim. — Na verdade não… Mas mesmo assim é um prazer — Noah disse com o mesmo tom simpático de antes, eu tive que morder meus lábios para não sorrir quando o sorriso convencido do Johnny começou a desaparecer dos seus lábios. — Então...vocês já marcaram uma data para o casamento? — Meu pai perguntou, com a intenção de quebrar - ou piorar - o clima nada legal que se formou no ar, ao mesmo tempo em que estava nitidamente ansioso pela nossa resposta, Noah parecia estar em uma luta interna para saber qual seria a resposta certa. Então, eu sorri e me inclinei um pouco em direção a mesa para ter uma visão mais ampla do local onde meu pai estava. — A festa de noivado vai ser no próximo sábado, eu já estou resolvendo tudo com a Laís e o casamento… — Falei enquanto pensava sobre as palavras que usaria e o Noah se virou para mim como se estivesse tão curioso pela resposta quanto meu pai, já que ele não sabia sobre o noivado — O Noah e eu ainda vamos ver uma data que seja adequada para as nossas agendas. — Não acha que vocês estão indo rápido demais? — Minha irmã perguntou com uma careta enquanto se servia com um pedaço nada discreto de lasanha — Até porque, vocês estão juntos a quanto tempo? Dois meses? — O tempo em um relacionamento não quer dizer absolutamente nada — Eu retruquei com um sorriso cínico antes que o meu noivo pudesse abrir a boca para argumentar alguma coisa. — Sim, você tem toda a razão! Mas como eu sou a sua irmã mais velha, eu não posso deixar de me preocupar com o seu bem estar — Ela disse com um sorriso falso no rosto. Sua voz estava suave e transmitia um cuidado por mim que ela nunca teve — O último término não deve ter sido tão fácil… Não pude deixar de olhar de relance - com um semblante nada amigável - para o Johnny que me encarava com um sorriso ao qual eu não conseguia decifrar, ao certo, o que significava no rosto. Eu engoli em seco enquanto sentia a minha garganta se apertar com todas as lembranças do dia em que eu recebi o convite de casamento. Olhei para o Noah assim que senti os seus dedos entrelaçar os meus. — Eu sou grato ao ex dela por isso! — Noah disse em um tom irônico. Com um sorriso, como se estivesse se divertindo com a situação. Quando ele olhou para mim com uma expressão séria e analisou o meu rosto por alguns segundos, eu tive medo do que ele falaria a seguir. Mas o medo fugiu para bem longe assim que ele abriu um sorriso carinhoso e se virou para minha irmã com confiança — Se não fosse pelo babaca que foi i****a o suficiente para magoar essa mulher. Eu jamais teria a chance de estar aqui. Ao lado da única mulher ao qual eu me imagino passando o resto da minha vida. Isso não merece um brinde? Eu não consegui conter o sorriso quando ele levantou a taça para um brinde. Me encarando como um noivo que realmente estava orgulhoso por me ter ao seu lado. Meu pai pegou a taça dele e logo depois todos os que estavam na mesa se juntaram para o pequeno ato de comemoração. Samantha não parecia feliz com o resultado da sua provocação. Já o Johnny, parecia estar tão satisfeito com a situação que bebeu todo o líquido na sua taça de uma vez só. O restante do almoço foi, na medida do possível, agradável. Se não levar em consideração as alfinetadas e indiretas que eu e Samantha jogamos uma para a outra durante o jantar. As encaradas m*l humoradas que o Noah jogava para o Johnny toda vez que ele procurava alguma conversa com a "noiva" dele. Ainda tem o meu pai que sorria de toda a situação como se estivesse assistindo o seu filme de comédia prefiro, já minha mãe, por outro lado, parecia que iria surtar a qualquer momento. Quando o jantar acabou, todos se dirigiram à sala. Minha mãe parecia tão encantada com o famoso tirador de calcinhas que parecia não conseguir parar de sorrir enquanto estava na sua presença. Meu pai conversava alguma coisa com o Johnny e a minha irmã estava sentada no sofá enquanto maltratava o controle da televisão, mudando os canais sem parar nem por dois segundos em um único deles. Eu respirei fundo e me dirigi até a porta que tinha na lateral da sala, onde tinha um pequeno deck que dava acesso direto ao jardim que meu pai cuidou durante anos que ficava bem ao lado da casa. Depois do pequeno - não tão pequeno - jardim tinha uma piscina que foi construída com o dinheiro que eu enviava para eles todos os meses. — Mudou muito, não foi? — A voz rouca e um pouco grave do Johnny fez com que eu entrasse em estado de alarde, me virando para ele em um susto — Foi m*l, não queria te assustar. — Acontece. — Disse sem humor enquanto voltava a minha atenção para o jardim, ou melhor, para as margaridas que meu pai cultivava especialmente por ser a minha flor preferida entre todas as outras. — A casa dos seus pais não foi a única coisa que mudou… — Ele disse, apoiando o antebraço no corrimão do deck, ficando na mesma posição que eu e se virando para mim. Eu me virei para ele e encarei o seu rosto, me odiando pela sensação estranha que o seu olhar me causou — Você está diferente… parece outra pessoa. — Decepcionado por eu não me parecer mais com a menina ingênua que você conhecia? — Levantei a sobrancelha para ele, que pareceu um pouco surpreso e ao mesmo tempo decepcionado com a minha resposta. — Você não pode me perdoar? — Ele perguntou com um sorriso um pouco tristonho na face e eu dei uma risada incrédula. — Por ter me enganado durante quatro anos ou por ter se casado com a minha irmã meses depois que terminamos? — Perguntei em um tom irônico, ao mesmo tempo em que controlava o volume da minha voz para que o pessoal que estava lá dentro não escutasse — É tarde demais para pedir perdão, Patrick! — Tina… — Ele começou a falar com se estivesse prestes a me dar um milhão de argumentos para que eu o perdoasse, mas eu não deixei que ele continuasse. — Meu nome é Cristina! — Falei entre os dentes, fazendo com que ele olhasse para mim um pouco mais surpreso. Eu costumava ser o tipo de pessoa que perdoava e jogava para debaixo do tapete o erro dos outros sempre que eles me machucavam — E eu vim aqui para ficar sozinha. Então. Se não se importa… — Ok… Cristina! — Ele disse em um tom um pouco amargurado, se desencostando do corrimão e olhando para mim - que tentava prestar mais atenção que o normal no jardim - por alguns segundos — Foi bom te ver! Ele se afastou, entrando novamente na sala e eu soltei o ar que nem sabia que tinha prendido. Eu sabia que eu estava errada em demonstrar que ainda me importava com a traição que não venho só de uma parte, mas das duas, porém era inevitável sentir o rancor sempre que eu olhava para o rosto dele ou da minha irmã. — O quão real isso tem que parecer ser? — Noah disse quanto envolvia seus braços em volta de mim e segurava o corrimão, fazendo com que eu ficasse literalmente no meio de seus braços, mas sem que ele tocasse de fato na minha cintura. Ele deu risada quando eu tomei um pequeno susto e me virei para ele sem entender o motivo da sua pergunta — Por que eu tô doido pra meter um soco bem dado na cara do seu cunhado. Ele se inclinou para mim e sussurrou como se estivesse contando um segredo para uma criança, fazendo com que eu me virasse para ele completamente, apoiando o meu quadril no corrimão e olhasse para ele com a sobrancelha erguida. — Não sabia que ia fazer o papel de noivo ciumento — Comentei em tom de zombaria, ele deu uma gargalhada - não muito alta - e mexeu a cabeça em sinal de negação. Fazendo com que eu cruzasse os braços e olhasse para ela esperando pela sua justificativa. — Não se trata mais do papel — Ele disse enquanto fechava o sorriso e olhava para mim como se quisesse muito saber o que se passava na minha cabeça — Eu odeio homem mais cafajeste do que eu… Ele disse em um tom de suspense tão maravilhoso que eu não aguentei e comecei a rir. Fazendo com que um sorriso divertido nascesse no rosto dele enquanto ele me encarava. Quando eu consegui me recompor, olhei para ele por alguns segundos antes de conseguir fechar completamente o sorriso teimoso que habitou em meus lábios. — O seu pai quer falar comigo, a sós. Devo me preocupar? — Ele perguntou fazendo com que eu olhasse por cima dos seus ombros para meu pai que encarava nós dois com uma expressão que tinha uma mistura de curiosidade e satisfação — Para de olhar, megera, ele vai achar que estou nervoso e vim pedir dicas pra você. Me senti obrigada a rir, mas em respeito ao desespero do Noah, eu me segurei e tirei a minha atenção do meu pai, que ainda nos encarava. — E você não tá? — Pergunto o olhando como se o desafiasse a negar na minha frente o que estava nem óbvio e ele colocou uma careta no rosto. — Tem que parecer real! Eu só estou sendo um bom ator — Retrucou, fazendo com que eu levantasse as duas sobrancelhas sinalizando que eu não tinha acreditado em nada do que ele falou — Eu mereço que você delete o vídeo se eu sair vivo dessa… — Isso não vai rolar — Disse quase de imediato e ele revirou os olhos, parece entediado com a minha resposta — E pare de falar do meu pai como se ele fosse um monstro, ele lhe tratou super bem. — Você não merece o meu esforço — Reclamou, fazendo com que eu desse risada, tirou suas mãos do corrimão, fazendo com que o meu corpo sentisse falta do calor do seu assim que ele se afastou de mim. — Boa sorte! — Disse com um sorriso assim que meu pai apareceu na porta do deck o chamando para tomar uma dose de whisky com ele. O que foi só uma forma de um chamar para conversar, já que o mais velho não podia beber devido a recomendação médica. [...] >> Noah Sinclair >> Não sei descrever ao certo qual foi o sentimento que me atingiu quando a Cristina me contou que o seu cunhado, ex namorado, primeiro namorado ou o c*****o a quatro que estaria aqui. Tudo o que eu sei é que ela parecia tão incomodada com o assunto que faria qualquer coisa para que eu não tocasse nele. Eu ia tocar, alfinetar e me vingar de toda essa merda de chantagem que ela estava fazendo comigo. Até por que o fato dela - ou melhor, a imagem de boa moça que ela tinha - tá limpando meu nome para toda a mídia, nunca seria o suficiente para me fazer esquecer de todas as gostosas que eu tava evitando pegar para que ela não postasse aquele maldito vídeo. Mas quando eu cheguei aqui, percebi que já era castigo demais para ela. Toda a família dela agir como se fosse a coisa mais normal do mundo uma irmã tomar o namorado da outra e ainda se casar com ele era algo surreal. Contudo, o que realmente me deixou com raiva, foi o filha da p**a ficar procurando gracinhas para o lado dela, mesmo estando na cara que ela não superou a traição dele com a irmã e que estava seguindo em frente mesmo assim. Quando eu vi a expressão de quem tinha sido atropelada por um caminhão que ela colocou no rosto assim que ele se afastou dela no deck. A primeira pergunta que eu me fiz foi: Porque eu não tô feliz com isso. A segunda, foi se todos me julgariam se eu metesse um soco na cara dele por ter feito ela ficar com aquela cara. Que fiquei aliviado para um c*****o quando ela deu risada. Porque ao mesmo tempo em que ela sorria, a raiva que estava pairando em meu peito diminuía. Posso ser o cafajeste que for, mas isso não muda o fato dele ser um cafajeste ainda pior. Eu pelo menos nunca peguei irmãs. O pai da Cristina me levou para uma sala onde parecia ser um escritório, o senhor que tinha uma aparência muita mais velha do que a minha, andava com dificuldade - fazendo com que eu julgasse ser por causa da doença - ele mandou com que eu fechasse a porta atrás de mim e assim eu fiz. — A Cristina tinha o costume de se esconder embaixo da minha mesa quando algo a atormentava — Ele começou a me contar essa história de uma hora para a outra. Sem me dar tempo de fazer o meu papel. Parei de encarar os livros da sua estante e olhei para ele com atenção — Na primeira vez ela escondeu tanto o motivo da sua frustração que eu levei dias para fazer com que ela voltasse a gargalhar como sempre fazia. Ele se sentou no sofá e mandou que eu me sentasse, ainda desnorteado por não saber aonde ele queria chegar com toda aquela informação que ele estava simplesmente jogando em minhas mãos. Ele sorriu e olhou para as mãos que estavam um pouco trêmulas. — É reconfortante saber que, quando eu me for, você vai está ao lado dela e fazer ela gargalhar assim como fez agora — Ele comentou, fazendo com que eu engolisse em seco com as suas palavras e olhasse para ele sem saber o que lhe responder — Ela é tudo o que eu mais amo, Noah! Você deve me achar hipócrita já que eu apoio o relacionamento da minha filha mais velha com o homem que foi o primeiro amor da Cristina. Mas o Johnny nunca foi homem o suficiente para ela. Primeiro amor… E mais uma vez, eu não soube o que responder, as palavras dele transbordam de emoção e honestidade, mas eram firmes, ao mesmo tempo em que ele parecia tocar com as palavras em algo extremamente delicado. — Como pai, primeiro amigo e fã número um daquela moça ao qual você está tomando como sua noiva. — Ele começou, enquanto olhava para mim e pensava na melhor forma de continuar com o seu questionamento — Eu quero que você me prometa que você não vai fazer nada com a intenção de machucar a minha menina. Prometa que vai proteger e cuidar dela e terá toda a minha benção para esse casamento. Essa conversa tinha ido para um caminho completamente diferente ao qual eu esperava que ela fosse. Embora não tenha tido nenhuma ameaça de morte, piadinhas macabras, envolvimento de armas ou sermões sádicos. Eu estava mais aflito do que se tivesse todas essas coisas juntos. Eu esperava que ele não gostasse de mim, apesar de que eu tenha me esforçado muito para parecer o homem mais simpático do mundo. Ele tinha pesquisado sobre mim e não tinha absolutamente nada na internet que seja a favor do meu caráter. Eu quase me ajoelhei em agradecimento quando a talarica disse que ele tinha feito o dever de casa, por que isso provavelmente significaria que ele não aceitaria esse noivado, o acordo iria por água abaixo e eu estaria livre do vídeo por que isso não seria, de fato, a minha culpa. Os olhos negros do homem em minha frente esperava ansiosamente por uma resposta da minha parte. Resposta essa que eu não sabia ao certo se poderia dá, já que eu sou expect em dá o f**a-se para o sentimento alheio quando se trata se cometer os meus próprios erros e odeio fazer promessas que não vou cumprir. Mas a Cristina não gostava de verdade de mim, eu não gostava dela de verdade e isso tudo não se trata de uma chantagem ao qual no fim nos dois estamos nos beneficiando. Não seria estranho se eu prometesse, até por que, a trégua que foi se formando entre a gente sem que nenhuma das partes precisasse levantar a bandeira da paz, me faz ter uma pequena certeza que eu não queria fazer nada contra ela. — Eu prometo! — A minha voz saiu firme, enquanto eu apoio o meu cotovelo no meu joelho e juntava as minhas mãos à frente do meu corpo. A sensação que eu tive foi como se eu tivesse aceitado das mãos deles algo precioso, que eu teria que cuidar a qualquer custo. Pelo menos durante os próximos meses. — Posso perguntar o que tanto te chamou atenção na minha filha? — Ele perguntou com a sobrancelha erguida. Fazendo com que a minha mente fosse atingida por todas as lembranças de fotos que a Cristina tirava semi nua para a divulgação de alguma marca de lingerie. Que desenhavam pra c*****o os seus p****s fartos e arredondados que quase pulavam para fora do sutiã, a sua cintura fina com uma curvatura quase perfeita, o seu quadril um pouco - nada muito escandaloso quando está de roupa - largo e a sua b***a empinada e curvadinha. Aquela mulher não deixa nada, absolutamente nada, a desejar. — Bom… — Falei enquanto umedecia os lábios, tentando esconder o meu sorriso malicioso e olhava para ele com uma expressão divertida no rosto — Ela tem um sorriso lindo.
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